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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Dias Perfeitos - Raphael Montes



Publicação: 2014
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 280
Avaliação: 5 Estrelas 



Sabe aqueles livros que te prendem tanto na história que você quer fazer parte? Bom, Dias Perfeitos não é um destes! Quem iria querer fazer parte de uma história assim tão doentia? Mas isso não quer dizer que o livro não seja maravilhoso!

É um thriller policial/psicológico onde um estudante de medicina protagoniza barbáries para conquistar a mulher “amada”. Basta dizer inicialmente que a melhor amiga de Téo, o protagonista, é Gertrudes, uma idosa cadáver que doou seu corpo para pesquisa. Com essa simples informação já é possível descobrir que não vem coisa boa...

Téo parece um bom rapaz, filho de um desembargador influente, que faleceu num acidente de carro e deixou a esposa paraplégica. Téo cuida da mãe com todo cuidado que um bom filho deve ter. Estudante de medicina, inteligente, não muito bonito, mas bem cuidado.

Em um churrasco, convidado pela mãe, conhece Clarice, uma menina que vive a vida despreocupadamente, e se vê encantado por ela, disposto a conquista-la a qualquer custo.
Eu gosto muito de livros assim, com esse viés psicológico, quando o psicopata em questão te faz até criar uma certa empatia por ele. Digo isso por que alguns argumentos de Téo parecem tão concisos, quando vistos separadamente.

Claro que, juntando-se ao todo, compreende-se que ele não é uma pessoa normal! É isso que torna a história boa, pois ela vai te prendendo até o fim! É um livro que se lê rápido e nos deixa bem emotivos, despertando bons e maus sentimentos.

O final ficou bem explicado, mas para mim há um fio de continuidade. Não sei qual foi a intenção do autor com os últimos acontecimentos do livro, mas para mim sempre haverá algo escondido ali, que é dado ao leitor imaginar se é real ou não.

Gostei muito do livro, recomendo a todos!

terça-feira, 26 de julho de 2016

Garota Exemplar - Gillian Flynn

Título Original: Gone Girl

Edição: 2013
Editora: Intrínseca
Páginas: 448
Avaliação:
Adaptação: Filme de 2014 (veja o trailer aqui)


Resenha
 
Garota exemplar é um livro doentio. E isso não quer dizer que ele não seja maravilhoso, por que ele é! É um thriller de suspense/drama, daqueles que você não quer (e não consegue) parar de ler. Você quer saber o que aconteceu, em detalhes, o que vai acontecer, quem é culpado ou se realmente há algum culpado. E a autora, Gillian Flynn nos dá isso, detalhes, interesse, reviravoltas.

É um livro tão bem escrito e com uma história tão instigante que você se envolve com os personagens. Eles passam a fazer parte da tua vida e dos teus pensamentos. E o mais aterrador é se dar conta de que, em algum momento do livro, teus pensamentos entram em sintonia com os pensamentos deles e você pensa: serei eu uma pessoa perturbada mentalmente? Ok, provavelmente todos somos, em algum grau...

Enfim, a história (sem spoilers) é mais ou menos assim. Durante todo o livro, os capítulos são curtos e sempre alternados entre a visão de Nick Dunne, o marido, e a de Amy Elliot Dunne, a esposa. Os capítulos se passam tanto no momento atual quanto no passado, mas a linha temporal é bem compreensível.
Amy é filha de psicólogos, que conquistaram uma fortuna com a publicação de livros da série “Amy Exemplar” (Amazing Amy, em inglês), que se tornou leitura obrigatória em toda escola americana nos anos 90. Essa série de livros retrata Amy, a personagem fictícia, como uma menina modelo, que sempre faz as coisas certas, um padrão a ser seguido.

A verdadeira Amy não é nada exemplar, mas cresceu à sombra desse sucesso, tendo sido bajulada, adorada, desejada e querida durante toda a sua vida. Ela está acostumada que a amem, que a elogiem e acredita que nasceu para isso. Vale ressaltar que ela é uma garota nova iorquina, acostumada à vida agitada da cidade.

Nick, por outro lado, é um homem do interior de Missouri, jornalista, que possui uma irmã gêmea, Margo, com quem tem uma grande amizade e sintonia. Nick tem adoração por sua mãe, mas odeia seu pai, que odeia mulheres em geral.

