quinta-feira, 10 de março de 2016

O Pântano das Borboletas - Federico Axat

Edição: 2014
Editora: Tordesilhas

Sinopse

Sam e Billy têm 12 anos e moram na pequena Carnival Falls. Amigos inseparáveis, eles percorrem o bosque de bicicleta e preparam-se para terminar a construção da sonhada casa na árvore.

Compartilham tudo, inclusive a paixão por Miranda, a menina rica que acaba de se mudar para a cidade. Juntos, os três vivem as descobertas e as transformações típicas da idade e desvendam o mistério que assombra a vida de Sam: o paradeiro de sua mãe.

Com esses ingredientes e doses generosas de lirismo, Federico Axat escreveu uma história admirável sobre a delicada passagem da infância para a adolescência e desta para a vida adulta.Mas não só. Romance de crescimento e suspense com incursões pelo fantástico,

O pântano das borboletas reserva uma desconcertante reviravolta final: um segredo que, revelado, arremessa o leitor em um torvelinho de emoções e confere à trama um sentido totalmente novo.



Resenha

Que livro maravilhoso e incrível! O Pântano das Borboletas é um livro lindo, gostoso de ler e com uma história muito bem elaborada.

Sam e Billy são grandes amigos, desde a infância. O livro aborda muito esse fase da vida, como no companheirismo deles, na paixão pela menina rica (Miranda) que chega na cidade, no bullying sofrido por meninos mais velhos. Mas o livro também possui algumas partes onde é contada a vida adulta dos personagens.

Sam perdeu a mãe com um ano de idade, num misterioso acidente de carro e, a partir daí, foi morar numa granja, com várias outras crianças adotadas. A educação na granja sempre foi rígida e um dos "irmãos" de Sam, chamado Orson, mostra-se uma criança muito cruel ao longo do livro.

As alegrias de Sam são os passeios no bosque com Billy, seu melhor amigo, que tem um jeito de detetive e explorador, sempre resolvendo mistérios e elaborando mapas de suas aventuras. Além disso, Sam é a companhia do Sr. Meyer em algumas tardes, fazendo-lhe leituras e ouvindo suas histórias do passado.

A história é muito bem elaborada e a vontade é de ficar o tempo todo lendo esse livro incrível! Ele tem um toque sobrenatural, penso que seja pela imaginação das crianças, envolvendo o acidente que vitimou a mãe de Sam.

São muitos mistérios que vão sendo revelados, mas melhor parte é o final! Após a metade do livro eu já estava decidida a avaliar com 5 estrelas, mas ao final resolvi favoritar! A reviravolta é incrível. Eu li e voltei e li de novo para garantir que era isso mesmo! É aquele tipo de livro que você quer ler de novo sob outra ótica, para poder desfrutar novamente dessa história maravilhosa.

Sem dúvida vou ler de novo esse livro, provavelmente daqui um tempo, pois ele vale muito a pena e tem uma mensagem encantadora! Recomendo a todos!


★★★

sábado, 20 de fevereiro de 2016

A Garota Sem Passado - Michael Kardos

Edição: 2016
Editora: Arqueiro

Sinopse

Num domingo de setembro de 1991, Ramsey Miller deu uma festa em casa para os vizinhos. Depois, assassinou a esposa e a filha de 3 anos. Todo mundo na pacata cidade de Silver Bay conhece a história.

Só que todos estão errados. A menina escapou. Sob o nome falso de Melanie Denison, ela passou os últimos quinze anos escondida com os tios numa cidadezinha remota. Nunca pôde viajar, ir a uma festa na escola ou ter internet em casa, porque Ramsey jamais foi encontrado e poderia ir atrás dela a qualquer momento.

Mas, apesar das rígidas regras de segurança impostas pelos tios, Melanie se envolve com um jovem professor da escola local e engravida. Ela decide que seu filho não terá a mesma vida clandestina que ela e, para isso, volta a Silver Bay para fazer o que nem os investigadores locais, nem a polícia federal, nem o FBI conseguiram: encontrar seu pai antes que ele a encontre.



Resenha

O livro é um thriller incrível, do começo ao fim. Digo isso no sentido de instigar o leitor a terminar o livro o quanto antes. A cada capítulo um novo enigma é criado e várias suposições podem resolvê-lo.

É muito interessante, pois Melanie (Meg Miller) vai de encontro a algo totalmente inesperado. Ela passou a vida inteira reclusa, sem desconfiar de nada que lhe diziam, sempre pensando em sua segurança. E, um dia, devido a um fato que está para ocorrer, ela decide ir atrás de seu pai, na pequena cidade de Silver Bay.

Ela está cansada dessa vida de fugitiva e decide ir até o fim, para descobrir toda a verdade. Ela descobre essa verdade. E é aí que está a falha do livro. Até o final ele é emocionante e desejamos saber o que vai acontecer, mas aí quando acaba, muitas pontas ficam soltas. Algumas atitudes que não fazem sentido, alguns personagens que demonstram uma atitude contrária ao seu caráter, enfim, muita coisa fica sem explicação.

É um livro bom, eu gostei, mas poderia ter sido muito melhor. Poderia ter sido mais bem trabalhado no final, com um encerramento adequado ou explicação melhor a alguns fatos. Mas, como a leitura é super rápida (questão de três dias no máximo), vale a pena dar uma conferida. 

★★★

Uma Questão Pessoal - Kenzaburo Oe

Edição: 2003
Editora: Cia das Letras
O escritor japonês ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, em 1994.

Sinopse

Em 1964, o romancista japonês Kenzaburo Oe recebia a notícia de que seu primeiro filho nascera com uma anomalia cerebral. É a mesma situação enfrentada pelo protagonista de Uma questão pessoal, o professor Bird. Aos 27 anos, ele leva uma vida medíocre, bebendo pelos bares de Tóquio e sonhando com aventuras no continente africano. 

A gravidez da mulher acrescenta angústia ao cotidiano de Bird. A idéia de que será pai e chefe de família faz com que se sinta condenado à vida cotidiana. Para piorar, depois do parto, os pais descobrem que a anomalia cerebral fará o menino ter uma vida vegetativa. Bird não suporta a possibilidade de se ver atrelado para sempre a um filho anormal. Passa, então, a desejar a morte da criança. 

Aos poucos, porém, ele se dá conta de que a crise era uma oportunidade. Bird deve percorrer um longo caminho de conquista da realidade, enfrentando os desafios de amadurecimento da vida adulta.


Resenha

Ao começar a leitura, pensei que seria um caso de superação das dificuldades relacionadas à paternidade. Imaginei que o protagonista seria um exemplo a ser seguido, que uma força surgiria nele para suportar e avançar diante de todas as adversidades.

