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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Jantar Secreto - Raphael Montes

Editora: Companhia das Letras
Publicação: 2016
Páginas: 360
Site do autor: https://www.raphaelmontes.com.br

Mais um livro de Raphael Monte que me encanta! O autor, no meu ponto de vista, conseguiu fazer os leitores ao menos refletirem sobre o assunto do livro: antropofagia. E quando eu digo “refletirem” não quero dizer concordar, porém fica uma curiosidade no ar, dada a clareza de detalhes apresentados pelo autor.
Já no primeiro capítulo Dante, um dos personagens principais, nos apresenta o Enigma da Carne de Gaivota, que consiste no seguinte: um homem entra num restaurante, pede carne de gaivota, come, vai para casa e comete suicídio. Por que? Resumindo, ocorre que o homem sofreu um acidente de avião, caem numa ilha, no acidente sua esposa desapareceu, os outros sobreviventes ofereceram carne de gaivota ao homem todos os dias, ele comeu e gostou, foi resgatado e quando provou carne de gaivota no restaurante, ele se deu conta que era muito diferente daquela que comeu na ilha. Ou seja, ele comeu a carne da própria esposa!
Após o enigma, que aparece como referência no livro todo, é contada a história de quatro amigos que se veem devedores de uma grande quantia para a imobiliária. Assim, decidem promover uma janta, onde os convidados pagarão um valor para provar algo... diferente.
Porém, no anúncio do jantar na internet, ao invés de colocar um cardápio comum e socialmente aceito, eis que Leitão – um dos quatro amigos, altera a carne do jantar para “humana”. Sim, isso mesmo, carne humana! E agora eles terão de resolver esse pequeno detalhe, pois 10 pessoas já reservaram seu lugar à mesa!
Eu gostei muito de ler, é um livro com leitura bem fluida, deixando o leitor ansioso pelo próximo capítulo, como todos do Raphael Montes (sim, eu tenho grande afeição por esse autor).


Para quem gosta de suspense e não tem problema com cenas sangrentas e dilemas morais, recomento ler O Jantar Secreto!
Prato principal é carne humana.....



quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A Cor que Caiu do Céu - H.P. Lovecraft

Título original: The Colour Out of Space
Tradução: Celso M. Paciornik
Editora: Iluminuras
Publicação da edição lida: 2003
Publicação original: 1982
Páginas: 35 (tempo de leitura estimado no e-book: 30min)
Adaptação: Filme "Morte para um Monstro", lançado em 1965. É um filme apenas baseado no conto, modifica um pouco a história. Veja o trailer.


Sinopse


Os elementos que constituem a rara arquitetura de H. P. Lovecraft estão presentes nos contos de ´A Cor que Caiu do Céu´. Acontecimentos aparentemente inverossímeis, mas sem dar lugar ao acaso, fazem o leitor transitar trilhas obscuras, onde o inominável faz sua aparição, pondo a perder toda e qualquer ilusão de segurança. Os contos encerram estranhas sensações, prendendo o leitor que, fascinado e devorado pelo pavor que se desprende destas páginas, luta com as personagens na corda bamba da sanidade. Seus mitos expressam a grandeza e o terror imemorial do universo, e ele conseguiu traduzir em linguagem e emoção as criações mais estranhas, mais aberrantes e simbólicas da imaginação ocidental.



Resenha


Os acontecimentos se passam numa pequena cidade, Arkham. Tudo começa quando um meteorito cai na fazenda de Nahum, trazendo consequências inimagináveis para aqueles moradores. Lovecraf disse certa vez que "a emoção mais antiga e mais forte do homem é o medo, e o medo mais antigo e mais forte é o do desconhecido". Sem dúvida essas palavras se tornam realidade nos seus contos. Esse em especial, é extraordinário! Nos deixa apreensivos do início ao fim e causa um certo desconforto, diante daquilo que nos é exposto, em suas palavras tão bem selecionadas e em suas descrições tão precisas.

Será possível alguém demonstrar com precisão através de um filme os acontecimentos descritos nos contos de Lovecraft? Não é a toa que ele tenha um gênero próprio e seja referência para muitos autores de terror.

