sexta-feira, 22 de julho de 2016

O Jogo do Anjo - Carlos Ruiz Zafón

Edição: 2008
Editora: Suma de Letras
Páginas: 410


O Jogo do Anjo é um livro bom. Não maravilhoso, na minha opinião, claro. Ele é um drama, com algo de suspense e sobrenatural. Achei ele um pouco parado, tanto que demorei a terminar. Ele começou a ficar um pouco mais interessante da metade em diante, mas ao mesmo tempo ocorreram muitas reviravoltas que acabaram um pouco confusas para mim. Acredito que eu queria terminar logo e não dei atenção à mensagem do livro.

O livro começa contando um pouco da história de David Martin, o protagonista. Martin vive em Barcelona desde sempre e teve uma infância sofrida. Ainda adolescente, começou a trabalhar em um jornal, com o intuito de virar escritor.

Quando um de seus colegas falta, ele é convidado a fazer uma coluna com alguns contos de terror e suspense ambientados na cidade de Barcelona, onde também se passa essa história. Ele se torna relativamente conhecido por esses folhetins. É muito interessante a forma como o autor descreve a cidade de Barcelona, é como se estivéssemos presentes nas cenas, tamanha quantidade e qualidade dos detalhes. 

Uma parte muito interessante do livro é quando um amigo de Martin, o livreiro Sempere, o leva a conhecer o Cemitério dos Livros Esquecidos, local já conhecido pelos leitores do famoso romance de Zafon, A Sombra do Vento.Resumindo, é uma biblioteca enorme, onde você "enterra" um livro e salva outro, tendo o dever de cuidá-lo para sempre. O livro que Martin salva será muito importante para a trama da história.

Aliás, a amizade que se desenvolve entre eles, desde que Martín era criança, é muito bonita e reflexiva durante todo o livro.Traz bons diálogos entre esses dois personagens e acredito que Sempere age como uma balança na vida de Martin, trazendo-lhe equilíbrio em alguns momentos.

Martin é protegido de Vidal, um rico aspirante a escritor da alta sociedade de Barcelona. Todos que convivem com ele pensam que lhes devem tudo, devido a seus inúmeros favores. Haverá muitos altos e baixos na amizade entre Martin e Vidal, mas que não chegam a ser muito impactantes para a história.

Logo no início do livro ocorre um fato na vida de Martin que o faz encontrar um admirador misterioso de seu trabalho, Andreas Corelli. Esse personagem diz ser um editor francês muito interessado no trabalho de Martin, agora não mais um adolescente, e lhe oferece uma maravilhosa proposta de trabalho.

A partir daqui, qualquer menção à história será spoiler, mas gostaria de frisar que uma personagem feminina que aparece na vida de Martin me agradou muito e acredito que, não fosse por ela, Martin seria sempre um escritor fracassado e arrogante. Ainda, vale citar que há um pouco de romance no livro, ainda que não muito explícito.

O final do livro me pareceu bem confuso, mas pode ser que é por que eu já estava querendo terminar logo, então não li com tanta atenção. Mesmo assim, acredito que foi um final triste. É um livro bom, acredito que muitas pessoas gostaram, pois possui uma pontuação boa no skoob. Mas, para mim, mereceria um 3, 5. Como não há meia pontuação, dei 4, pois já gostei de outros livros do autor.

Cemitério dos Livros Esquecidos

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Fantasma - Roger Hobbs

Edição: 2014
Editora: 
Intrínseca
Páginas:
336

Resenha

Fantasma é um livro que interessa mais pela sinopse do que pela história em si. É um bom livro para passar o tempo. Ele possui capítulos curtos, o que é um ponto positivo. Alguns capítulos abordam o momento presente e outros um flashback do passado do protagonista, Jack Delton.

O livro começa com um assalto planejado por um gênio do crime, a um cassino em Atlantic City. O assalto porém, dá errado, causando mortes sangrentas e um valor desaparecido. Esse malote de dinheiro está programado para "explodir" em 48 horas, pois se o alarme não for desativado, bombas de tinta indelével (que não sai) irão deixar o dinheiro e o ladrão marcados e, assim, a polícia conseguirá sua localização.