Porém, conheci um personagem marcante, e não no bom sentido. Bird nos desperta inúmeros sentimentos, principalmente raiva. Seu casamento já aparece no início como um pouco problemático. Ele não é nem de longe o que se espera de um marido ideal às portas do nascimento do primeiro filho.

Ao ficar sabendo que seu filho nasceu com hérnia cerebral, Bird não consegue mais raciocinar direito. Ou, se consegue, torna-se um crápula! Passa a beber demais, afastar-se das responsabilidades, não permanece ao lado da esposa e refere-se ao filho como um monstro. Além disso, esse "monstro" irá lhe tirar todas as economias reservadas para uma viagem que sempre pretendeu fazer à África. Aliás, ele é fissurado pela África, tendo lido diversos livros e colecionado mapas de lá.

Assim, ao decorrer dos livros, o autor vai mostrando um personagem em todas as suas facetas: traumas pessoais, passado, fraquezas, medos e a forma como encara tudo isso. É um personagem muito bem trabalhado, podemos conhecê-lo profundamente.

Lendo sobre a vida do autor, Kenzaburo Oe, vejo que ele passou por uma situação parecida e, na vida real, os médicos sugeriram que ele deixasse o filho para morrer, ainda bebê. Ele e sua esposa não aceitaram e hoje seu filho é músico, apesar de autista. Seu nome é Hikari Oe.

Enfim, é um livro forte, que dá uma sacudida no leitor. Vale muito a pena a leitura!

★★★

Depois, acrescentou, meio ressentido: - No final das contas, a vida exige de nós uma atitude ortodoxa. Mesmo que se queira ceder à tentação da falsidade, com o tempo a vida nos obriga a rejeitá-la. Não é mesmo?
- Nem sempre, Bird. Algumas pessoas vivem saltando como rãs de uma falsidade para outra a vida inteira. 
Kenzaburo e seu filho, Hiraki.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O Grande Mentecapto - Fernando Sabino

Primeira publicação: 1979
Editora: Record
Adaptação: Filme de 1989 (veja o trailer)
Ganhador do Prêmio Jabuti (1980)

Sinopse

O Grande Mentecapto segue a linha da novela picaresca, como o “Dom Quixote de La Mancha”, de Cervantes, em que a personagem vai em busca de conflitos, com o objetivo de resolvê-los heroicamente.

Assim, Viramundo percorre o estado de Minas Gerais, encontrando-se com diversos personagens excêntricos. 

É um marginal em uma sociedade que não compreende e na qual não se enquadra, o Viramundo inspira um sentimento de ternura e de pena por todos aqueles que, em sua simplicidade, sofrem o descaso, a ironia e a opressão.

Esta obra, que rendeu o Prêmio Jabuti, foi adaptada para o cinema, com direção de Oswaldo Caldeira, em 1989, e também para o teatro. 




Resenha


O Grande Mentecapto é um livro muito interessante e cativante! Conta a história de Geraldo Viramundo, desde sua infância. O livro começa contando como era sua convivência com a família e amigos. Após um incidente ocorrido em sua cidade natal (Rio Acima) ele decide ir ao seminário. Após sua saída do seminário, em uma situação um pouco estranha, é que começam realmente suas aventuras e desventuras.

Viramundo é apenas um de seus apelidos e é tratado assim ao longo de quase todo o livro. Ele é um personagem com o coração puro, que acaba se metendo em apuros, sempre na tentativa de fazer o bem e dar o seu melhor pelos outros.

Por causa disso, se torna um mendigo, caminhando de cidade em cidade, por quase todo o Estado de Minas Gerais. Vai conquistando muitos amigos e também alguns desafetos, mas sempre com uma mensagem para passar ao leitor.

Apesar de viver com muito pouco, no sentido material, ele não almeja tornar-se uma pessoa rica ou mesmo com melhores condições de vida. Ao contrário, contenta-se com o que tem e leva uma vida sem rumo, mas ao mesmo tempo sempre acreditando que sua hora está chegando.

O final é um pouco triste e irônico, mas vale muito a pena, pois encerra a história fazendo inclusive uma analogia religiosa, a meu ver.


É um livro que indico a todos. Rende algumas risadas, além de compaixão, empatia e uma boa mensagem ao coração.


★★★★

Capa do Filme de 1989

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A Síndrome E - Franck Thilliez

Publicação: 2013
Editora: Intrínseca

Sinopse

Um estranho caso vem atrapalhar as férias de verão de Lucie Hennebelle, tenente de polícia em Lille. Seu ex-namorado ficou cego depois de assistir a um filme mudo, anônimo, com um roteiro enigmático, concebido por uma mente doentia.

Simultaneamente, o comissário Franck Sharko, veterano da Divisão de Homicídios e analista comportamental na Divisão de Repressão à Violência, passa por um tratamento na tentativa de curar a esquizofrenia.

No norte da França, cinco cadáveres não identificados foram encontrados sepultados a dois metros de profundidade mutilados de maneira atroz e em estado de decomposição avançada e Sharko cede ao chamado da aventura. Enquanto Lucie descobre os horrores escondidos no estranho filme, um misterioso informante do Canadá aponta-lhe o elo entre aquele rolo e os cinco cadáveres.

Um único e mesmo caso, graças ao qual Lucie e Sharko, tão diferentes e ao mesmo tempo tão próximos em sua concepção do ofício, irão se encontrar. Das favelas do Cairo aos orfanatos do Canadá nos anos 1950, os dois colegas irão se deparar com um mal desconhecido, batizado como “Síndrome E”. Uma realidade assustadora que revela como o ser humano pode ser capaz das maiores atrocidades.




Resenha

A sinopse acima já adianta bastante da história, mas é bom frisar alguns pontos. É um livro ótimo, um thriller incrível, pois sempre deixa o leitor ansioso por respostas.

No início achei que logo diriam o que era a Síndrome E, mas essa explicação chega quase ao final do livro. Entretanto, até chegar a esse final, muita coisa acontece e os fatos estão interligados. Não é um livro que deixa ponta soltas, ao contrário, ele é bem detalhista.

Achei muito interessante a criação dos personagens, principalmente do comissário Franck Sharko. Digo isso por que é aquele tipo de personagem que parece que faz parte da nossa vida, seus sentimentos são bem trabalhados e envolvem o leitor. Pelo fato de ele sofrer de esquizofrenia, isso auxilia muito na história, pois compreendemos a razão de algumas de suas atitudes.

A questão de Lucie, tendo que deixar a família de lado (uma filha está hospitalizada) para dar atenção ao trabalho, num caso extremamente tenebroso e complexo, também é muito interessante. Passa aquela lição: até que ponto o trabalho deve influenciar na nossa vida?