Imagino que seja melhor deixar a imaginação do leitor criar o visual dessas histórias contadas por Lovecraft. Pois a realidade é que, sim, o medo do desconhecido é mais antigo e mais forte que quaisquer outros medos. Neste conto o autor não descreve uma criatura conhecida por nós, seres humanos, como um vampiro, lobisomem ou mesmo um serial killer. É algo praticamente inimaginável, fora do comum, sem precedentes. E por ser assim, desconhecido, desperta tanto medo! 

Por um lado talvez seja bom mesmo não existirem filmes sobre as criaturas de Lovecraft, especialmente as desse conto. Mas será que esse é um nome apropriado? Criatura? Não sei, pois é impossível descrever com palavras o causador de medo nas pessoas daquela localidade (e no leitor). Impossível tentar explicar a alguém o fenômeno da charneca crestada. Apenas Lovecraft tem essa capacidade que, por sinal, é incrível.

Leitura recomendada para os amantes do gênero!


Avaliação:★★★★★


"Não gostaria de pensar em Ammi como a monstruosidade cinzenta, deteriorada e deformada que cada vez mais perturba o meu sono." (p. 35)


Nota 1: Encontrei esse site, que descreve com clareza mais detalhes desse conto: 
http://mundotentacular.blogspot.com.br/2010/03/o-terror-vem-do-espaco-anatomia-da-cor.html

Nota 2: E este outro com alguns filmes baseados nas obras de Lovecraft: https://blogdoheu.wordpress.com/2010/09/14/top-10-melhores-filmes-baseados-em-h-p-lovecraft/ 

Ainda não vi nenhum. Será que vale a pena "modificar" o que criei na minha imaginação?


terça-feira, 30 de junho de 2015

Misery (Louca Obsessão) - Stephen King

Título original: Misery
Tradução: Elton Mesquita
Editora: Suma de Letras
Publicação desta edição: 2014 
Primeira publicação: 1987
Páginas: 326
Prêmios Recebidos: Prêmio Bram Stoker para melhor romance (1987); Concorreu ao Prêmio World Fantasy para melhor romance (1988)
Adaptação: Filme "Louca Obsessão", lançado no Brasil em 1992 (veja o trailer)

Sinopse

Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho. 



A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegarão ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, em Misery – Louca obsessão, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo. 


Resenha

Como todos os livros de King, na minha opinião, este também é extraordinário. Angústia é o sentimento que melhor define a leitura do livro. Um livro com a linguagem simples, leitura rápida e viciante. Deixa o leitor, sem dúvida, esperando um final feliz para o pobre escritor Paul Sheldon.

Conforme a sinopse, Paul Sheldon sofre um acidente automobilistico e é resgatado pela enfermeira Annie Wilkes, que diz ser sua "fã número um". Até aí tudo bem, não fosse o fato de Annie ser uma psicopata cruel. No último livro da série "Misery", Paul Sheldon matou a personagem principal, que também se chama Misery, fato este que não foi aceito por Annie. Assim, após resgatar e estar cuidando de Paul, ela exige que ele escreva um novo livro, único e exclusivo a ela, onde Misery esteja viva.

Paul, então, agarra-se à sua única chance de sobrevivência: escrever um nove romance para a série que, com tanto alívio, havia finalizado. O que ocorre, porém, é que Paul está extremamente debilitado, incapaz de mover as duas pernas, ou seja, não pode sair do quarto onde Annie o mantém trancado e vigiado. Além disso, pelas dores insuportáveis, Paul necessita do remédio Novril, no qual acaba se viciando.

Novamente, "até aí tudo bem", afinal bastaria que Paul escrevesse um livro que agrade à Annie e poderia ir para casa, feliz. Mas não, essa não é a realidade! Annie é uma ex-enfermeira insensível e violenta, com um passado horripilante, como Paul descobrirá, e que começa a torturá-lo física e psicologicamente, deixando-o sem alternativa a não ser sobreviver dia após dia naquele martírio sem fim.

Outro aspecto interessante do livro é a forma como se dá a relação entre Paul e Annie, na qual ambos fazem parte de um jogo psicológico, no qual uma simples palavra, ou olhar, pode-se transformar em um arrependimento!

Vale a pena a leitura! Recomendo!





