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sexta-feira, 6 de outubro de 2023

O Rei de Amarelo - Robert W. Chambers

Apesar do que alguns comentários que li sobre o livro, de que os contos finais não seriam tão bons eu particularmente gostei muito desse livro! Comecei a ler acreditando que seria um pouco mais de terror, mas para o meu gosto não foi tanto.

Gostei dos contos que tratam do mistério do Rei de Amarelo, apesar de não ter superado as minhas expectativas, que estavam altas.

Mas valeu muito a pena. Os contos finais são bonitos, histórias de amor e queda, a meu ver, que estão sempre relacionados.

Gostei muito de A Demoiselle d'Ys, por ter algo de ficcção científica e viagem no tempo, que eu adoro.

Além disso, o ambiente acadêmico, sempre envolvendo artistas, o Quartier Latin, gostei bastante dessa interação e, inclusive, das referências entre um conto e outro, ainda que não tão direta.

Dos contos de Amarelo, gostei muito da Máscara, achei maaaaaaravilhoso, principalmente o final, à la Romeu e Julieta, que triste, mas lindo ao mesmo tempo!

Dos contos finais o que mais gostei foi o da Rua de Nossa Senhora dos Campos, com Hastings e seu jeito puro, contrastando com a vida de Clifford, noturna e boêmia. E, ainda Valentine, que não se considerava digna do amor de Hastings (ou de qualquer outro). Traz muitas reflexões.


Acredito que o mundo da arte ainda pode trabalhar muito esse livro, com a criação de mundos relacionados a ele. Já sei que existem algumas referências mas nenhuma no mainstream (que eu lembre). Inclusive vi que há uma edição linda da Darkside em HQ, que deve ser linda! No futuro certamente irão retomar esse clássico de 1895 e levar para o mundo pop!

É um livro para ser lido aos poucos, apreciado, mas vale muito a pena!


Minha nota: 4 Estrelas ⭐⭐⭐⭐

Edição lida: Intrínseca, 2014.

Sobre o autor:

Robert William Chambers foi um ilustrador e escritor de ficção estadunidense, mais conhecido por seu livro O Rei de Amarelo, publicado em 1895. Chambers estudou na École des Beaux-Arts e na Académie Julian, em Paris.

Sinopse do Skoob:

'O Rei de Amarelo' é uma coletânea de contos de terror fantástico publicada originalmente em 1895 e considerada um marco do gênero. Influenciou diversas gerações de escritores, de H. P. Lovecraft a Neil Gaiman, Stephen King e, mais recentemente, o escritor, produtor e roteirista Nic Pizzolatto, criador da série investigativa True Detective cujo mistério central faz referência ao obscuro Rei de Amarelo. O título da coletânea faz alusão a um livro dentro do livro - mais precisamente, a uma peça teatral fictícia - e a seu personagem central, uma figura sobrenatural cuja existência extrapola as páginas. A peça 'O Rei de Amarelo' é mencionada em quatro dos contos, mas pouco se conhece de seu conteúdo. É certo apenas que o texto, em dois atos, leva o leitor à loucura, condenando sua alma à perdição. Um risco a que alguns aceitam se submeter, dado o caráter único da obra, um misto irresistível de beleza e decadência. Esta edição reúne, além dos contos do Rei, seis outros que alternam entre o sobrenatural e a realidade, em épocas e geografias diferentes. A introdução e as notas do jornalista e escritor Carlos Orsi, ajudarão novos leitores a mergulhar na bem construída mitologia do autor.






quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

O Cortiço - Aluísio de Azevedo

Publicado em 2009 pela Ática. 37ª Edição. 252 páginas.
Adaptação: Filme de 1978 (veja aqui)

Sinopse: No Rio de Janeiro do final do Império, o cotidiano miserável de uma habitação coletiva. Em seus cubículos amontoam-se os desfavorecidos e marginalizados da sociedade, com suas agruras e percalços na luta pela sobrevivência.

Trabalhadores modestos, imigrantes, malandros, prostitutas... Em meio a tantos personagens marcantes, o protagonista deste livro é o próprio cortiço, que parece adquirir vida própria e arrasta tudo e todos com seu ímpeto de degradação.


Resenha: Um dos clássicos da literatura brasileira que não li no ensino médio e resolvi me aventurar agora, depois de deixá-lo tantos anos na lista de espera.

É um livro que inicialmente senti um pouco de dificuldade por desconhecer o significado de algumas palavras. Afinal, ele foi escrito em 1890!