A história do pai de Nick não é muito trabalhada, o que também não faz falta, mas dá a entender perfeitamente que ele é um machista misógino que passou esses valores ao filho, ainda que inconscientemente. Nick não quer seguir o exemplo de seu pai e, assim, torna-se um homem encantador, por quem Amy se apaixona e se casa.

Nick e Amy moraram em Nova Iorque durante os bons anos do casamento e se mudaram para Carthage, uma cidade pequena no Missouri, quando a mãe de Nick precisou de cuidados médicos. Porém, na data de comemoração dos 5 anos de casados, Amy desaparece misteriosamente, enquanto Nick estaria no trabalho.

Todos os anos, na comemoração do casamento, Amy realiza uma “caça ao tesouro”, deixando diversas pistas relacionadas à vida do casal para que Nick encontre seu presente no final. Dessa vez não foi diferente, Amy desapareceu, mas deixou pistas de sua caça ao tesouro, previamente organizada.

Logo no início do livro, Nick torna-se um suspeito, pois o marido é sempre culpado, não é? Então a polícia está envolvida, assim como os pais de Amy, desesperados para reencontrar a filha. A mídia exerce um papel essencial, seja para o lado bom ou para o lado ruim, uma vez que o caso torna-se de comoção nacional. Essa parte é muito interessante, pois vem de encontro ao que vivemos hoje, a força da mídia na manipulação da população.

Enfim, Garota Exemplar não é apenas um livro sobre um relacionamento abusivo. É muito mais que isso. Ele nos deixa conhecer os personagens intensamente, principalmente os dois protagonistas, e traz algumas reviravoltas ótimas. É um livro que vale muito a pena ler, principalmente se você gosta de um thriller psicológico ou, poderia dizer, psicótico?

Sei que há um filme, que ainda não vi. Alguém já viu o filme? Já leu o livro? 

Cena do filme, com o ator Ben Affleck, no papel de Nick Dunne


sábado, 20 de fevereiro de 2016

A Garota Sem Passado - Michael Kardos

Edição: 2016
Editora: Arqueiro

Sinopse

Num domingo de setembro de 1991, Ramsey Miller deu uma festa em casa para os vizinhos. Depois, assassinou a esposa e a filha de 3 anos. Todo mundo na pacata cidade de Silver Bay conhece a história.

Só que todos estão errados. A menina escapou. Sob o nome falso de Melanie Denison, ela passou os últimos quinze anos escondida com os tios numa cidadezinha remota. Nunca pôde viajar, ir a uma festa na escola ou ter internet em casa, porque Ramsey jamais foi encontrado e poderia ir atrás dela a qualquer momento.

Mas, apesar das rígidas regras de segurança impostas pelos tios, Melanie se envolve com um jovem professor da escola local e engravida. Ela decide que seu filho não terá a mesma vida clandestina que ela e, para isso, volta a Silver Bay para fazer o que nem os investigadores locais, nem a polícia federal, nem o FBI conseguiram: encontrar seu pai antes que ele a encontre.



Resenha

O livro é um thriller incrível, do começo ao fim. Digo isso no sentido de instigar o leitor a terminar o livro o quanto antes. A cada capítulo um novo enigma é criado e várias suposições podem resolvê-lo.

É muito interessante, pois Melanie (Meg Miller) vai de encontro a algo totalmente inesperado. Ela passou a vida inteira reclusa, sem desconfiar de nada que lhe diziam, sempre pensando em sua segurança. E, um dia, devido a um fato que está para ocorrer, ela decide ir atrás de seu pai, na pequena cidade de Silver Bay.

Ela está cansada dessa vida de fugitiva e decide ir até o fim, para descobrir toda a verdade. Ela descobre essa verdade. E é aí que está a falha do livro. Até o final ele é emocionante e desejamos saber o que vai acontecer, mas aí quando acaba, muitas pontas ficam soltas. Algumas atitudes que não fazem sentido, alguns personagens que demonstram uma atitude contrária ao seu caráter, enfim, muita coisa fica sem explicação.

É um livro bom, eu gostei, mas poderia ter sido muito melhor. Poderia ter sido mais bem trabalhado no final, com um encerramento adequado ou explicação melhor a alguns fatos. Mas, como a leitura é super rápida (questão de três dias no máximo), vale a pena dar uma conferida. 

