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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

O Cortiço - Aluísio de Azevedo

Publicado em 2009 pela Ática. 37ª Edição. 252 páginas.
Adaptação: Filme de 1978 (veja aqui)

Sinopse: No Rio de Janeiro do final do Império, o cotidiano miserável de uma habitação coletiva. Em seus cubículos amontoam-se os desfavorecidos e marginalizados da sociedade, com suas agruras e percalços na luta pela sobrevivência.

Trabalhadores modestos, imigrantes, malandros, prostitutas... Em meio a tantos personagens marcantes, o protagonista deste livro é o próprio cortiço, que parece adquirir vida própria e arrasta tudo e todos com seu ímpeto de degradação.


Resenha: Um dos clássicos da literatura brasileira que não li no ensino médio e resolvi me aventurar agora, depois de deixá-lo tantos anos na lista de espera.

É um livro que inicialmente senti um pouco de dificuldade por desconhecer o significado de algumas palavras. Afinal, ele foi escrito em 1890!

Apesar disso, achei a história bem interessante, cheia de paixões irracionais e emoções à flor da pele, retratando bem a experiência humana, em seu sentido bem primitivo, instintivo.

Existe muito amor “proibido”, desafios de honra, muita festa e samba em meio à desgraça, comparativos claros entre os de ascendência portuguesa e os brasileiros “natos”, assassinato, drama, guerrilhas entre grupos rivais, mas também muito desejo insaciável, sonhos de amor, despertar de habilidades e trajetórias sempre desviadas do objetivo inicial.

Como são vários personagens, demorei para me ambientar na história, mas o principal deles, Romão, dono do Cortiço, é lido em praticamente todos os capítulos.

E a história versa principalmente sobre ele, sobre seus sonhos, ambições, sentimentos, conquistas e perdas.
 
Até chegar no fatal arrependimento ao fim do último capítulo, deixando em aberto a reflexão ao leitor sobre o que é de fato mais importante na vida.

Mas como a vida é uma constante evolução, todas as lições que aprendemos nos livros e demais artes não conseguimos apreender instantaneamente, mas vale a pena registrar na alma e tentar colocar-se no lugar de Romão, durante toda a sua trajetória.

Gostei, indico, acredito que se tivesse lido no ensino médio não teria gostado nem mesmo compreendido.





domingo, 15 de dezembro de 2019

Frankenstein - Mary Shelley

Editora: Principis
Publicação: 2019
Páginas: 240




Um livro muito triste que causa terror na alma de quem lê e provavelmente na de quem escreveu também. Confesso que comecei a ler acreditando sentir um pouco do terror mais explícito ao qual já estou bem acostumada. Sabe, aquele terror material que se nos apresenta através da visão, da audição ou até mesmo do tato? Quando ouvimos ruídos à noite e estamos sozinhos em casa ou vemos uma sombra suspeita na esquina justo no dia em que resolvemos ir a pé para casa? Pois bem, a verdade é que esse terror material não é nada perto do terror verdadeiro, que é aquele que atinge a alma do leitor atento e das pessoas minimamente sensíveis. E esse é o terror presente nesse livro, cuja leitura pode ser um pouco cansativa devido à organização da linha temporal e à grande quantidade de detalhes. Apesar disso o livro é sensacional e faz jus ao título de clássico do horror, tendo sido também a primeira obra de ficção científica da história (escrito entre 1816 e 1817). Em relação à história, temos de um lado o criador: ilustre estudioso e cientista, Dr. Victor Frankenstein. Arrogante, soberbo, covarde e egoísta. E de outro lado, a criatura: chamada apenas de "monstro" ao longo do livro. Sensível, pavoroso, impulsivo e desgraçado. O livro não trata apenas de um experimento do cientista em criar um ser humano grotesco e que causa medo aos que o vêem, apenas para dizer que é capaz disso. A história, a meu ver, é muito mais profunda, pois acredito que todos temos um pouco de criador e criatura dentro de nós, na mesma linha de trevas e luz, yin e yang. Impossível sermos apenas bons ou maus, somos uma mistura fluida de nossas vivências e escolhas e, para quem acredita, alguma coisa kármica. Mas o que me causou mais dor ao ler esse livro é ver que o "monstro", criado e friamente rejeitado por seu "pai", tornou-se tão violento não de forma inata, mas pelo ambiente ao que foi exposto, pela forma como as pessoas o trataram, como saíam correndo com medo de sua aparência, como o machucaram em virtude disso, como não queriam nunca ouvir o que dizia. E ao mesmo, seu próprio criador o rejeitou desde o seu primeiro instante de vida, não lhe dando oportunidade alguma de tornar-se bom ou ao menos neutro, não lhe dando amor ou qualquer palavra de carinho. Os livros sempre imitam a vida e vice-versa, pois também são arte. Ou seja, o mundo atual está repleto de "monstros", de criaturas de Frankenstein, pessoas e grupos rejeitados por sua aparência, modo de vida, expressão pessoal, escolha religiosa, poder aquisitivo e tantos outros fatores. E o pior de tudo é que minha dor ao ler o livro se replica dia a dia quando paro para refletir sobre as injustiças que existem e referente as quais eu posso, de certa forma, fazer alguma diferença. Mas eu quase nunca faço. Assim como sei que você que está lendo isso também não consegue fazer sempre. Llá no nosso íntimo sabemos o que deve ser feito mas não é conveniente ser bom o tempo todo. E assim é a vida, dor e sofrimento, luz e trevas, gratidão e empatia. Obviamente recomendo essa leitura, um dos melhores livros que já li.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Todo Dia - David Levithan

Editora: Galera Record
Publicação: 2013
Páginas: 280


O livro começou como quem não quer nada, apenas mais um romance YA para dar uma aliviada na mente. Porém, como a maioria desse tipo de literatura, ele tem uma mensagem a passar.