Apesar disso, achei a história bem interessante, cheia de paixões irracionais e emoções à flor da pele, retratando bem a experiência humana, em seu sentido bem primitivo, instintivo.

Existe muito amor “proibido”, desafios de honra, muita festa e samba em meio à desgraça, comparativos claros entre os de ascendência portuguesa e os brasileiros “natos”, assassinato, drama, guerrilhas entre grupos rivais, mas também muito desejo insaciável, sonhos de amor, despertar de habilidades e trajetórias sempre desviadas do objetivo inicial.

Como são vários personagens, demorei para me ambientar na história, mas o principal deles, Romão, dono do Cortiço, é lido em praticamente todos os capítulos.

E a história versa principalmente sobre ele, sobre seus sonhos, ambições, sentimentos, conquistas e perdas.
 
Até chegar no fatal arrependimento ao fim do último capítulo, deixando em aberto a reflexão ao leitor sobre o que é de fato mais importante na vida.

Mas como a vida é uma constante evolução, todas as lições que aprendemos nos livros e demais artes não conseguimos apreender instantaneamente, mas vale a pena registrar na alma e tentar colocar-se no lugar de Romão, durante toda a sua trajetória.

Gostei, indico, acredito que se tivesse lido no ensino médio não teria gostado nem mesmo compreendido.





domingo, 15 de dezembro de 2019

Frankenstein - Mary Shelley

Editora: Principis
Publicação: 2019
Páginas: 240




Um livro muito triste que causa terror na alma de quem lê e provavelmente na de quem escreveu também. Confesso que comecei a ler acreditando sentir um pouco do terror mais explícito ao qual já estou bem acostumada. Sabe, aquele terror material que se nos apresenta através da visão, da audição ou até mesmo do tato? Quando ouvimos ruídos à noite e estamos sozinhos em casa ou vemos uma sombra suspeita na esquina justo no dia em que resolvemos ir a pé para casa? Pois bem, a verdade é que esse terror material não é nada perto do terror verdadeiro, que é aquele que atinge a alma do leitor atento e das pessoas minimamente sensíveis. E esse é o terror presente nesse livro, cuja leitura pode ser um pouco cansativa devido à organização da linha temporal e à grande quantidade de detalhes. Apesar disso o livro é sensacional e faz jus ao título de clássico do horror, tendo sido também a primeira obra de ficção científica da história (escrito entre 1816 e 1817). Em relação à história, temos de um lado o criador: ilustre estudioso e cientista, Dr. Victor Frankenstein. Arrogante, soberbo, covarde e egoísta. E de outro lado, a criatura: chamada apenas de "monstro" ao longo do livro. Sensível, pavoroso, impulsivo e desgraçado. O livro não trata apenas de um experimento do cientista em criar um ser humano grotesco e que causa medo aos que o vêem, apenas para dizer que é capaz disso. A história, a meu ver, é muito mais profunda, pois acredito que todos temos um pouco de criador e criatura dentro de nós, na mesma linha de trevas e luz, yin e yang. Impossível sermos apenas bons ou maus, somos uma mistura fluida de nossas vivências e escolhas e, para quem acredita, alguma coisa kármica. Mas o que me causou mais dor ao ler esse livro é ver que o "monstro", criado e friamente rejeitado por seu "pai", tornou-se tão violento não de forma inata, mas pelo ambiente ao que foi exposto, pela forma como as pessoas o trataram, como saíam correndo com medo de sua aparência, como o machucaram em virtude disso, como não queriam nunca ouvir o que dizia. E ao mesmo, seu próprio criador o rejeitou desde o seu primeiro instante de vida, não lhe dando oportunidade alguma de tornar-se bom ou ao menos neutro, não lhe dando amor ou qualquer palavra de carinho. Os livros sempre imitam a vida e vice-versa, pois também são arte. Ou seja, o mundo atual está repleto de "monstros", de criaturas de Frankenstein, pessoas e grupos rejeitados por sua aparência, modo de vida, expressão pessoal, escolha religiosa, poder aquisitivo e tantos outros fatores. E o pior de tudo é que minha dor ao ler o livro se replica dia a dia quando paro para refletir sobre as injustiças que existem e referente as quais eu posso, de certa forma, fazer alguma diferença. Mas eu quase nunca faço. Assim como sei que você que está lendo isso também não consegue fazer sempre. Llá no nosso íntimo sabemos o que deve ser feito mas não é conveniente ser bom o tempo todo. E assim é a vida, dor e sofrimento, luz e trevas, gratidão e empatia. Obviamente recomendo essa leitura, um dos melhores livros que já li.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A Ilha do Dr. Moreau - H. G. Wells