Avaliação: ★★★★★





"Os escritores lembram-se de tudo, Paul. Especialmente dos sofrimentos. Mande um escritor tirar a roupa e aponte para cada cicatriz e ele lhe contará a história de cada uma delas. As maiores acabam virando livros, não amnésia. Para ser um escritor é preciso ter um pouco de talento, mas o único pré-requisito de verdade é a capacidade de lembrar a história de cada cicatriz."


(Paul) - p.244

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Fantasmas - Dean Koontz


Título original: Phantoms
Tradutora: Maria Isabel de Araripe Macedo
Editora: Record
Publicação: 1983
Páginas: 461

Sinopse

Desde sua chegada a Snowfield, pequena e pacata estação de inverno, Jenny e sua jovem irmã Lisa sentiram uma impressão de calma estranha, sobrenatural. O primeiro cadáver que descobrem na casa é o de Hilda, a caseira. Os olhos arregalados de terror, a boca paralisada num grito, a carne negra e empolada. A casa vizinha está deserta, o jantar ainda quente na mesa, o estéreo toca uma sinfonia de Beethoven…

Aterrorizadas, as duas jovens correm à padaria em busca de auxílio: sobre o balcão, duas mãos seguram pelas pontas um rolo de pastel. Duas mãos humanas, decepadas. Um calafrio percorre a espinha de Jenny e de Lisa. Oculto pelas trevas, alguém ou alguma coisa as espia.


Resenha

Jenny é uma jovem mulher, médica, e que não mantinha relações próximas com sua mãe. Quando do falecimento desta, Jenny torna-se responsável por sua irmã mais nova, a adolescente Lisa. As duas nunca tiveram um relacionamento fraterno, uma vez que Jenny raramente as visitava. Porém, diante de tudo o que ambas passaram ao decorrer da estória, certamente seus laços afetivos tornaram-se firmes e insubstituíveis.

Tudo começa quando as duas retornam à cidade, ao fim da tarde, onde Jenny vive, Snowfield. Ao chegarem na cidade percebem que paira no ar um silêncio anormal, sepulcral. Não há pessoas nas ruas, nem animais, nem ruídos de quaisquer espécie.

Chegando em casa, as irmãs deparam-se com a governanta Hilda, morta ao lado da bancada onde havia iniciado os preparativos para o jantar. Jenny, ao examinar seu corpo, não localiza nenhum ferimento ou trauma que possa ter causado sua morte, tampouco evidências de que a mesma tenha ocorrido em virtude de alguma moléstia. O corpo está uniformemente pisado, algo que Jenny jamais viu em sua carreira ou sequer imaginou que pudesse ocorrer.

Intrigada, dirige-se à casa vizinha e lá encontra a mesa do jantar posta, os alimentos ainda quentes, porém nenhuma pessoa, viva ou morta. Parece que tudo foi abandonado às pressas. Intrigada, Jenny visita outras casas e estabelecimentos e se dá conta de que os habitantes que não foram mortos, desapareceram sem deixar pista alguma.

Porém, as irmãs sentem uma presença invisível, algo que parece estar observando-as das sombras nas ruas, nos becos, nas casas, à espreita. É uma presença maligna, sentem, mas sem ideia do que seja. Jenny decide ligar para a delegacia da cidade vizinha e, assim, outros policiais chegam para ajudá-las a descobrir o que aconteceu e está acontecendo em Snowfield.

Diversos acontecimentos no decorrer do livro deixam o leitor intrigado, tentando adivinhar que presença é essa que afeta os sobreviventes de Snowfield. É uma estória de suspense e terror muito bem escrita, onde o desconhecido se torna o medo maior do leitor. Lembra muito "O Chamado de Cthulhu" de H.P. Lovecraft, em relação aos sentimentos durante a leitura, ou seja, inquietude, curiosidade, ansiedade, medo. Os capítulos são curtos e a leitura não cansativa e bem fluente.

É uma ótima leitura! Recomendo a todos que gostam de terror, suspense e fatos sobrenaturais. Ou seriam naturais? ;)




Avaliação: ★★★★★


"O espírito humano civilizado... não consegue se livrar de uma sensação do fantástico."


(Dr. Fausto, Thomas Mann) - p.3