Ainda que a mensagem não seja algo que fique claro desde o início, ou mesmo que seja algo muito clichê, por que de fato é, bons conselhos nunca são demais ;)

Este livro conta a história de A, simplesmente uma pessoa, ou para melhor entender, algo que se parece com uma alma humana, que acorda todo dia num corpo diferente e, consequentemente, numa pessoa diferente.

Confesso que comecei a ler apenas por curiosidade e não imaginei que fosse continuar, mas o livro é bem atraente e terminei em 3 dias. Assim, A sempre acorda no corpo de alguém, pode ser menino ou menina, mas sempre da sua faixa etária (16 anos) e acaba por tomar esse dia emprestado da pessoa. No dia seguinte, ele segue o fluxo e vai para um novo corpo.

A não sabe como isso acontece, nem como controlar, e se acostumou ao longo de sua vida de que ela será sempre assim, sem vínculos, sem laços afetivos, sem passado, sem futuro, sem um lugar para chamar de casa, além de sua própria consciência.

Até que conhece Rihannon, a namorada de Justin, de quem A toma a vida emprestada por um dia. Decide tentar vê-la mais de uma vez, indo contra todas as regras as quais estava acostumado. Aqui vem a parte do romance adolescente que menos gosto, esse porém, acaba sendo mais real e não tão perfeito quanto outros.

O mais legal do livro é que A é uma pessoa totalmente livre de preconceitos, pois já habitou o corpo e a vida, ainda que apenas por um dia, do mais diverso tipo de pessoa, pobre, rico, com saúde, doente, das mais diversas personalidades, características e diferenciais.

Isso tudo é a mensagem principal do livro, o romance é só o caminho a ser percorrido para demonstrar a beleza e a tristeza de estar na pele de todos, de saber que cada pessoa é diferente, inclusive pessoas fisicamente idênticas, como no caso dos gêmeos que ele habitou por um dia.

Finalizando, o livro é rápido de ler e muito interessante. Espero que a mensagem que ele entrega ao leitor permaneça de fato em nosso cotidiano.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Para Sempre Alice - Lisa Genova

Publicação: 2015
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 288
Sinopse no Skoob: Alice (no filme, interpretada por Julianne Moore) sempre foi uma mulher de certezas. Professora e pesquisadora bem-sucedida, não havia referência bibliográfica que não guardasse de cor. Alice sempre acreditou que poderia estar no controle, mas nada é para sempre. Perto dos cinqüenta anos, Alice Howland começa a esquecer. No início, coisas sem importância, até que ela se perde na volta para casa. Estresse, provavelmente, talvez a menopausa; nada que um médico não dê jeito. Mas não é o que acontece. Ironicamente, a professora com a memória mais afiada de Harvard é diagnosticada com um caso precoce de mal de Alzheimer, uma doença degenerativa incurável. Poucas certezas aguardam Alice. Ela terá que se reinventar a cada dia, abrir mão do controle, aprender a se deixar cuidar e conviver com uma única certeza: a de que não será mais a mesma. Enquanto tenta aprender a lidar com as dificuldades, Alice começa a enxergar a si própria, o marido (Alec Baldwin), os filhos (Kate Botsworth, Hunter Parrish e a queridinha de Hollywood, Kirsten Stewart) e o mundo de forma diferente. Um sorriso, a voz, o toque, a calma que a presença de alguém transmite podem devolver uma lembrança – mesmo que por instantes, e ainda que não saiba quem é.
Minha Avaliação: 5



Amei e odiei ter lido esse livro, ao mesmo tempo. É um livro muito triste, a meu ver. A protagonista do livro, Alice Howland, é diagnosticada com Doença de Alzheimer de Instalação Precoce aos 42 anos.

Durante toda a narrativa do livro é possível sentir a angústia da personagem, cuja doença vai se agravando pouco a pouco. É uma doença horrível, pois afeta o cérebro, que é o órgão responsável por todas as outras funções do corpo.

Conseguimos sentir no livro também todo o drama e apreensão da família de Alice, que se vê inicialmente chocada com a notícia de que, tão nova, já possui essa doença.

Alice era professora e pesquisadora renomada da Universidade de Harvard. Escrevia artigos, livros, dava palestras, lecionava. Tudo isso com muita autoridade e excelência. Assim, descobrir-se com Alzheimer, sabendo que iria esquecer como foi sua vida, esquecer de todas essas experiências, sentimentos, formas de funcionamento dos objetos, entre outras coisas...
É um livro muito bom, gostei muito, mas dá um aperto no coração. 

Nos damos conta de que há coisas que não conseguimos controlar. Não há dinheiro no mundo que seja capaz de retardar o avanço dessa enfermidade. Sendo assim, é bom aproveitarmos a vida em cada momento, HOJE, a fim de que ela seja bem vivida e recordada.