★★★

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A Síndrome E - Franck Thilliez

Publicação: 2013
Editora: Intrínseca

Sinopse

Um estranho caso vem atrapalhar as férias de verão de Lucie Hennebelle, tenente de polícia em Lille. Seu ex-namorado ficou cego depois de assistir a um filme mudo, anônimo, com um roteiro enigmático, concebido por uma mente doentia.

Simultaneamente, o comissário Franck Sharko, veterano da Divisão de Homicídios e analista comportamental na Divisão de Repressão à Violência, passa por um tratamento na tentativa de curar a esquizofrenia.

No norte da França, cinco cadáveres não identificados foram encontrados sepultados a dois metros de profundidade mutilados de maneira atroz e em estado de decomposição avançada e Sharko cede ao chamado da aventura. Enquanto Lucie descobre os horrores escondidos no estranho filme, um misterioso informante do Canadá aponta-lhe o elo entre aquele rolo e os cinco cadáveres.

Um único e mesmo caso, graças ao qual Lucie e Sharko, tão diferentes e ao mesmo tempo tão próximos em sua concepção do ofício, irão se encontrar. Das favelas do Cairo aos orfanatos do Canadá nos anos 1950, os dois colegas irão se deparar com um mal desconhecido, batizado como “Síndrome E”. Uma realidade assustadora que revela como o ser humano pode ser capaz das maiores atrocidades.




Resenha

A sinopse acima já adianta bastante da história, mas é bom frisar alguns pontos. É um livro ótimo, um thriller incrível, pois sempre deixa o leitor ansioso por respostas.

No início achei que logo diriam o que era a Síndrome E, mas essa explicação chega quase ao final do livro. Entretanto, até chegar a esse final, muita coisa acontece e os fatos estão interligados. Não é um livro que deixa ponta soltas, ao contrário, ele é bem detalhista.

Achei muito interessante a criação dos personagens, principalmente do comissário Franck Sharko. Digo isso por que é aquele tipo de personagem que parece que faz parte da nossa vida, seus sentimentos são bem trabalhados e envolvem o leitor. Pelo fato de ele sofrer de esquizofrenia, isso auxilia muito na história, pois compreendemos a razão de algumas de suas atitudes.

A questão de Lucie, tendo que deixar a família de lado (uma filha está hospitalizada) para dar atenção ao trabalho, num caso extremamente tenebroso e complexo, também é muito interessante. Passa aquela lição: até que ponto o trabalho deve influenciar na nossa vida?

Mas a parte mais interessante é a própria Síndrome e suas consequências. No sentido de que pode ocorrer na vida real, é tudo muito plausível. O criador do filme doentio (que deixou um homem cego) e as pessoas envolvidas em sua produção têm uma obsessão pelo olho humano. Assim, tudo acaba girando em torno disso, de como as imagens e mensagens subliminares atingem e atuam no nosso cérebro.

Pode ser que a Síndrome não tenha espaço na nossa realidade, mas sem dúvida a visão é um sentido que pode ser bem utilizado por pessoas que não tenham boas intenções. Enfim, é preciso ler o livro para entender a complexidade dessa colocação.

O final não deixou pontas soltas na história, mas mesmo assim ocorre um fato que deixa uma brecha para uma continuação, da qual ainda não tive notícia.

Vale muito a pena! Não é um livro de dar medo, mas é um suspense que nos faz ficar um pouco paranoicos...

                                 ★★★★★

Ilustração do Livros Edição Espanhola

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O Silêncio dos Inocentes – Thomas Harris (Hannibal Lecter #2)

Título original: The Silence of The Lambs
Tradução: Antônio Gonçalves Pensa
Editora: Record
Publicação da edição lida: 2007
Publicação original: 1981
Páginas: 345 (tempo de leitura estimado no e-book: 7h10min)
Adaptação: Filme "O Silêncio dos Inocentes", lançado em 1991 (veja o trailer)

Sinopse


Cinco mulheres são brutalmente assassinadas em diferentes localidades dos Estados Unidos. Para chegar até o sanguinário assassino, uma jovem treinada pelo FBI entrevista o Dr. Hannibal Lecter, um brilhante psiquiatra, cuja mente está perigosamente voltada para o crime. Ao seguir as pistas apontadas por Lecter, a jovem se vê envolvida numa teia mortífera e surpreendente. Uma novela policial arrepiante, escrita pelo célebre autor de Domingo Negro. 