Mas a parte mais interessante é a própria Síndrome e suas consequências. No sentido de que pode ocorrer na vida real, é tudo muito plausível. O criador do filme doentio (que deixou um homem cego) e as pessoas envolvidas em sua produção têm uma obsessão pelo olho humano. Assim, tudo acaba girando em torno disso, de como as imagens e mensagens subliminares atingem e atuam no nosso cérebro.

Pode ser que a Síndrome não tenha espaço na nossa realidade, mas sem dúvida a visão é um sentido que pode ser bem utilizado por pessoas que não tenham boas intenções. Enfim, é preciso ler o livro para entender a complexidade dessa colocação.

O final não deixou pontas soltas na história, mas mesmo assim ocorre um fato que deixa uma brecha para uma continuação, da qual ainda não tive notícia.

Vale muito a pena! Não é um livro de dar medo, mas é um suspense que nos faz ficar um pouco paranoicos...

                                 ★★★★★

Ilustração do Livros Edição Espanhola

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Muito Mais que 5inco Minutos - Kéfera Buchmann

Publicação: 2015
Canal 5inco Minutos: https://www.youtube.com/user/5incominutos

Sinopse

Você conhece a Kéfera? Pois deveria! Com 22 anos, Kéfera Buchmann reúne quase doze milhões de seguidores nas suas mídias sociais (YouTube, Facebook, Twitter e Instagram). Só o seu canal no YouTube, “5inco minutos” (procura aí na internet), tem cinco milhões de assinantes e é o quarto mais visto do Brasil.

Tá achando pouco? Ela ainda recebe diariamente centenas de mensagens de fãs do Brasil todo e é parada na rua a todo momento. Se o YouTube é de fato a nova televisão, como acha muita gente, hoje Kéfera é o equivalente aos antigos astros globais. Tão conhecida e amada quanto eles.

Neste livro, que tem literalmente a sua cara, Kéfera parte de sua vida para falar de relacionamentos, bullying, moda, gafes e conta uma série de histórias divertidas com as quais é impossível não se identificar.


Resenha

Que comece a polêmica! Kéfera é daqueles tipos de pessoas que ou a gente ama ou a gente odeia. Eu discordo, na verdade. Prefiro não odiar ninguém e não amar quem não conheço. Mas é fato que dei muita risada com esse livro, valeu muito a leitura!

Já conhecia o canal dela e acompanho alguns vídeos seus, que também são muito engraçados. Ok, alguns podem ser sem noção, talvez apelativos, mas ela é apenas uma jovem de 22 anos. Agora, extrovertida, encontrou na internet uma forma de se expressar e, claro, ganhar dinheiro.

O livro não fala do canal em si (há indícios de que haverá um 2º livro), mas sim da sua vida. E eu particularmente achei muito interessante, principalmente para os jovens de hoje em dia, já que ela possui muitos fãs, pessoas que se inspiram na sua vida.

Levando em conta que tudo que está no livro é verdade, ela realmente pode ser considerada uma pessoa que superou inúmeras dificuldades e está muito bem, obrigada.

Ela sofreu bullying durante a maior parte da adolescência, por estar acima do peso. Mas deu a volta por cima (e como!). O livro apresenta também a relação com sua mãe que, também através dos vídeos, é algo bonito de ver. Há diversas situações engraçadas e também frases de incentivo às pessoas que possam ter vivido os mesmos dramas.

Se foi um livro feito exclusivamente para ganhar dinheiro, nunca saberemos. Afinal, a intenção do coração de cada um ninguém pode saber. Mas com certeza o livro (aliado às outras mídias de Kéfera) pode auxiliar o público adolescente, para que viva uma vida mais despreocupada e despojada de rótulos e preconceitos.

Recomento a leitura para os que já gostam dela e para os que pretendem conhecê-la melhor. Aos haters, ela tem um recado nas primeiras páginas do livro hehe. Mas, ainda assim, acredito que umas 3 horinhas não farão falta, pelo menos darão boas risadas. ;)

                                 ★★★★★

"Quando a gente é novo, tudo é muito intenso. Sofremos à toa, sempre, por qualquer coisa. Se a Kéfera de agora pudesse voltar naquela época para dar um conselho para a Kéfera de doze anos, seria: 'Relaxa, daqui a uns anos você vai estar tão feliz que não vale a pena chorar por esse cara agora'. Mas isso não aconteceu."

Kéfera e sua cadela Vilma Tereza

As Irmãzinhas de Eluria - Stephen King

Título original: The Little Sisters of Eluria
Publicação original: 1998


Resenha

Esse conto pode ser considerado um prelúdio à série A Torre Negra, mas é independente desta. Seu protagonista é Roland, de Gilead.

Roland é um pistoleiro, no melhor estilo faroeste da palavra. O conto inicia com sua chegada à pequena cidade de Eluria, nos confins do mundo, com seu cavalo que está à beira da morte.

A cidade está deserta e Roland desconfia que algo terrível aconteceu, para devastar toda a população. Assim, observando um corpo (humano) numa vala, é atacado por seres (não humanos) verdes, que o golpeiam até ele desmaiar.

Quando acorda, encontra-se num tenda/hospital e é recebido por umas freiras simpáticas e bondosas, que possuem bichinhos de estimação. E todos vivem felizes para sempre.

Só que não! :-p

É um conto bastante interessante, com horror e fantasia na medida certa! Ansiosa para ler a série, que inicia com ele, Roland, em "O Pistoleiro".

Recomendado!

★★★★★




quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Eu, Robô - Isaac Asimov

Título original: I, Robot
Publicação original: 1950
Tradução: Jorge Luiz Calife
Adaptação: Filme de 2004 (veja o trailer).

Sinopse

Eu, robô é parte de uma das três grandes séries de Asimov: Robôs, Fundação e Império. Retoma uma das personagens principais, a grande roboticista Susan Calvin, e a faz contar, em retrospecto, histórias que resumem a evolução da robótica. 

A narrativa engenhosa conduz o leitor com um didatismo disfarçado: levados pela imaginação e pelo humor de Asimov, nem nos damos conta da lição de história da robótica que acabamos aprendendo. 

Entre a babá da primeira história e a Máquina, com maiúscula, que controla toda a Terra, na última, há ainda espaço para robôs que enlouquecem, que fazem piadas, que lêem pensamentos e até robôs orgulhosos de serem mais espertos do que os seres humanos... 

Eu, Robô também apresenta as três leis da robótica, outro alicerce da ficção científica. De acordo com elas, a primeira obrigação de um robô é proteger seres humanos, a segunda é obedecer às ordens de humanos e a terceira é se proteger. 

A aparente simplicidade esconde os numerosos conflitos que podem surgir, e servem de mote para mais de uma história. Eu robô foi adaptado para o cinema.