Recomendo a todos!




terça-feira, 20 de dezembro de 2016

A Distância Entre Nós - Thrity Umrigar

Publicação: 2006
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 336
Sinopse no Skoob: https://www.skoob.com.br/a-distancia-entre-nos-130ed178.html
Minha Avaliação: 4



Eu gostei, é um livro muito interessante, diferente do que estou acostumada a ler. A escrita é boa, sem muitas enrolações, a leitura flui tranquilamente.
No livro somos apresentados à duas realidades diferentes que, ao mesmo tempo, são bem semelhantes. 

De um lado, uma família que pertence à uma casta da sociedade média-alta da Índia. Nessa família, a esposa/mãe Sera vive conflitos com seu marido e sua sogra. Mas não são simples conflitos de família e sim segredos que precisam ser guardados, emoções e palavras que precisam ser controladas e uma vida que, em suma, não pode ser vivida em seu extremo. A vida de Sera foi marcada por silêncios, pois apesar de ser uma pessoa estudada e bem educada, sua voz não tem vez dentro daquela família.

De outro lado, sua empregada Bhima, o oposto de Sera. Bhima vive na favela com sua neta Maya, numa situação de extrema pobreza. Sua vida foi marcada por decepções, abandonos e medos diversos. Bhima é uma pessoa simples e sem estudos, que dedicou quase toda sua vida para trabalhar na casa e para a família de Sera e seu marido Feroz.

E qual o destino de cada uma dessas mulheres? O livro conta a história das duas e não é possível dizer quem sofre mais. Pois os tipos de sofrimentos e alegrias são diferentes, impossível mensurar numa escala racional. 

É um livro que fale a pena ler.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O Advogado do Diabo - Morris West

Edição: 1982
Editora:
Círculo do Livro

Páginas: 290
Avaliação
: ♥♥♥♥



Este livro é sobre a política e o ser humano. Não é um livro de terror, ação, suspense ou romance. É um drama, no qual conseguimos adentrar aos sentimentos mais íntimos de alguns personagens. O autor consegue, durante toda a narrativa, descrever detalhadamente os personagens, tanto na sua forma física e trejeitos pessoais quanto o âmago de seu ser, seus desejos mais obscuros e medos mais enraizados.

É um livro um pouco cansativo de ler, a meu ver, mas que traz algumas indagações interessantes, que podemos levar para realidade, tal como: qual o sentido da vida? Existe realmente um sentido na vida?

O pano de fundo do livro é basicamente a investigação canônica de um candidato a santo, Giácomo Nerone. Giácomo apareceu, durante a guerra, numa pequena cidade da Itália, chamada Gemello Minore, na região da Calábria, e conquistou todo o povo daquela cidade, pela forma como ajudava as pessoas.

Para tal investigação, foi designado o sacerdote inglês Blaise Meredith. O sacerdote é idoso e acometido de uma grave doença, podendo ser este seu último trabalho. Sua função é ser o “Advogado do Diabo”, ou seja, colher o maior número de informações sobre o possível santo e tentar refutá-las, através da ciência ou de outras formas.

Além disso, há também o Dr. Meyer, um modesto médico da cidade, que vê frustradas todas suas tentativas de ajudar a população daquele local, mas que teve papel importante na vida de Giácomo Nerone.

O povo de Gemello Minore é muito pobre e necessitado, extremamente supersticioso e ignorante, o que torna difícil a investigação de Meredith. O sacerdote, porém, conseguirá descobrir sobre a vida de Giácomo através de depoimentos das pessoas que com ele conviveram, inclusive sua ex-esposa, Nina, com a qual gerou um filho, Paolo.

A cidade também conta com a presença da Condessa de Sanctis e do pintor Nicholas Black, importantes personagens no decorrer da história, que é cheia de intrigas políticas e pessoais, mostrando um lado obscuro da personalidade do ser humano.

É um bom livro, embora não seja cativante. Mas é interessante de ser lido, para refletir que toda história tem muitos lados, a verdade não é absoluta e tudo é relativo!

Há um filme com o mesmo nome, mas pelo trailer que vi, não tem relação nenhuma com o livro.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Garota Exemplar - Gillian Flynn

Título Original: Gone Girl

Edição: 2013
Editora: Intrínseca
Páginas: 448
Avaliação: ♥♥♥♥♥
Adaptação: Filme de 2014 (veja o trailer aqui)


Resenha
 
Garota exemplar é um livro doentio. E isso não quer dizer que ele não seja maravilhoso, por que ele é! É um thriller de suspense/drama, daqueles que você não quer (e não consegue) parar de ler. Você quer saber o que aconteceu, em detalhes, o que vai acontecer, quem é culpado ou se realmente há algum culpado. E a autora, Gillian Flynn nos dá isso, detalhes, interesse, reviravoltas.

É um livro tão bem escrito e com uma história tão instigante que você se envolve com os personagens. Eles passam a fazer parte da tua vida e dos teus pensamentos. E o mais aterrador é se dar conta de que, em algum momento do livro, teus pensamentos entram em sintonia com os pensamentos deles e você pensa: serei eu uma pessoa perturbada mentalmente? Ok, provavelmente todos somos, em algum grau...