Título original: The Island of Doctor Moreau
Tradução: Braulio Tavares
Editora: Objetiva
Publicação da edição lida: 2015
Publicação original: 1896
Páginas: 145 (tempo de leitura estimado no e-book: 2h15)
Adaptação: Filme de 1977 (veja um trecho aqui) e Filme de 1996 (trailer em inglês)


Sinopse


À deriva, sem esperanças de sobreviver em alto mar, Charles Prendick é resgatado por um navio em missão das mais incomuns: levar a uma pequena ilha no Pacífico algumas espécies de animais selvagens. Ainda debilitado, Prendick é obrigado a desembarcar na ilha junto com o carregamento. Lá, ele conhece a figura do dr. Moureau, um cientista que, exilado por suas pesquisas polêmicas na Inglaterra, realiza experimentos macabros com seus animais. Uma parábola sobre a teoria da evolução, também uma mordaz sátira social, "A ilha do dr. Moreau" é um romance que, mais de cem anos após sua publicação original, permanece com a mesma força da surpresa e do horror.



Resenha


Apesar de o livro possuir uma boa pontuação no skoob (4,0), ser um clássico e adorado por muitos leitores do gênero, eu não gostei muito. O livro abarca dois gêneros que eu gosto muito: terror e ficção científica. A linguagem não é difícil e a narrativa é bem interessante, clara e detalhista, como outros livros de H.G. Wells.

Porém, algo no livro não me agradou. Não sei se foi a crueldade gratuita do Dr. Moreau, realizando experiências macabras em animais ou a falta de horror propriamente dito, visto o viés absurdo daquelas tentativas de humanização animal.

Claro que quando lemos um livro que trata de vampiros ou zumbis sabemos que é uma alegoria, que não existem de fato. Mas dependendo do livro, passamos a "acreditar" e temer esses seres. A Ilha do Dr. Moreau, entretanto, não me trouxe medo ou mesmo uma ínfima possibilidade de temer aquelas criaturas. Ao contrário, senti certa compaixão pelos espécimes do Dr. Moreau, uma vez que eram vítimas inocentes de uma crueldade humana, sendo que esta, a meu ver, existe desde os primórdios da humanidade.

Hoje, ao que saibamos, não há experiências nem mesmo remotamente semelhantes às do Dr. Moreau. Contudo, há guerras, egoísmo, poder e tantas outras selvagerias que tornam o ser humano o pior dos predadores.

Sendo assim, acredito que o livro traz algumas reflexões, mas não foi algo que me agradou, por isso a nota 3/5.


Avaliação:★★★


"Mergulhei nesse estado mórbido, profundo, duradouro, que não era propriamente medo, que deixou marcas permanentes na minha memória. Devo confessar que perdi minha fé na sanidade do mundo, quando vi o sofrimento desordenado que reinava naquela ilha." (p. 107)




quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O Silêncio dos Inocentes – Thomas Harris (Hannibal Lecter #2)

Título original: The Silence of The Lambs
Tradução: Antônio Gonçalves Pensa
Editora: Record
Publicação da edição lida: 2007
Publicação original: 1981
Páginas: 345 (tempo de leitura estimado no e-book: 7h10min)
Adaptação: Filme "O Silêncio dos Inocentes", lançado em 1991 (veja o trailer)

Sinopse


Cinco mulheres são brutalmente assassinadas em diferentes localidades dos Estados Unidos. Para chegar até o sanguinário assassino, uma jovem treinada pelo FBI entrevista o Dr. Hannibal Lecter, um brilhante psiquiatra, cuja mente está perigosamente voltada para o crime. Ao seguir as pistas apontadas por Lecter, a jovem se vê envolvida numa teia mortífera e surpreendente. Uma novela policial arrepiante, escrita pelo célebre autor de Domingo Negro. 



Resenha


O livro é o segundo volume da trilogia Hannibal Lecter, sendo que o primeiro volume é Dragão Vermelho e o terceiro Hannibal. É possível iniciar a leitura pelo segundo volume, sem estragar a história.