Resenha


Para um livro escrito em 1950, ele é muito atual. Eu estava com uma expectativa maior acerca de Asimov, por isso quero continuar lendo sua obra (provavelmente A Fundação). Porém, posso dizer que gostei de “Eu, Robô”. 

É uma coletânea de contos, que estão interligados. Na introdução, um repórter da Imprensa Interplanetária entrevista a Dra. Susan Calvin, uma robôpsicóloga altamente reconhecida. A partir daí, ela conta nove histórias sobre o mundo dos robôs (e seu aspecto humano), os quais vão evoluindo gradativamente conforme ela as narra. 

Apenas para contextualizar, Susan nasceu em 1982, no mesmo ano da criação da empresa US Robôs e Homens Mecânicos, gigante industrial da história humana. A Dra. Possui 75 anos, sendo, portanto, o ano de 2057. 

Uma crítica: há fortes traços machistas no livro. A Dra. Calvin é seguidamente destratada por seus colegas de trabalho, todos homens. Ela também é retratada sempre como uma pessoa inferior, em que pese sua memorável formação acadêmica e experiência profissional. Além disso, todos parecem estar sempre alterados, gritando entre si e agindo sem muita educação. 

É importante também conhecer as Três Leis da Robótica, que estão presentes em todos os robôs construídos com os cérebros positrônicos. São elas: 

1) Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal. 

2) Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a primeira Lei. 

3) Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e a Segunda Leis. 

Vou fazer um breve apanhado dos contos, para mostrar como são interessantes. 

1. Robbie: Conta a história de Robbie, um robô que não fala, comercializado a partir de 1996 e que era vendido para servir de babá. A história é muito linda, pois trata da amizade de Robbie com uma menina chamada Gloria. Apesar de ser um robô mudo, consegue demonstrar sentimentos, ainda que arcaicos, não sendo apenas uma simples máquina. A mãe de Gloria preocupa-se com o desenvolvimento da filha, que não convive com outras crianças, por preferir a companhia de Robbie. 

2. Brincadeira de Pegar. Conta a história de um robô um pouco mais evoluído que o primeiro, e seu nome é Speedy. Nesse conto, dois especialistas em robótica, Greg e Mike, estão numa missão interplanetária para coletar selênio. Speedy é um robô falante e já possui alguns dilemas morais em relação ao conflito entre as Leis da Robótica. Gostei muito deste também. 

3. Razão. Greg e Mike estão em outra missão, desta vez com um robô ainda mais evoluído, chamado Cutie, que demonstra traços de arrogância e superioridade em relação aos seres humanos, passando a questionar sua existência e sua subordinação. É um conto um pouco angustiante.

4. Pegar o Coelho. Agora Greg e Mike descobrem que o robô Dave e seus 6 subordinados, quando não estão sendo vigiados, deixam o trabalho de lado e começam a realizar manobras militares. Quando os humanos se aproximam, voltam ao trabalho. Eles tentam então descobrir o motivo dessa mudança de comportamento. 

5. Mentiroso! Herbie é um robô que lê pensamentos e, nesse conto, a própria Dra. Calvin vivenciou a história. Já não bastassem robôs falantes e conscientes, imaginem um que lê pensamentos humanos! Certamente não será um mar de rosas. Ótimo conto também. 

6. Pobre Robô Perdido. O Robô Nestor 10, mentalmente instável, acaba por perder-se no meio de outros 62 robôs. Para ele, a 1ª Lei está modificada e, assim, pode ter tendências violentas em relação aos seres humanos. Dra. Calvin tenta resolver esse problema. 

7. Fuga! Agora há um problema político, uma disputa econômica entre a US Robôs e a Consolidated Robôs, com provável golpe por parte desta última. O robô em questão é Cérebro, que constrói uma poderosa nave interplanetária, na qual viajarão Mike e Greg. Cérebro é extremamente inteligente mas, conforme os robôs vão evoluindo, os dilemas morais e a superioridade também...

8. Prova. Este conto é interessantíssimo, pois um rival do candidato a prefeito Byerley espalha o rumor de que ele seja um robô humanóide. Para provar, querem que ele passe por diversos testes. A Dra. Calvin também está presente neste e demonstra uma incrível habilidade para entender os robôs daquela época.

9. Conflito Evitável. No último conto há uma tensão mundial, onde pequenos detalhes que podem dar início a uma “Guerra Final” da humanidade. O mundo não está mais dividido por nações e, sim, 4 regiões, cada uma controlada pelas Máquinas. As Máquinas atuam sempre em prol dos humanos, principalmente na esfera econômica. Assim, não existe mais fome e miséria no mundo. Entretanto, isso pode não ser tão bom assim. 

Enfim, vale muito a pena! 

Avaliação:★★★

"Talvez você deva dizer: que coisa maravilhosa! Lembre-se de que, afinal, de agora até o final dos tempos, todos os conflitos são evitáveis. De agora em diante, apenas as Máquinas são inevitáveis!"




quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Eu Sou a Lenda - Richard Matheson

Título original: I Am Legend
Editora: Devir
Publicação da edição lida: 2010
Publicação original: 1954
Páginas: 182 (tempo de leitura estimado no e-book:1h49)
Adaptação: Filme de 2008 (veja o trailer), muito melhor que o livro, na minha opinião.

Sinopse

O Último Homem.

Robert Neville é o último da sua raça e, aparentemente, o único humano sobrevivente num mundo infestado por vampiros.

Neville reina durante o dia, quando ele pode caçar impunemente. Mas os vampiros dominam a noite, quando Neville precisa ficar entrincheirado na sua casa, protegido por alhos e espelhos.

No entanto, por quanto tempo um único homem conseguirá resistir, quando todos os seres sobre a Terra querem o seu sangue? E qual será o preço que ele deve pagar por sua sobrevivência?



Resenha

Sim, é um clássico, inclusive inovador para a época na qual foi escrito (1954), mas eu não gostei. A temática é muito interessante, pois trata de contar um pouco sobre o último homem na terra, vivendo em meio a vampiros.

Ocorre que ele é um livro bem parado, sem muita emoção. Esperei acontecer algo grandioso durante toda a narrativa, mas me decepcionei. Medo ele não dá. Nem aquele medo de vampiros, nem do desconhecido, nem mesmo medo da solidão.

Pode ser que, se lido com outro estado de espírito, mais contemplativo talvez, seja possível entender as ações e emoções do personagem principal, Robert Neville.

Além disso, acredito que poderia ter uma descrição mais detalhada do início da epidemia no mundo e a razão da imunidade de Robert à praga.

Um ponto positivo é que ele é bem escrito, linguagem clara e simples. Mas não é daqueles livros que me causaram "ressaca literária". Inclusive acredito que o filme, excepcionalmente nesse caso, é melhor que o livro, se for analisar pelo lado da emoção.