Enfim, a história (sem spoilers) é mais ou menos assim. Durante todo o livro, os capítulos são curtos e sempre alternados entre a visão de Nick Dunne, o marido, e a de Amy Elliot Dunne, a esposa. Os capítulos se passam tanto no momento atual quanto no passado, mas a linha temporal é bem compreensível.
Amy é filha de psicólogos, que conquistaram uma fortuna com a publicação de livros da série “Amy Exemplar” (Amazing Amy, em inglês), que se tornou leitura obrigatória em toda escola americana nos anos 90. Essa série de livros retrata Amy, a personagem fictícia, como uma menina modelo, que sempre faz as coisas certas, um padrão a ser seguido.

A verdadeira Amy não é nada exemplar, mas cresceu à sombra desse sucesso, tendo sido bajulada, adorada, desejada e querida durante toda a sua vida. Ela está acostumada que a amem, que a elogiem e acredita que nasceu para isso. Vale ressaltar que ela é uma garota nova iorquina, acostumada à vida agitada da cidade.

Nick, por outro lado, é um homem do interior de Missouri, jornalista, que possui uma irmã gêmea, Margo, com quem tem uma grande amizade e sintonia. Nick tem adoração por sua mãe, mas odeia seu pai, que odeia mulheres em geral.

A história do pai de Nick não é muito trabalhada, o que também não faz falta, mas dá a entender perfeitamente que ele é um machista misógino que passou esses valores ao filho, ainda que inconscientemente. Nick não quer seguir o exemplo de seu pai e, assim, torna-se um homem encantador, por quem Amy se apaixona e se casa.

Nick e Amy moraram em Nova Iorque durante os bons anos do casamento e se mudaram para Carthage, uma cidade pequena no Missouri, quando a mãe de Nick precisou de cuidados médicos. Porém, na data de comemoração dos 5 anos de casados, Amy desaparece misteriosamente, enquanto Nick estaria no trabalho.

Todos os anos, na comemoração do casamento, Amy realiza uma “caça ao tesouro”, deixando diversas pistas relacionadas à vida do casal para que Nick encontre seu presente no final. Dessa vez não foi diferente, Amy desapareceu, mas deixou pistas de sua caça ao tesouro, previamente organizada.

Logo no início do livro, Nick torna-se um suspeito, pois o marido é sempre culpado, não é? Então a polícia está envolvida, assim como os pais de Amy, desesperados para reencontrar a filha. A mídia exerce um papel essencial, seja para o lado bom ou para o lado ruim, uma vez que o caso torna-se de comoção nacional. Essa parte é muito interessante, pois vem de encontro ao que vivemos hoje, a força da mídia na manipulação da população.

Enfim, Garota Exemplar não é apenas um livro sobre um relacionamento abusivo. É muito mais que isso. Ele nos deixa conhecer os personagens intensamente, principalmente os dois protagonistas, e traz algumas reviravoltas ótimas. É um livro que vale muito a pena ler, principalmente se você gosta de um thriller psicológico ou, poderia dizer, psicótico?

Sei que há um filme, que ainda não vi. Alguém já viu o filme? Já leu o livro? 

Cena do filme, com o ator Ben Affleck, no papel de Nick Dunne


sexta-feira, 22 de julho de 2016

O Jogo do Anjo - Carlos Ruiz Zafón

Edição: 2008
Editora: Suma de Letras
Páginas: 410


O Jogo do Anjo é um livro bom. Não maravilhoso, na minha opinião, claro. Ele é um drama, com algo de suspense e sobrenatural. Achei ele um pouco parado, tanto que demorei a terminar. Ele começou a ficar um pouco mais interessante da metade em diante, mas ao mesmo tempo ocorreram muitas reviravoltas que acabaram um pouco confusas para mim. Acredito que eu queria terminar logo e não dei atenção à mensagem do livro.

O livro começa contando um pouco da história de David Martin, o protagonista. Martin vive em Barcelona desde sempre e teve uma infância sofrida. Ainda adolescente, começou a trabalhar em um jornal, com o intuito de virar escritor.

Quando um de seus colegas falta, ele é convidado a fazer uma coluna com alguns contos de terror e suspense ambientados na cidade de Barcelona, onde também se passa essa história. Ele se torna relativamente conhecido por esses folhetins. É muito interessante a forma como o autor descreve a cidade de Barcelona, é como se estivéssemos presentes nas cenas, tamanha quantidade e qualidade dos detalhes. 

Uma parte muito interessante do livro é quando um amigo de Martin, o livreiro Sempere, o leva a conhecer o Cemitério dos Livros Esquecidos, local já conhecido pelos leitores do famoso romance de Zafon, A Sombra do Vento.Resumindo, é uma biblioteca enorme, onde você "enterra" um livro e salva outro, tendo o dever de cuidá-lo para sempre. O livro que Martin salva será muito importante para a trama da história.

Aliás, a amizade que se desenvolve entre eles, desde que Martín era criança, é muito bonita e reflexiva durante todo o livro.Traz bons diálogos entre esses dois personagens e acredito que Sempere age como uma balança na vida de Martin, trazendo-lhe equilíbrio em alguns momentos.