É uma ótima leitura, rápida, que desperta a curiosidade do leitor. É um misto de suspense e policial, não existindo um terror propriamente dito. Conta a história de Clarice Starling, estudante da academia do FBI, que é designada pelo seu superior para uma entrevista com o famoso psiquiatra Dr. Hannibal Lecter, mais conhecido como "Hannibal, o Canibal".

A entrevista tem como objetivo descobrir a identidade de Buffalo Bill, um serial killer que está assassinando mulheres em diversas cidades americanas. Como Dr. Lecter é um  psiquiatra renomado, sua ajuda é solicitada, mas óbvio que ele não o fará de bom grado.

Neste livro pouco descobrimos sobre Dr. Lecter, os outros dois contarão mais sua história e o motivo pelo qual hoje encontra-se preso e sob segurança máxima. Lecter é um criminoso cruel, conhecido por matar e comer suas vítimas. Ao mesmo tempo, é um homem extremamente inteligente, com enorme capacidade de observação e persuasão. Clarice, por outro lado, é uma moça insegura, preocupada com sua carreira no FBI, mas ao mesmo tempo muito determinada a encontrar Buffalo Bill.

Buffalo Bill também é um personagem muito interessante, que vai sendo criado aos poucos, podendo ser objeto de raiva por parte do leitor, mas também de uma certa compaixão, ou sentimento de pena. Enfim, não é um simples assassino, mas sim um personagem muito bem construído pelo autor, que dá sentido à narrativa.

Desta forma, é muito interessante o desenrolar da história e a maneira como o relacionamento de Lecter e Starling vai se moldando, principalmente por que, a cada resposta que Lecter fornece, deseja saber algo pessoal de Clarice. Aos poucos tudo vai tomando forma e sentido. Apenas no final do livro é que entendemos o significado do título original, pois "The Silence of the Lambs" traduzido literalmente para o português se torna "O Silêncio dos Cordeiros".

E Clarice Starling cresce muito no decorrer do livro, começando a entender as jogadas de Lecter e também adentrando mais em sua própria vida.

Assisti o filme antes, muitos anos atrás, mas isso de forma alguma atrapalhou na apreciação do livro. Ao contrário, tornou-o ainda mais interessante. Claro que vale frisar que o filme também é um clássico, com atuações extraordinárias de Anthony Hopkins e Jodie Foster.

Vale muito a pena a leitura!


Avaliação:★★★★★


"O que faz ele, Clarice? Qual é a primeira e a principal coisa que ele faz, a que necessidade ele atende matando? Ele ambiciona. Como a gente começa a ambicionar? Começamos ambicionando aquilo que vemos todos os dias." (p. 279)

sábado, 10 de outubro de 2015

O Sol É Para Todos - Harper Lee

Título original: To Kill a Mockingbird
Tradução: Beatriz Horta
Editora: José Olympio Editora
Publicação da edição lida: 2011
Publicação original: 1960
Páginas: 439 (tempo de leitura estimado no e-book: 4h50min)
Prêmios Recebidos: Pulitzer (1961)
Adaptação: Filme "O Sol é Para Todos", lançado em 1963 (veja o trailer)

Sinopse

Um dos romances mais adorados de todos os tempos, O sol é Para Todos conta a história de duas crianças no árido terreno sulista norte-americano da Grande Depressão no início dos anos 1930. Jem e Scout Fincher testemunham a ignorância e o preconceito em sua cidade, Maycomb – símbolo dos conservadores Estados do sul dos EUA, empobrecidos pela crise econômica, agravante do clima de tensão social.

A esperta e sensível Scout, narradora da trama, e Jem, seu irmão mais velho, são filhos do advogado Atticus Finch, encarregado de defender Tom Robinson, um homem negro acusado de estuprar uma jovem branca. Mas não é só nessa acusação e no julgamento de Robinson que os irmãos percebem o racismo do pequeno município do Alabama onde moram. Nos três anos em que se passa a narrativa, deparam-se com diversas situações em que negros e brancos se confrontam.

Ao longo do livro, os dois irmãos e seu pequeno amigo de férias, Dill, passam por tensas aventuras, grandes surpresas e importantes descobertas. Nos episódios vividos ao lado de personagens cativantes, como Calpúrnia, Boo Radley e Dolphus Raymond, aprendem e ensinam sobre a empatia, a tolerância, o respeito ao próximo e a necessidade de se estar sempre aberto a novas idéias e perspectivas.

O sol é Para Todos é o único livro de Harper Lee. Sucesso instantâneo de vendas nos EUA, que se tornou um grande best-seller mundial. Recebeu muitos prêmios desde sua publicação, em 1960, entre eles, o Pulitzer.