Resenha


O livro é o segundo volume da trilogia Hannibal Lecter, sendo que o primeiro volume é Dragão Vermelho e o terceiro Hannibal. É possível iniciar a leitura pelo segundo volume, sem estragar a história.

É uma ótima leitura, rápida, que desperta a curiosidade do leitor. É um misto de suspense e policial, não existindo um terror propriamente dito. Conta a história de Clarice Starling, estudante da academia do FBI, que é designada pelo seu superior para uma entrevista com o famoso psiquiatra Dr. Hannibal Lecter, mais conhecido como "Hannibal, o Canibal".

A entrevista tem como objetivo descobrir a identidade de Buffalo Bill, um serial killer que está assassinando mulheres em diversas cidades americanas. Como Dr. Lecter é um  psiquiatra renomado, sua ajuda é solicitada, mas óbvio que ele não o fará de bom grado.

Neste livro pouco descobrimos sobre Dr. Lecter, os outros dois contarão mais sua história e o motivo pelo qual hoje encontra-se preso e sob segurança máxima. Lecter é um criminoso cruel, conhecido por matar e comer suas vítimas. Ao mesmo tempo, é um homem extremamente inteligente, com enorme capacidade de observação e persuasão. Clarice, por outro lado, é uma moça insegura, preocupada com sua carreira no FBI, mas ao mesmo tempo muito determinada a encontrar Buffalo Bill.

Buffalo Bill também é um personagem muito interessante, que vai sendo criado aos poucos, podendo ser objeto de raiva por parte do leitor, mas também de uma certa compaixão, ou sentimento de pena. Enfim, não é um simples assassino, mas sim um personagem muito bem construído pelo autor, que dá sentido à narrativa.

Desta forma, é muito interessante o desenrolar da história e a maneira como o relacionamento de Lecter e Starling vai se moldando, principalmente por que, a cada resposta que Lecter fornece, deseja saber algo pessoal de Clarice. Aos poucos tudo vai tomando forma e sentido. Apenas no final do livro é que entendemos o significado do título original, pois "The Silence of the Lambs" traduzido literalmente para o português se torna "O Silêncio dos Cordeiros".

E Clarice Starling cresce muito no decorrer do livro, começando a entender as jogadas de Lecter e também adentrando mais em sua própria vida.

Assisti o filme antes, muitos anos atrás, mas isso de forma alguma atrapalhou na apreciação do livro. Ao contrário, tornou-o ainda mais interessante. Claro que vale frisar que o filme também é um clássico, com atuações extraordinárias de Anthony Hopkins e Jodie Foster.

Vale muito a pena a leitura!


Avaliação:★★★★★


"O que faz ele, Clarice? Qual é a primeira e a principal coisa que ele faz, a que necessidade ele atende matando? Ele ambiciona. Como a gente começa a ambicionar? Começamos ambicionando aquilo que vemos todos os dias." (p. 279)

sábado, 10 de outubro de 2015

Zoo - James Patterson

Título original: Zoo
Tradução: Cláudio Carina
Editora: Arqueiro
Publicação da edição lida: 2015
Primeira publicação: 2012
Páginas: 273 (tempo de leitura estimado no e-book: 4h)
Adaptação: Série televisiva (trailer)


Sinopse


Algo está acontecendo na natureza. Uma misteriosa doença começa a se espalhar pelo mundo. Inexplicavelmente, animais passam a caçar humanos e a matá-los de forma brutal. A princípio, parece ser algo que se dissemina apenas entre as criaturas selvagens, mas logo os bichos de estimação também mostram suas garras e as vítimas se multiplicam.

A humanidade é presa fácil. Apavorado, o jovem biólogo Jackson Oz assiste a escalada dos acontecimentos. Ele já previu esse cenário alarmante há anos, mas sempre foi desacreditado por todos. Depois de quase morrer em uma implausível emboscada de leões em Botsuana, a gravidade da situação se mostra terrivelmente clara.

O fim da civilização está próximo. Com a ajuda da ecologista Chloe Tousignant, Oz inicia uma corrida contra o tempo para alertar os principais líderes mundiais, sem saber se as autoridades acreditarão em um fenômeno tão surreal. Mas, acima de tudo, é necessário descobrir o que está causando todos esses ataques, pois eles se tornam cada vez mais ferozes e orquestrados.