Martin é protegido de Vidal, um rico aspirante a escritor da alta sociedade de Barcelona. Todos que convivem com ele pensam que lhes devem tudo, devido a seus inúmeros favores. Haverá muitos altos e baixos na amizade entre Martin e Vidal, mas que não chegam a ser muito impactantes para a história.

Logo no início do livro ocorre um fato na vida de Martin que o faz encontrar um admirador misterioso de seu trabalho, Andreas Corelli. Esse personagem diz ser um editor francês muito interessado no trabalho de Martin, agora não mais um adolescente, e lhe oferece uma maravilhosa proposta de trabalho.

A partir daqui, qualquer menção à história será spoiler, mas gostaria de frisar que uma personagem feminina que aparece na vida de Martin me agradou muito e acredito que, não fosse por ela, Martin seria sempre um escritor fracassado e arrogante. Ainda, vale citar que há um pouco de romance no livro, ainda que não muito explícito.

O final do livro me pareceu bem confuso, mas pode ser que é por que eu já estava querendo terminar logo, então não li com tanta atenção. Mesmo assim, acredito que foi um final triste. É um livro bom, acredito que muitas pessoas gostaram, pois possui uma pontuação boa no skoob. Mas, para mim, mereceria um 3, 5. Como não há meia pontuação, dei 4, pois já gostei de outros livros do autor.

Cemitério dos Livros Esquecidos

segunda-feira, 13 de junho de 2016

O Hipnotista - Lars Kepler

Edição: 2011
Editora: 
Intrínseca
Páginas:
480
Adaptação: Filme "O Hipnotista" de 2012 (assista o trailer aqui) - Disponível na Netflix

Resenha

O Hipnotista é um livro muito envolvente e cheio de detalhes! Tudo começa quando o detetive Joona Linna é chamado para desvendar um mistério: um assassinato brutal que causou a morte de quase uma família inteira: pai, mãe e irmã pequena, deixando o irmão quase a beira da morte. Esse rapaz, de uns 15 anos mais ou menos, chamava-se Josef e pode ser a única testemunha ocular do assassino de sua família.

O detetive Joona é conhecido como um profissional teimoso, que chamais se deixa contrariar e vai até o fim em suas investigações. Ao descobrir que Josef possui uma irmã mais velha, acredita que o assassino está a procura dela, para "finalizar o serviço". Mas como Josef está muito ferido, não é possível realizar um interrogatório policial.

Assim, Joona apela para Erik Bark, famoso hipnotista sueco que no momento, está proibido de atuar na área da hipnose. O passado de Erik será desenvolvido durante a história e vai contar o motivo de sua suspensão para hipnotizar. Porém, ele é a única saída para descobrir o assassino da família de Josef. Será que ele irá descumprir uma promessa para ajudar a salvar vidas? E qual será o resultado dessa possível intervenção hipnótica? Afinal, a hipnose é algo sério e não pode ser usada com leviandade...

Em paralelo a isso, Erik está com o casamento abalado, não possui a confiança de sua esposa, Simone, e seu filho Benjamin possui uma doença que pode matá-lo caso não tome sua injeção uma vez por semana.

As histórias do passado de Erik e também da família de Josef vão se desenvolvendo e encontrando pontos em comum, inclusive um outro ponto alto do livro é o sequestro de um personagem secundário, mas que vai abalar a estrutura geral e revelar muitos segredos!

É um livro muito bom e eu gostei bastante da escrita de Lars Kepler que, ao final do livro, descobri ser um pseudônimo de um casal sueco, Alexander Ahndoril e Alexandra Coelho Ahndoril. O livro prende a atenção do leitor e a história é muito bem desenvolvida. Acredito que faltou falar um pouco do passado de Joona Linna, o detetive, mas como ele protagoniza outros livros, os autores irão desenvolver melhor esse aspecto em outros volumes.

No filme, que eu tive a oportunidade de ver após ler o livro, muitos detalhes e personagens são cortados. Do contrário, ficaria longo e confuso demais. Acredito que uma série de televisão conseguiria captar muito bem a história do livro. 

Enfim, vale muito a pena ler!

Cartaz do Fillme
 AVALIAÇÃO: ♥♥♥♥♥

domingo, 29 de maio de 2016

Perfume - Patrick Süskind

Edição: 2008
Editora: 
Record
Páginas:
218
Adaptação: Filme "Perfume - A História de Um Assassino" de 2006 (assista o trailer aqui)

Resenha

Perfume é um livro muito envolvente! Trata da história de Jean-Baptiste Grenouille, um garoto francês, que cresceu sem os pais, num orfanato, com regras muito rígidas. Até aqui, a história não difere de outras, muito comuns à época (Paris, século XVIII). 

Todas as pessoas possuem um cheiro próprio que os nossos pets, por exemplo, reconhecem. Porém, Jean-Baptiste nasceu sem cheiro corporal. Isso mesmo, ele não possui cheiro algum, seu corpo é, desde o nascimento, completamente inodoro.

Além disso, ele possui o sentido do olfato extremamente aguçado, algo que ninguém tem. Por isso, ele é capaz de sentir cheiros à distância, memorizá-los e revivê-los, sempre que se lembra deles. 

Essas características (e outras, de ordem psicológica, talvez) transformam Jean-Baptiste num garoto e, posteriormente, num homem, muito tímido e distante das pessoas, não possuindo nenhum relacionamento afetivo significante.