Avaliação:★★★


"O último homem no mundo estava condenado a viver com suas ilusões." 
(p. 77)



quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O Menino do Pijama Listrado - John Boyne

Título original: The Boy in the Striped Pyjamas
Tradução: Augusto Pacheco Calil
Editora: Cia. Das Letras
Publicação da edição lida: 2007
Publicação original: 2007
Páginas: 192 (tempo de leitura estimado no e-book:1h08)
Adaptação: Filme de 2008 (veja o trailer)


Sinopse



Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz idéia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga.

Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. O menino do pijama listrado é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.

"Um livro maravilhoso." - The Guardian

"Intenso e perturbador [...] pode-se tornar uma introdução tão memorável ao tema como O diário de Anne Frank foi em sua época." - USA Today


"Um livro tão simples e tão bem escrito que beira a perfeição." - The Irish Independent




Resenha



Apesar de tratar do holocausto, que é um tema muito triste, o livro é maravilhoso. Demonstra de uma forma sensível a inocência das crianças. Tanto que Bruno, um dos protagonistas, refere-se a Hitler durante todo o livro, como "Fúria", ao invés de Führer, bem como "Haja-Vista", ao invés de Auschwitz.

Bruno é filho de um comandante nazista, que se vê obrigado a mudar de cidade junto com a família, em decorrência das obrigações do "trabalho" de seu pai. Bruno estava acostumado com a vida fácil em Berlim, com amigos e uma casa de cinco andares, objeto constante de explorações, sua brincadeira preferida. Muda-se, então, para Auschwitz, em uma casa ao lado, porém um pouco distante, do famoso campo de concentração. Nesse lugar, no entanto, não há amigos para brincar e a casa possui "apenas" três andares, o que o decepciona.

Bruno tem 8 anos e vê a vida com muita alegria, nunca passou nenhum tipo de necessidade, material ou afetiva, e não se dá conta, até o final do livro, do lugar onde se encontra e das barbaridades que ocorriam ao seu redor.

Em uma de suas explorações Bruno encontra um menino judeu, Shmuel, que vive do outro lado da cerca. Todos os dias, então, passam a encontrar-se e conversam muito, constroem uma amizade linda e muito verdadeiro. Bruno, não tendo a mínima noção do que acontece no campo, questiona-se por que não podem brincar juntos ou visitar a casa um do outro. Shmuel parece ser um pouco mais consciente da sua situação, mas como um menino de 8 anos, não a entende perfeitamente.

Além disso, Bruno vê o seu pai como um bom soldado, incapaz de cometer as barbaridades as quais Shmuel se refere. Então, apesar de ser uma história triste, é ao mesmo tempo uma grande lição nós todos, que deveríamos ver o mundo com os olhos de uma criança, acreditando na parte boa de cada pessoa e na amizade incondicional e desinteressada.

Livro muito recomendado! 


Avaliação:★★★★★


"Situações como aquela sempre deixavam Bruno num grande desconforto, porque, em seu coração, ele sabia que não havia motivo para faltar com a educação a ninguém, mesmo que a pessoa trabalhasse para você. Afinal, era para isso que existiam as boas maneiras. (p. 43)


A Ilha do Dr. Moreau - H. G. Wells

Título original: The Island of Doctor Moreau
Tradução: Braulio Tavares
Editora: Objetiva
Publicação da edição lida: 2015
Publicação original: 1896
Páginas: 145 (tempo de leitura estimado no e-book: 2h15)
Adaptação: Filme de 1977 (veja um trecho aqui) e Filme de 1996 (trailer em inglês)


Sinopse


À deriva, sem esperanças de sobreviver em alto mar, Charles Prendick é resgatado por um navio em missão das mais incomuns: levar a uma pequena ilha no Pacífico algumas espécies de animais selvagens. Ainda debilitado, Prendick é obrigado a desembarcar na ilha junto com o carregamento. Lá, ele conhece a figura do dr. Moureau, um cientista que, exilado por suas pesquisas polêmicas na Inglaterra, realiza experimentos macabros com seus animais. Uma parábola sobre a teoria da evolução, também uma mordaz sátira social, "A ilha do dr. Moreau" é um romance que, mais de cem anos após sua publicação original, permanece com a mesma força da surpresa e do horror.



Resenha


Apesar de o livro possuir uma boa pontuação no skoob (4,0), ser um clássico e adorado por muitos leitores do gênero, eu não gostei muito. O livro abarca dois gêneros que eu gosto muito: terror e ficção científica. A linguagem não é difícil e a narrativa é bem interessante, clara e detalhista, como outros livros de H.G. Wells.

Porém, algo no livro não me agradou. Não sei se foi a crueldade gratuita do Dr. Moreau, realizando experiências macabras em animais ou a falta de horror propriamente dito, visto o viés absurdo daquelas tentativas de humanização animal.

Claro que quando lemos um livro que trata de vampiros ou zumbis sabemos que é uma alegoria, que não existem de fato. Mas dependendo do livro, passamos a "acreditar" e temer esses seres. A Ilha do Dr. Moreau, entretanto, não me trouxe medo ou mesmo uma ínfima possibilidade de temer aquelas criaturas. Ao contrário, senti certa compaixão pelos espécimes do Dr. Moreau, uma vez que eram vítimas inocentes de uma crueldade humana, sendo que esta, a meu ver, existe desde os primórdios da humanidade.

Hoje, ao que saibamos, não há experiências nem mesmo remotamente semelhantes às do Dr. Moreau. Contudo, há guerras, egoísmo, poder e tantas outras selvagerias que tornam o ser humano o pior dos predadores.

Sendo assim, acredito que o livro traz algumas reflexões, mas não foi algo que me agradou, por isso a nota 3/5.


Avaliação:★★★


"Mergulhei nesse estado mórbido, profundo, duradouro, que não era propriamente medo, que deixou marcas permanentes na minha memória. Devo confessar que perdi minha fé na sanidade do mundo, quando vi o sofrimento desordenado que reinava naquela ilha." (p. 107)




sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O Vilarejo - Raphael Montes

Editora: Suma de Letras/Objetiva
Ilustrações: Marcelo Damm
Publicação da edição lida: 2015
Publicação original: 2015
Páginas: 69 (tempo de leitura estimado no e-book: 40min)
Adaptação: Não há, mas deveria existir! ;)


Sinopse


Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome.

As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.



Resenha


Que livro ótimo! Além de muito bem escrito, possui ilustrações belíssimas e, sim, sinistras! Tanto as histórias quanto as ilustrações são capazes de levar a imaginação do leitor ao extremo. 


É uma coletânea de contos maravilhosos, que estão relacionados entre si. No prefácio o autor esclarece que encontrou alguns livros antigos, pertencentes a uma senhora que faleceu recentemente, aos 102 anos. Os textos são escritos em cimério e ele não encontra ninguém que o ajude a traduzir, o que faz, então, por conta própria. 