Traduzido em 40 idiomas, vendeu mais de 30 milhões de exemplares em todo o mundo e, em 1962, foi levado às telas com Gregory Peck - ganhador do Oscar por sua interpretação de Atticus Finch - Brock Peters, Robert Duvall e outros.

O Librarian Journal dos EUA deu sua maior honraria à história elegendo-a o melhor romance do século XX. Em 2006, uma pesquisa na Inglaterra colocou O sol é Para Todos no primeiro lugar da lista de livros mais importantes, seguido da Bíblia e de O senhor dos Anéis, de J. R. R. Tokien. Também entrou para a lista da Time Magazine dos Cem Melhores Romances de Todos os Tempos. 



Resenha

Um dos meus livros favoritos! Já faz um tempo que eu li, mas é um daqueles livros que marcam. Ele trata muito do preconceito racial nos Estados Unidos e, aliado a isso, da inocência das crianças no mundo adulto. Como seria bom se pudéssemos conservar essa visão pueril do mundo em nossas vidas adultas! Uma visão sem preconceito, inocente, sempre visando o bem para si e para o próximo.

Essa foi a marca que a leitura desse livro me deixou. A jovem Scout é uma criança encantadora e, em meio a suas brincadeiras com seu irmão, ela vai descobrindo como os adultos podem ser mentirosos, enganadores, cruéis. Mas isso não a torna igual a eles, ao contrário, tenta instigá-los sempre para o bom caminho.

O pai de Scout, Atticus, também é maravilhoso, um personagem marcante. Certamente Scout herdou a honra de seu pai, pois ele é um adulto com muita tolerância e despido de preconceitos. Ele encara a sociedade racista da época e defende um negro num julgamento por estupro. 

O desfecho do julgamento se dará apenas no final do livro, mas durante todo o livro histórias se cruzam e nos deixam pensativos a respeito do ser humano, do valor da vida humana, de como podemos ser melhores.

Leitura super recomendada!


Avaliação: ★★★★★



"- E daí eles perseguiram-no, só qu´nunca o apanhavam porque não sabiam como ele era, e depois Atticus, quando eles o encontraram, afinal 
não tinha sido ele qu´tinha feito aquelas coisas...

Atticus, ele era mesmo bom..

As suas mãos estavam por baixo do meu queixo, puxando 
as cobertas e aconchegando-as à minha volta.
- A maior parte das pessoas são assim, Scout, 
quando finalmente as conhecemos." (p. 434)

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A Máquina do Tempo - H.G. Wells

Título original: The Time Machine
Tradução: Fausto Cunha
Editora: Livraria Francisco Alves Editora S.A.
Publicação da edição lida: 1981
Primeira publicação: 1895
Páginas: 99 (tempo de leitura estimado no e-book: 1h)
Adaptação: Dois filmes. Um de 1960 (trailer) e outro de 2002 (trailer), sendo que o primeiro é muito mais fiel ao livro que o segundo.

Sinopse

A Máquina do Tempo: a mais espantosa das invenções, capaz de levar seu criador a uma viagem surpreendente através de milhares de anos de transformações sobre a Terra. Novos seres ocupando a superfície e as entranhas do planeta, vivendo numa incrível civilização do futuro, onde a luta pela vida é implacável. O final dos tempos e a agonia do sistema solar com o colapso de nossa estrela, prestes a explodir.

Uma história de aventura e emoções inimagináveis, esta obra também é uma reflexão sobre os valores de nossa sociedade e sobre o mundo que construímos hoje.


Resenha

É um livro simples, que envolve o leitor pela curiosidade de descobrir o desfecho dessa incrível viagem. Ao contrário do que estamos acostumados a pensar, o futuro narrado pelo Viajante do Tempo (personagem principal) não é cheio de tecnologias. Ao contrário, trata mais das relações humanas e de que como o ser humano evoluiu, mas para algo que não parece ser melhor que a atualidade.

O Viajante do Tempo viaja para o ano de 802.701 (oitocentos e dois mil setecentos e um). Óbvio que é impossível prever como será esse futuro a partir de hoje, se é que o mundo ainda existirá! Alguns acreditam que o livro faz uma leve apologia ao comunismo, o que não concordo. Apesar de, no início, parecer que as pessoas vivem em igualdade, logo se descobrirá que a triste realidade não é essa.