Jean-Baptiste é também incapaz de possuir sentimentos. Amor, ódio, paixão, tristeza, alegria, e muitos mais que estamos acostumados a sentir são apenas perda de tempo para nosso protagonista. Dessa forma, sua vida vai se desenvolvendo aos poucos. Ele trabalha com couros, depois começa a trabalhar com um famoso perfumista de Paris, onde aprende diversas técnicas de perfumaria. Aí, se dá conta de que encontrou o seu objetivo de vida.

O que ele mais almeja na vida, e talvez ambição seja o seu sentimento único, é produzir uma fragrância perfeita e jamais desenvolvida por ninguém. Só que os ingredientes comumente usados pelos perfumistas são muito simples para Jean-Baptiste. Ele busca algo diferente, algo mais verdadeiro, mais humano.

Eu pensei que o livro seria de mais suspense e talvez um pouco de terror, mas na verdade ele é um drama muito bem escrito. Podemos entrar na cabeça do personagem e nos admirar da maneira como ele conduz sua vida e suas experiências. 

O final do livro é incrível e surpreendente, pois conseguimos compreender qual foi o verdadeiro desejo de Jean-Baptiste durante sua inacreditável jornada. Vale muito a pena ler, recomendo a todos!

Avaliação: ♥♥♥♥♥
Ben Whishaw, interpretando Jean-Baptiste Grenouille

quarta-feira, 16 de março de 2016

O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares - Ransom Riggs

Edição: 2012
Editora: Leya
Páginas: 336
Adaptação: Filme previsto para estrear no Brasil em Janeiro de 2017. Veja o trailer aqui
Série Srta. Peregrine #1

Sinopse

Tudo está à espera para ser descoberto em O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, um romance inesquecível que mistura ficção e fotografia em uma experiência de leitura emocionante. Nossa história começa com uma horrível tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo. E, de algum modo, por mais impossível que pareça, ainda podem estar vivas. Uma fantasia arrepiante, ilustrada com assombrosas fotografias de época, O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares vai deliciar adultos, adolescentes e qualquer um que goste de aventuras sombrias.


Resenha

Eu comecei o livro acreditando que seria terror ou suspense, mas não é. Apesar disso, é um livro maravilhoso. A leitura é super rápida e a experiência com as fotografias é incrível. A descrição que o autor faz de determinado personagem ou situação é bem detalhada, mas ao vermos a foto, parece que entramos dentro da história. É o tipo de livro que nos faz conhecer os personagens e nos apaixonar por eles. Gostei especialmente de Jacob, o protagonista, que está em busca de algo que faça sua vida valer a pena. Sem dúvida ele encontrou! A Srta. Peregrine também me agradou muito, principalmente por seu cuidado com as crianças, que era ao mesmo tempo rígido e amoroso.

Jacob sempre pensou que sua vida era monótona e sem graça. Sua alegria era ouvir histórias de seu avô Abe, sobre o orfanato em que ele viveu quando era criança. Seu avô sempre lhe mostrou muitas fotografias recheadas de histórias incríveis. Quando criança Jacob acreditava que seu avô vivera uma aventura durante toda sua vida. Com o passar dos anos, começa a pensar que tudo não passou de histórias para impressioná-lo.
 
Assim, após uma tragédia familiar, Jacob vai em busca desse local perdido e encontra aí muito mais do que poderia imaginar. Sua vida dará uma reviravolta e ele se sentirá mais vivo que nunca. Não é um livro de terror, mas é um drama que nos deixa ansiosos para descobrir o que virá a seguir. As crianças peculiares são amáveis e queridas, cada uma com sua característica única, irá encantar os leitores!

Recomendo, para todas as idades! Já foi lançado o segundo volume, Cidade dos Etéreos, que quero ler em breve!
★★★★
Imagem do filme: Srta. Peregrine (centro), tendo Jacob à sua direita.

quinta-feira, 10 de março de 2016

O Pântano das Borboletas - Federico Axat

Edição: 2014
Editora: Tordesilhas

Sinopse

Sam e Billy têm 12 anos e moram na pequena Carnival Falls. Amigos inseparáveis, eles percorrem o bosque de bicicleta e preparam-se para terminar a construção da sonhada casa na árvore.

Compartilham tudo, inclusive a paixão por Miranda, a menina rica que acaba de se mudar para a cidade. Juntos, os três vivem as descobertas e as transformações típicas da idade e desvendam o mistério que assombra a vida de Sam: o paradeiro de sua mãe.

Com esses ingredientes e doses generosas de lirismo, Federico Axat escreveu uma história admirável sobre a delicada passagem da infância para a adolescência e desta para a vida adulta.Mas não só. Romance de crescimento e suspense com incursões pelo fantástico,

O pântano das borboletas reserva uma desconcertante reviravolta final: um segredo que, revelado, arremessa o leitor em um torvelinho de emoções e confere à trama um sentido totalmente novo.



Resenha

Que livro maravilhoso e incrível! O Pântano das Borboletas é um livro lindo, gostoso de ler e com uma história muito bem elaborada.