Nos cadernos ele encontra um nome, “Peter Binsfeld”, um demonologista famoso que acreditava que havia um demônio para cada um dos pecados capitais. Seriam eles: Asmodeus (luxúria), Belzebu (gula), Mammon (ganância), Belphegor (preguiça), Satan (ira), Leviathan (inveja) e Lúcifer (soberba). Esta é apenas a introdução. Depois começam os contos, cada um tratando de um desses pecados. 

As histórias são incríveis, apesar de macabras! É um estilo de terror diferente de qualquer outro que eu tenha lido, pois o livro apresenta práticas cometidas por seres humanos, cruéis, sim, mas puramente humanos. Por isso talvez ele seja assustador. Tem algo de sobrenatural, mas o crédito vai todo para as histórias “reais” das coisas que aconteceram no Vilarejo, sendo que o autor tem a capacidade de interligá-las em todos os pontos. Eu, ao menos, não vi brechas. 

Terminei a leitura com um sorriso, achando incrível! Sei que parece estranho acrescentar um livro assim tão macabro aos meus favoritos, mas ele é perfeito, a meu ver! 

Recomendadíssimo!


Avaliação:★★★★★


"Identifiquei em muitas pessoas deste vilarejo uma propensão ao pecado. Como um reflexo do mundo, este lugar reunia toda a sorte de pessoas mesquinhas e lamentáveis de que sempre me orgulhei." (p. 65)



quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A Cor que Caiu do Céu - H.P. Lovecraft

Título original: The Colour Out of Space
Tradução: Celso M. Paciornik
Editora: Iluminuras
Publicação da edição lida: 2003
Publicação original: 1982
Páginas: 35 (tempo de leitura estimado no e-book: 30min)
Adaptação: Filme "Morte para um Monstro", lançado em 1965. É um filme apenas baseado no conto, modifica um pouco a história. Veja o trailer.


Sinopse


Os elementos que constituem a rara arquitetura de H. P. Lovecraft estão presentes nos contos de ´A Cor que Caiu do Céu´. Acontecimentos aparentemente inverossímeis, mas sem dar lugar ao acaso, fazem o leitor transitar trilhas obscuras, onde o inominável faz sua aparição, pondo a perder toda e qualquer ilusão de segurança. Os contos encerram estranhas sensações, prendendo o leitor que, fascinado e devorado pelo pavor que se desprende destas páginas, luta com as personagens na corda bamba da sanidade. Seus mitos expressam a grandeza e o terror imemorial do universo, e ele conseguiu traduzir em linguagem e emoção as criações mais estranhas, mais aberrantes e simbólicas da imaginação ocidental.



Resenha


Os acontecimentos se passam numa pequena cidade, Arkham. Tudo começa quando um meteorito cai na fazenda de Nahum, trazendo consequências inimagináveis para aqueles moradores. Lovecraf disse certa vez que "a emoção mais antiga e mais forte do homem é o medo, e o medo mais antigo e mais forte é o do desconhecido". Sem dúvida essas palavras se tornam realidade nos seus contos. Esse em especial, é extraordinário! Nos deixa apreensivos do início ao fim e causa um certo desconforto, diante daquilo que nos é exposto, em suas palavras tão bem selecionadas e em suas descrições tão precisas.

Será possível alguém demonstrar com precisão através de um filme os acontecimentos descritos nos contos de Lovecraft? Não é a toa que ele tenha um gênero próprio e seja referência para muitos autores de terror.

Imagino que seja melhor deixar a imaginação do leitor criar o visual dessas histórias contadas por Lovecraft. Pois a realidade é que, sim, o medo do desconhecido é mais antigo e mais forte que quaisquer outros medos. Neste conto o autor não descreve uma criatura conhecida por nós, seres humanos, como um vampiro, lobisomem ou mesmo um serial killer. É algo praticamente inimaginável, fora do comum, sem precedentes. E por ser assim, desconhecido, desperta tanto medo! 

Por um lado talvez seja bom mesmo não existirem filmes sobre as criaturas de Lovecraft, especialmente as desse conto. Mas será que esse é um nome apropriado? Criatura? Não sei, pois é impossível descrever com palavras o causador de medo nas pessoas daquela localidade (e no leitor). Impossível tentar explicar a alguém o fenômeno da charneca crestada. Apenas Lovecraft tem essa capacidade que, por sinal, é incrível.

Leitura recomendada para os amantes do gênero!


Avaliação:★★★★★


"Não gostaria de pensar em Ammi como a monstruosidade cinzenta, deteriorada e deformada que cada vez mais perturba o meu sono." (p. 35)


Nota 1: Encontrei esse site, que descreve com clareza mais detalhes desse conto: 
http://mundotentacular.blogspot.com.br/2010/03/o-terror-vem-do-espaco-anatomia-da-cor.html

Nota 2: E este outro com alguns filmes baseados nas obras de Lovecraft: https://blogdoheu.wordpress.com/2010/09/14/top-10-melhores-filmes-baseados-em-h-p-lovecraft/ 

Ainda não vi nenhum. Será que vale a pena "modificar" o que criei na minha imaginação?


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O Silêncio dos Inocentes – Thomas Harris (Hannibal Lecter #2)

Título original: The Silence of The Lambs
Tradução: Antônio Gonçalves Pensa
Editora: Record
Publicação da edição lida: 2007
Publicação original: 1981
Páginas: 345 (tempo de leitura estimado no e-book: 7h10min)
Adaptação: Filme "O Silêncio dos Inocentes", lançado em 1991 (veja o trailer)

Sinopse


Cinco mulheres são brutalmente assassinadas em diferentes localidades dos Estados Unidos. Para chegar até o sanguinário assassino, uma jovem treinada pelo FBI entrevista o Dr. Hannibal Lecter, um brilhante psiquiatra, cuja mente está perigosamente voltada para o crime. Ao seguir as pistas apontadas por Lecter, a jovem se vê envolvida numa teia mortífera e surpreendente. Uma novela policial arrepiante, escrita pelo célebre autor de Domingo Negro. 



Resenha


O livro é o segundo volume da trilogia Hannibal Lecter, sendo que o primeiro volume é Dragão Vermelho e o terceiro Hannibal. É possível iniciar a leitura pelo segundo volume, sem estragar a história.

É uma ótima leitura, rápida, que desperta a curiosidade do leitor. É um misto de suspense e policial, não existindo um terror propriamente dito. Conta a história de Clarice Starling, estudante da academia do FBI, que é designada pelo seu superior para uma entrevista com o famoso psiquiatra Dr. Hannibal Lecter, mais conhecido como "Hannibal, o Canibal".