Em breve não restará nenhum esconderijo para os humanos...


Resenha


É um livro ótimo, já começa com uma história interessante, passando pelo suspense e pela ficção científica. Jackson Oz é um biólogo que acredita que o mundo está prestes a entrar em colapso, devido ao CAH, ou seja, Conflito entre Animais e Homens. 

Ele já vem pesquisando essa área e tomando dados há muitos anos, mas quase ninguém acredita nele, até começarem os ataques... Ele viaja até Botsuana, onde um grupo de leões têm se comportado de forma totalmente contrária aos seus instintos. Ou seja, as leoas sumiram dos bandos e muitos leões machos reunidos começam a atacar os turistas, pelo simples prazer de matar, não por fome ou por sentirem-se ameaçado. 

O mais intrigante é que leões machos não andam em grupos de mais de quatro e, nessa ocasião, estavam em maior número. Enfim, aos poucos mais ocorrências aparecem ao redor do mundo e a história vai se encaixando de maneira bem interessante. 

É um pouco perturbador por que a explicação que ele dá para o fenômeno pode encaixar-se perfeitamente nos dias de hoje... Leitura recomendada! Não dá muito “medo”, dá pra ler de luz apagada, mas é ótimo! ;)


Avaliação: ★★★★★


"O mundo estava se tornando um zoológico, mas sem jaulas." (p. 15)

terça-feira, 30 de junho de 2015

Misery (Louca Obsessão) - Stephen King

Título original: Misery
Tradução: Elton Mesquita
Editora: Suma de Letras
Publicação desta edição: 2014 
Primeira publicação: 1987
Páginas: 326
Prêmios Recebidos: Prêmio Bram Stoker para melhor romance (1987); Concorreu ao Prêmio World Fantasy para melhor romance (1988)
Adaptação: Filme "Louca Obsessão", lançado no Brasil em 1992 (veja o trailer)

Sinopse

Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho. 



A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegarão ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, em Misery – Louca obsessão, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo. 


Resenha

Como todos os livros de King, na minha opinião, este também é extraordinário. Angústia é o sentimento que melhor define a leitura do livro. Um livro com a linguagem simples, leitura rápida e viciante. Deixa o leitor, sem dúvida, esperando um final feliz para o pobre escritor Paul Sheldon.

Conforme a sinopse, Paul Sheldon sofre um acidente automobilistico e é resgatado pela enfermeira Annie Wilkes, que diz ser sua "fã número um". Até aí tudo bem, não fosse o fato de Annie ser uma psicopata cruel. No último livro da série "Misery", Paul Sheldon matou a personagem principal, que também se chama Misery, fato este que não foi aceito por Annie. Assim, após resgatar e estar cuidando de Paul, ela exige que ele escreva um novo livro, único e exclusivo a ela, onde Misery esteja viva.

Paul, então, agarra-se à sua única chance de sobrevivência: escrever um nove romance para a série que, com tanto alívio, havia finalizado. O que ocorre, porém, é que Paul está extremamente debilitado, incapaz de mover as duas pernas, ou seja, não pode sair do quarto onde Annie o mantém trancado e vigiado. Além disso, pelas dores insuportáveis, Paul necessita do remédio Novril, no qual acaba se viciando.

Novamente, "até aí tudo bem", afinal bastaria que Paul escrevesse um livro que agrade à Annie e poderia ir para casa, feliz. Mas não, essa não é a realidade! Annie é uma ex-enfermeira insensível e violenta, com um passado horripilante, como Paul descobrirá, e que começa a torturá-lo física e psicologicamente, deixando-o sem alternativa a não ser sobreviver dia após dia naquele martírio sem fim.

Outro aspecto interessante do livro é a forma como se dá a relação entre Paul e Annie, na qual ambos fazem parte de um jogo psicológico, no qual uma simples palavra, ou olhar, pode-se transformar em um arrependimento!

Vale a pena a leitura! Recomendo!





Avaliação: ★★★★★





"Os escritores lembram-se de tudo, Paul. Especialmente dos sofrimentos. Mande um escritor tirar a roupa e aponte para cada cicatriz e ele lhe contará a história de cada uma delas. As maiores acabam virando livros, não amnésia. Para ser um escritor é preciso ter um pouco de talento, mas o único pré-requisito de verdade é a capacidade de lembrar a história de cada cicatriz."


(Paul) - p.244