Sam e Billy são grandes amigos, desde a infância. O livro aborda muito esse fase da vida, como no companheirismo deles, na paixão pela menina rica (Miranda) que chega na cidade, no bullying sofrido por meninos mais velhos. Mas o livro também possui algumas partes onde é contada a vida adulta dos personagens.

Sam perdeu a mãe com um ano de idade, num misterioso acidente de carro e, a partir daí, foi morar numa granja, com várias outras crianças adotadas. A educação na granja sempre foi rígida e um dos "irmãos" de Sam, chamado Orson, mostra-se uma criança muito cruel ao longo do livro.

As alegrias de Sam são os passeios no bosque com Billy, seu melhor amigo, que tem um jeito de detetive e explorador, sempre resolvendo mistérios e elaborando mapas de suas aventuras. Além disso, Sam é a companhia do Sr. Meyer em algumas tardes, fazendo-lhe leituras e ouvindo suas histórias do passado.

A história é muito bem elaborada e a vontade é de ficar o tempo todo lendo esse livro incrível! Ele tem um toque sobrenatural, penso que seja pela imaginação das crianças, envolvendo o acidente que vitimou a mãe de Sam.

São muitos mistérios que vão sendo revelados, mas melhor parte é o final! Após a metade do livro eu já estava decidida a avaliar com 5 estrelas, mas ao final resolvi favoritar! A reviravolta é incrível. Eu li e voltei e li de novo para garantir que era isso mesmo! É aquele tipo de livro que você quer ler de novo sob outra ótica, para poder desfrutar novamente dessa história maravilhosa.

Sem dúvida vou ler de novo esse livro, provavelmente daqui um tempo, pois ele vale muito a pena e tem uma mensagem encantadora! Recomendo a todos!


★★★★★

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Uma Questão Pessoal - Kenzaburo Oe

Edição: 2003
Editora: Cia das Letras
O escritor japonês ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, em 1994.

Sinopse

Em 1964, o romancista japonês Kenzaburo Oe recebia a notícia de que seu primeiro filho nascera com uma anomalia cerebral. É a mesma situação enfrentada pelo protagonista de Uma questão pessoal, o professor Bird. Aos 27 anos, ele leva uma vida medíocre, bebendo pelos bares de Tóquio e sonhando com aventuras no continente africano. 

A gravidez da mulher acrescenta angústia ao cotidiano de Bird. A idéia de que será pai e chefe de família faz com que se sinta condenado à vida cotidiana. Para piorar, depois do parto, os pais descobrem que a anomalia cerebral fará o menino ter uma vida vegetativa. Bird não suporta a possibilidade de se ver atrelado para sempre a um filho anormal. Passa, então, a desejar a morte da criança. 

Aos poucos, porém, ele se dá conta de que a crise era uma oportunidade. Bird deve percorrer um longo caminho de conquista da realidade, enfrentando os desafios de amadurecimento da vida adulta.


Resenha

Ao começar a leitura, pensei que seria um caso de superação das dificuldades relacionadas à paternidade. Imaginei que o protagonista seria um exemplo a ser seguido, que uma força surgiria nele para suportar e avançar diante de todas as adversidades.

Porém, conheci um personagem marcante, e não no bom sentido. Bird nos desperta inúmeros sentimentos, principalmente raiva. Seu casamento já aparece no início como um pouco problemático. Ele não é nem de longe o que se espera de um marido ideal às portas do nascimento do primeiro filho.

Ao ficar sabendo que seu filho nasceu com hérnia cerebral, Bird não consegue mais raciocinar direito. Ou, se consegue, torna-se um crápula! Passa a beber demais, afastar-se das responsabilidades, não permanece ao lado da esposa e refere-se ao filho como um monstro. Além disso, esse "monstro" irá lhe tirar todas as economias reservadas para uma viagem que sempre pretendeu fazer à África. Aliás, ele é fissurado pela África, tendo lido diversos livros e colecionado mapas de lá.

Assim, ao decorrer dos livros, o autor vai mostrando um personagem em todas as suas facetas: traumas pessoais, passado, fraquezas, medos e a forma como encara tudo isso. É um personagem muito bem trabalhado, podemos conhecê-lo profundamente.

Lendo sobre a vida do autor, Kenzaburo Oe, vejo que ele passou por uma situação parecida e, na vida real, os médicos sugeriram que ele deixasse o filho para morrer, ainda bebê. Ele e sua esposa não aceitaram e hoje seu filho é músico, apesar de autista. Seu nome é Hikari Oe.

Enfim, é um livro forte, que dá uma sacudida no leitor. Vale muito a pena a leitura!

★★★★★

Depois, acrescentou, meio ressentido: - No final das contas, a vida exige de nós uma atitude ortodoxa. Mesmo que se queira ceder à tentação da falsidade, com o tempo a vida nos obriga a rejeitá-la. Não é mesmo?
- Nem sempre, Bird. Algumas pessoas vivem saltando como rãs de uma falsidade para outra a vida inteira. 
Kenzaburo e seu filho, Hiraki.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O Grande Mentecapto - Fernando Sabino

Primeira publicação: 1979
Editora: Record
Adaptação: Filme de 1989 (veja o trailer)
Ganhador do Prêmio Jabuti (1980)

Sinopse

O Grande Mentecapto segue a linha da novela picaresca, como o “Dom Quixote de La Mancha”, de Cervantes, em que a personagem vai em busca de conflitos, com o objetivo de resolvê-los heroicamente.