O livro vale a pena, tanto por ser um clássico quanto por nos fazer pensar em como a espécie humana tem nas mãos a chave do futuro e talvez lhe falte sabedoria para transformá-lo em um lugar melhor.

A avaliação não foi de 5 estrelas, por que realmente não é um livro extraordinário, porém gostei de ler.


Avaliação: ★★★★


"Surge e cresce um novo sentimento, oposto ao ciúme conjugal, oposto à maternidade feroz, oposto às paixões de qualquer natureza. Essas coisas se tornam desnecessárias, pois só serviriam para complicar a vida, resquícios bárbaros e incômodos numa existência agradável e refinada."

(p. 36)

segunda-feira, 22 de junho de 2015

O Médico e o Monstro - Robert Louis Stevenson

Título original: The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde
Tradutores: José Paulo Golob, Maria Angela Aguiar, Roberta Sartori
Editora: L&PM Pocket
Publicação: 2011 (escrito em 1886)
Páginas: 112

Sinopse

O Médico e o Monstro - As suspeitas começaram quando Mr. Utterson, um circunspecto advogado londrino, leu o testamento de seu velho amigo Henry Jekyll. Qual era a relação entre o respeitável Dr. Jekyll e o diabólico Edward Hyde? Quem matou Sir Danvers, o ilustre membro do parlamento londrino?

Assim começa uma das mais célebres histórias de horror da literatura mundial. A história assustadora do infernal alter ego do Dr. Jekyll e da busca através das ruas escuras de Londres que culmina numa terrível revelação.


Resenha

Considerado um dos clássicos do terror, juntamente com Frankenstein e Drácula, O Médico e o Monstro é um livro que mistura ficção científica e mistério. Escrito em 1886, sua linguagem é um pouco diferenciada, com palavras e expressões de época, mas nada que torne a leitura cansativa. Ao contrário, a leitura é agradável e prende o leitor, ansioso por descobrir quem são, afinal, Dr. Jekyll e Mr. Hyde.

O autor é bastante detalhista, no que diz respeito às descrições das paisagens e dos personagens, tanto em seus atributos físicos como nos de suas personalidades. Isso é muito interessante, pois desenvolve na mente do leitor um ambiente imaginário rico em detalhes, o que torna a leitura ainda mais prazerosa.

A estória tem início em Londres, em algum momento do século XIX, quando Dr. Jekyll confia seu testamento a seu amigo, o advogado Utterson, deixando como beneficiário o misterioso Mr. Hyde. Ocorre que Mr. Hyde possui uma aparência única, dotada de alguma deficiência indescritível, que desperta medo e asco aos que o encaram face a face.

Mr. Utterson inicia por sua conta uma investigação para descobrir quem é Mr. Hyde e porque seu amigo, o notável Dr. Jekyll, resolveu deixar toda sua fortuna para um homem que entrou na sua vida tão repentinamente e que não parece ser merecedor de sua confiança.

É um livro muito interessante e, em que pese a linguagem de época, também muito atual. Isso porque expõe ao leitor um questionamento atemporal: o que vem a ser o bem e o mal? A estória tem pontos altos, que conduzem o leitor à resolução do mistério, mas ao mesmo tempo, o mistério é eterno. 

De um lado, o benevolente e honrado Dr. Jekyll, com sua vida regrada e bem vista pela sociedade. De outro, o malévolo e repugnante Mr. Hyde, escória da raça humana. Como duas pessoas tão diferentes podem ter algo em comum? E, ainda, que essa relação seja tão intensa? Estas e outras perguntas são respondidas parcialmente, pois a verdade nunca está clara quando se trata da bondade e da maldade do ser humano.

Leitura recomendada! Não é um terror que dê medo, mas é um suspense que prende o leitor, sem dúvidas.




Avaliação: ★★★★★


"Se cada um deles, dizia eu, pudesse habitar em identidades diferentes, a vida libertar-se-ia do que hoje se me afigura insuportável; o injusto poderia seguir o seu caminho, despojado das aspirações e do remorso do seu irmão gêmeo, mais reto; e o justo avançaria com segurança e firmeza pela sua senda ascendente, realizando as boas obras nas quais encontra prazer e sem se expor às desgraças e à penitência provocadas por esse espírito perverso e desconhecido. Esta era a maldição da humanidade: o fato desses dois ramos incongruentes estarem unidos com tanta força, que – nas agonizantes entranhas da consciência – estes gêmeos opostos lutavam continuamente entre si."


(Dr. Henry Jekyll) - p.62