A entrevista tem como objetivo descobrir a identidade de Buffalo Bill, um serial killer que está assassinando mulheres em diversas cidades americanas. Como Dr. Lecter é um  psiquiatra renomado, sua ajuda é solicitada, mas óbvio que ele não o fará de bom grado.

Neste livro pouco descobrimos sobre Dr. Lecter, os outros dois contarão mais sua história e o motivo pelo qual hoje encontra-se preso e sob segurança máxima. Lecter é um criminoso cruel, conhecido por matar e comer suas vítimas. Ao mesmo tempo, é um homem extremamente inteligente, com enorme capacidade de observação e persuasão. Clarice, por outro lado, é uma moça insegura, preocupada com sua carreira no FBI, mas ao mesmo tempo muito determinada a encontrar Buffalo Bill.

Buffalo Bill também é um personagem muito interessante, que vai sendo criado aos poucos, podendo ser objeto de raiva por parte do leitor, mas também de uma certa compaixão, ou sentimento de pena. Enfim, não é um simples assassino, mas sim um personagem muito bem construído pelo autor, que dá sentido à narrativa.

Desta forma, é muito interessante o desenrolar da história e a maneira como o relacionamento de Lecter e Starling vai se moldando, principalmente por que, a cada resposta que Lecter fornece, deseja saber algo pessoal de Clarice. Aos poucos tudo vai tomando forma e sentido. Apenas no final do livro é que entendemos o significado do título original, pois "The Silence of the Lambs" traduzido literalmente para o português se torna "O Silêncio dos Cordeiros".

E Clarice Starling cresce muito no decorrer do livro, começando a entender as jogadas de Lecter e também adentrando mais em sua própria vida.

Assisti o filme antes, muitos anos atrás, mas isso de forma alguma atrapalhou na apreciação do livro. Ao contrário, tornou-o ainda mais interessante. Claro que vale frisar que o filme também é um clássico, com atuações extraordinárias de Anthony Hopkins e Jodie Foster.

Vale muito a pena a leitura!


Avaliação:★★★★★


"O que faz ele, Clarice? Qual é a primeira e a principal coisa que ele faz, a que necessidade ele atende matando? Ele ambiciona. Como a gente começa a ambicionar? Começamos ambicionando aquilo que vemos todos os dias." (p. 279)

sábado, 10 de outubro de 2015

O Sol É Para Todos - Harper Lee

Título original: To Kill a Mockingbird
Tradução: Beatriz Horta
Editora: José Olympio Editora
Publicação da edição lida: 2011
Publicação original: 1960
Páginas: 439 (tempo de leitura estimado no e-book: 4h50min)
Prêmios Recebidos: Pulitzer (1961)
Adaptação: Filme "O Sol é Para Todos", lançado em 1963 (veja o trailer)

Sinopse

Um dos romances mais adorados de todos os tempos, O sol é Para Todos conta a história de duas crianças no árido terreno sulista norte-americano da Grande Depressão no início dos anos 1930. Jem e Scout Fincher testemunham a ignorância e o preconceito em sua cidade, Maycomb – símbolo dos conservadores Estados do sul dos EUA, empobrecidos pela crise econômica, agravante do clima de tensão social.

A esperta e sensível Scout, narradora da trama, e Jem, seu irmão mais velho, são filhos do advogado Atticus Finch, encarregado de defender Tom Robinson, um homem negro acusado de estuprar uma jovem branca. Mas não é só nessa acusação e no julgamento de Robinson que os irmãos percebem o racismo do pequeno município do Alabama onde moram. Nos três anos em que se passa a narrativa, deparam-se com diversas situações em que negros e brancos se confrontam.

Ao longo do livro, os dois irmãos e seu pequeno amigo de férias, Dill, passam por tensas aventuras, grandes surpresas e importantes descobertas. Nos episódios vividos ao lado de personagens cativantes, como Calpúrnia, Boo Radley e Dolphus Raymond, aprendem e ensinam sobre a empatia, a tolerância, o respeito ao próximo e a necessidade de se estar sempre aberto a novas idéias e perspectivas.

O sol é Para Todos é o único livro de Harper Lee. Sucesso instantâneo de vendas nos EUA, que se tornou um grande best-seller mundial. Recebeu muitos prêmios desde sua publicação, em 1960, entre eles, o Pulitzer.

Traduzido em 40 idiomas, vendeu mais de 30 milhões de exemplares em todo o mundo e, em 1962, foi levado às telas com Gregory Peck - ganhador do Oscar por sua interpretação de Atticus Finch - Brock Peters, Robert Duvall e outros.

O Librarian Journal dos EUA deu sua maior honraria à história elegendo-a o melhor romance do século XX. Em 2006, uma pesquisa na Inglaterra colocou O sol é Para Todos no primeiro lugar da lista de livros mais importantes, seguido da Bíblia e de O senhor dos Anéis, de J. R. R. Tokien. Também entrou para a lista da Time Magazine dos Cem Melhores Romances de Todos os Tempos. 



Resenha

Um dos meus livros favoritos! Já faz um tempo que eu li, mas é um daqueles livros que marcam. Ele trata muito do preconceito racial nos Estados Unidos e, aliado a isso, da inocência das crianças no mundo adulto. Como seria bom se pudéssemos conservar essa visão pueril do mundo em nossas vidas adultas! Uma visão sem preconceito, inocente, sempre visando o bem para si e para o próximo.

Essa foi a marca que a leitura desse livro me deixou. A jovem Scout é uma criança encantadora e, em meio a suas brincadeiras com seu irmão, ela vai descobrindo como os adultos podem ser mentirosos, enganadores, cruéis. Mas isso não a torna igual a eles, ao contrário, tenta instigá-los sempre para o bom caminho.

O pai de Scout, Atticus, também é maravilhoso, um personagem marcante. Certamente Scout herdou a honra de seu pai, pois ele é um adulto com muita tolerância e despido de preconceitos. Ele encara a sociedade racista da época e defende um negro num julgamento por estupro. 

O desfecho do julgamento se dará apenas no final do livro, mas durante todo o livro histórias se cruzam e nos deixam pensativos a respeito do ser humano, do valor da vida humana, de como podemos ser melhores.

Leitura super recomendada!


Avaliação: ★★★★★



"- E daí eles perseguiram-no, só qu´nunca o apanhavam porque não sabiam como ele era, e depois Atticus, quando eles o encontraram, afinal 
não tinha sido ele qu´tinha feito aquelas coisas...

Atticus, ele era mesmo bom..