Assim, Viramundo percorre o estado de Minas Gerais, encontrando-se com diversos personagens excêntricos. 

É um marginal em uma sociedade que não compreende e na qual não se enquadra, o Viramundo inspira um sentimento de ternura e de pena por todos aqueles que, em sua simplicidade, sofrem o descaso, a ironia e a opressão.

Esta obra, que rendeu o Prêmio Jabuti, foi adaptada para o cinema, com direção de Oswaldo Caldeira, em 1989, e também para o teatro. 




Resenha


O Grande Mentecapto é um livro muito interessante e cativante! Conta a história de Geraldo Viramundo, desde sua infância. O livro começa contando como era sua convivência com a família e amigos. Após um incidente ocorrido em sua cidade natal (Rio Acima) ele decide ir ao seminário. Após sua saída do seminário, em uma situação um pouco estranha, é que começam realmente suas aventuras e desventuras.

Viramundo é apenas um de seus apelidos e é tratado assim ao longo de quase todo o livro. Ele é um personagem com o coração puro, que acaba se metendo em apuros, sempre na tentativa de fazer o bem e dar o seu melhor pelos outros.

Por causa disso, se torna um mendigo, caminhando de cidade em cidade, por quase todo o Estado de Minas Gerais. Vai conquistando muitos amigos e também alguns desafetos, mas sempre com uma mensagem para passar ao leitor.

Apesar de viver com muito pouco, no sentido material, ele não almeja tornar-se uma pessoa rica ou mesmo com melhores condições de vida. Ao contrário, contenta-se com o que tem e leva uma vida sem rumo, mas ao mesmo tempo sempre acreditando que sua hora está chegando.

O final é um pouco triste e irônico, mas vale muito a pena, pois encerra a história fazendo inclusive uma analogia religiosa, a meu ver.


É um livro que indico a todos. Rende algumas risadas, além de compaixão, empatia e uma boa mensagem ao coração.


★★★★

Capa do Filme de 1989

quinta-feira, 23 de julho de 2015

No Coração da Floresta - Emily Murdoch

Título original: If You Find Me
Tradução: Maryanne Linz
Editora: Agir Now
Publicação da edição lida: 2015
Páginas: 272 (tempo de leitura estimado no e-book: 2h40min)

Sinopse

E se tudo o que você soubesse fosse uma mentira? E se a pessoa que deveria te proteger não tivesse condições nem mesmo de cuidar de si mesma? Carey é uma jovem de 15 anos com uma história de vida difícil. Levada às escondidas pela mãe para um parque nacional quando ainda era uma criança, tudo o que ela e a irmã menor conhecem é a floresta. Elas só têm uma a outra, considerando que a mãe, viciada em drogas e mentalmente instável, muitas vezes desaparece por dias sem fim. É durante um desses sumiços que repentinamente as meninas se vêem diante de dois estranhos, que as tiram da floresta e as levam para um mundo novo e surpreendente de roupas, meninos e aulas. Agora Carey precisa enfrentar a verdade por trás do seu passado e decidir se vale a pena revelar um terrível segredo, que, caso descoberto, pode colocar em risco a segurança e a nova vida das duas irmãs. No coração da floresta foi indicado a inúmeros prêmios, como a Carnegie Medal em literatura, e seus direitos foram vendidos para 8 países. Primeiro livro de Emily Murdoch, recebeu a seguinte crítica estrelada do Booklist: “Um livro cheio de dor e esperança. Uma estreia surpreendente.”



Resenha (com pequenos spoilers)

Sobre a narrativa em si, me pareceu bem fluente, cheia de detalhes, o que facilita muito a imaginação! É um livro um tanto quanto poético, com ensinamentos que a protagonista Carey nos transmite ao longo da estória. 

Conta a vida de duas irmãs, negligenciadas pela mãe que é viciada em anfetaminas, que vivem em um velho trailer numa floresta. A mãe as afastou de todos, culpando o pai de Carey por esta separação. É um livro cheio de mistérios que são resolvidos quase no final, mas o desenrolar da estória é muito interessante.

Carey, com 15 anos, tomou para si a responsabilidade de cuidar da pequena Jenessa, sua irmã de 7 anos. Elas são inseparáveis e o amor que nutrem uma pela outra é inspirador. Numa manhã, as meninas deparam-se com a presença de uma assistente social e de um homem que foram a sua procura para levá-las à cidade. Explicam que receberam uma carta da mãe das meninas, na qual alega não possuir mais condições de cuidá-las.

Assim, as meninas partem para uma nova vida, onde admiram-se ao conhecer coisas tão cotidianas para nós, como água encanada, uma boa cama e um espelho. A estória se desenrola conforme o passado vai sendo revelado.

A meu ver é uma linda estória, com passagens muito delicadas e sensíveis. O final, para alguns, pareceu em aberto, mas eu acredito que o desfecho ficou subentendido. Um livro que nos faz refletir sobre as oportunidades que temos e, muitas vezes, não valorizamos o suficiente.

Recomendo a leitura!


Avaliação: ★★★★★


"A gente recebe o que merece, Carey. Algumas vezes somos os que recebem, outras vezes, os que dão."
(Joelle) - p.244