As suas mãos estavam por baixo do meu queixo, puxando 
as cobertas e aconchegando-as à minha volta.
- A maior parte das pessoas são assim, Scout, 
quando finalmente as conhecemos." (p. 434)

Zoo - James Patterson

Título original: Zoo
Tradução: Cláudio Carina
Editora: Arqueiro
Publicação da edição lida: 2015
Primeira publicação: 2012
Páginas: 273 (tempo de leitura estimado no e-book: 4h)
Adaptação: Série televisiva (trailer)


Sinopse


Algo está acontecendo na natureza. Uma misteriosa doença começa a se espalhar pelo mundo. Inexplicavelmente, animais passam a caçar humanos e a matá-los de forma brutal. A princípio, parece ser algo que se dissemina apenas entre as criaturas selvagens, mas logo os bichos de estimação também mostram suas garras e as vítimas se multiplicam.

A humanidade é presa fácil. Apavorado, o jovem biólogo Jackson Oz assiste a escalada dos acontecimentos. Ele já previu esse cenário alarmante há anos, mas sempre foi desacreditado por todos. Depois de quase morrer em uma implausível emboscada de leões em Botsuana, a gravidade da situação se mostra terrivelmente clara.

O fim da civilização está próximo. Com a ajuda da ecologista Chloe Tousignant, Oz inicia uma corrida contra o tempo para alertar os principais líderes mundiais, sem saber se as autoridades acreditarão em um fenômeno tão surreal. Mas, acima de tudo, é necessário descobrir o que está causando todos esses ataques, pois eles se tornam cada vez mais ferozes e orquestrados.

Em breve não restará nenhum esconderijo para os humanos...


Resenha


É um livro ótimo, já começa com uma história interessante, passando pelo suspense e pela ficção científica. Jackson Oz é um biólogo que acredita que o mundo está prestes a entrar em colapso, devido ao CAH, ou seja, Conflito entre Animais e Homens. 

Ele já vem pesquisando essa área e tomando dados há muitos anos, mas quase ninguém acredita nele, até começarem os ataques... Ele viaja até Botsuana, onde um grupo de leões têm se comportado de forma totalmente contrária aos seus instintos. Ou seja, as leoas sumiram dos bandos e muitos leões machos reunidos começam a atacar os turistas, pelo simples prazer de matar, não por fome ou por sentirem-se ameaçado. 

O mais intrigante é que leões machos não andam em grupos de mais de quatro e, nessa ocasião, estavam em maior número. Enfim, aos poucos mais ocorrências aparecem ao redor do mundo e a história vai se encaixando de maneira bem interessante. 

É um pouco perturbador por que a explicação que ele dá para o fenômeno pode encaixar-se perfeitamente nos dias de hoje... Leitura recomendada! Não dá muito “medo”, dá pra ler de luz apagada, mas é ótimo! ;)


Avaliação: ★★★★★


"O mundo estava se tornando um zoológico, mas sem jaulas." (p. 15)

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

Título original: Fahrenheit 451
Tradução: Cid Knipel
Editora: Globo
Publicação da edição lida: 2012
Primeira publicação: 1953
Páginas: 193 (tempo de leitura estimado no e-book: 2h30)
Adaptação: Filme de 1966 (trailer)


Sinopse

Imagine uma época em que os livros configurem uma ameaça ao sistema, uma sociedade onde eles são proibidos. Para exterminá-los, basta chamar os bombeiros - profissionais que outrora se dedicavam à extinção de incêndios, mas que agora são os responsáveis pela manutenção da ordem, queimando publicações e impedindo que o conhecimento se dissemine como praga. Para coroar a alienação em que vive essa nova sociedade, as casas são dotadas de televisores que ocupam paredes inteiras de cômodos, e exibem "famílias" com as quais se pode dialogar, como se estas fossem de fatos reais.

Este é o cenário em que vive Guy Montag, bombeiro que atravessa séria crise ideológica. Sua esposa passa o dia entretida com seus "parentes televisivos", enquanto ele trabalha arduamente. Sua vida vazia é transformada quando ele conhece a vizinha Clarisse, uma adolescente que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo. O sumiço misterioso de Clarisse leva Montag a se rebelar contra a política estabelecida, e ele passa a esconder livros em sua própria casa. Denunciado por sua ousadia, é obrigado a mudar de tática e a buscar aliados na luta pela preservação do pensamento e da memória.

Um clássico de Ray Bradbury, "Fahrenheit 451" é não só uma crítica à repressão política mas também à superficialidade da era da imagem, sintomática do século XX e que ainda parece não esmorecer.



Resenha


Como bem explicado na sinopse, o cenário do livro é uma sociedade futura onde o conhecimento é entendido como uma praga a ser combatida. As pessoas são proibidas de ter livros em casa e coisas simples como conversar com um amigo ou passear e apreciar a natureza são vistas como excentricidades.

É um livro muito interessante e um pouco aterrador, pois se pararmos para pensar, muitas coisas que ocorrem no livro já estão presentes no nosso tempo, ainda que de forma menos explícita. Todos os personagens têm uma vida superficial, estando sempre expostos a estímulos audiovisuais. Pode ser pelo uso de uma concha nos ouvidos, recebendo todos os tipos de informações - de músicas a comerciais, de forma ininterrupta. Ou através da "família" que está presente 24 horas por dia nos televisores instalados nas 4 paredes da sala.

Uma forma de diversão para os personagens do livro é correr altas velocidades de carro tarde da noite, sozinho ou com amigos, inclusive menores, pelo simples prazer do risco de morte. A vida não tem um valor significativo e pensar a respeito de si mesmo, ter senso crítico ou compartilhar e debater opiniões são atitudes fora do normal.

Guy Montag é o protagonista e começa a enfrentar uma crise existencial no momento em que conhece Clarisse, uma jovem apreciadora da natureza e de boas conversas com seu tio. Montag é um bombeiro. O detalhe é que nesse mundo os bombeiros não apagam incêndios e, sim, iniciam-os. Eles têm o dever de queimar a casa inteira na qual algum livro for encontrado, pois é crime ter e ler livros.

A leitura não é muito fluente e existem algumas partes bem abstratas, mas vale muito a pena. Principalmente se pararmos para analisar as semelhanças com o momento no qual vivemos. Pois hoje, na era digital, somos bombardeados de informações de todos os lados e, sinceramente, quanto tempo dedicamos para pensar sobre nossas vidas, sonhos, defeitos, enfim, para sermos críticos? Quanto tempo dedicamos às pessoas ao nosso redor, para conhecê-las, compartilhar momentos reais e não simples postagens de Facebook? 



Avaliação: ★★★★



"Cada homem é a imagem de seu semelhante e, com isso, todos ficam contentes, pois não há nenhuma montanha que os diminua, contra a qual se avaliar. Isso mesmo! Um livro é uma arma carregada na casa vizinha. Queime-o. Descarregue a arma. Façamos uma brecha no espírito do homem." (p. 75 )