Portanto, o planejador desse assalto contrata Jack Delton, conhecido como Fantasma, que trabalha para "limpar" as áreas de crime. Ele tem 48 horas para descobrir o que houve de errado e encontrar o dinheiro. Porém, há algumas reviravoltas. Por exemplo, o contratante do Fantasma o ameaça de morte por um assalto que deu errado em Kuala Lumpur há uns anos atrás (capítulos flashback) e ele obriga a realizar esse serviço atual sem receber nada em troca.

Lá pela metade do livro surge um inimigo em comum e, como dizem, os inimigos dos meus inimigos são meus amigos, né? Então a história dá umas pequenas reviravoltas, mas mesmo assim, a meu ver, fica um pouco previsível.

O passado me interessou mais que a história atual nesse livro. E, no fim, nem foi algo tão espetacular assim. É um livro bom, mas eu não gostei muito, talvez por que policial não é meu gênero preferido.

Avaliação:


 

segunda-feira, 13 de junho de 2016

O Hipnotista - Lars Kepler

Edição: 2011
Editora: 
Intrínseca
Páginas:
480
Adaptação: Filme "O Hipnotista" de 2012 (assista o trailer aqui) - Disponível na Netflix

Resenha

O Hipnotista é um livro muito envolvente e cheio de detalhes! Tudo começa quando o detetive Joona Linna é chamado para desvendar um mistério: um assassinato brutal que causou a morte de quase uma família inteira: pai, mãe e irmã pequena, deixando o irmão quase a beira da morte. Esse rapaz, de uns 15 anos mais ou menos, chamava-se Josef e pode ser a única testemunha ocular do assassino de sua família.

O detetive Joona é conhecido como um profissional teimoso, que chamais se deixa contrariar e vai até o fim em suas investigações. Ao descobrir que Josef possui uma irmã mais velha, acredita que o assassino está a procura dela, para "finalizar o serviço". Mas como Josef está muito ferido, não é possível realizar um interrogatório policial.

Assim, Joona apela para Erik Bark, famoso hipnotista sueco que no momento, está proibido de atuar na área da hipnose. O passado de Erik será desenvolvido durante a história e vai contar o motivo de sua suspensão para hipnotizar. Porém, ele é a única saída para descobrir o assassino da família de Josef. Será que ele irá descumprir uma promessa para ajudar a salvar vidas? E qual será o resultado dessa possível intervenção hipnótica? Afinal, a hipnose é algo sério e não pode ser usada com leviandade...

Em paralelo a isso, Erik está com o casamento abalado, não possui a confiança de sua esposa, Simone, e seu filho Benjamin possui uma doença que pode matá-lo caso não tome sua injeção uma vez por semana.

As histórias do passado de Erik e também da família de Josef vão se desenvolvendo e encontrando pontos em comum, inclusive um outro ponto alto do livro é o sequestro de um personagem secundário, mas que vai abalar a estrutura geral e revelar muitos segredos!

É um livro muito bom e eu gostei bastante da escrita de Lars Kepler que, ao final do livro, descobri ser um pseudônimo de um casal sueco, Alexander Ahndoril e Alexandra Coelho Ahndoril. O livro prende a atenção do leitor e a história é muito bem desenvolvida. Acredito que faltou falar um pouco do passado de Joona Linna, o detetive, mas como ele protagoniza outros livros, os autores irão desenvolver melhor esse aspecto em outros volumes.

No filme, que eu tive a oportunidade de ver após ler o livro, muitos detalhes e personagens são cortados. Do contrário, ficaria longo e confuso demais. Acredito que uma série de televisão conseguiria captar muito bem a história do livro. 

Enfim, vale muito a pena ler!

Cartaz do Fillme
 AVALIAÇÃO: ♥♥

domingo, 29 de maio de 2016

Perfume - Patrick Süskind

Edição: 2008
Editora: 
Record
Páginas:
218
Adaptação: Filme "Perfume - A História de Um Assassino" de 2006 (assista o trailer aqui)

Resenha

Perfume é um livro muito envolvente! Trata da história de Jean-Baptiste Grenouille, um garoto francês, que cresceu sem os pais, num orfanato, com regras muito rígidas. Até aqui, a história não difere de outras, muito comuns à época (Paris, século XVIII). 

Todas as pessoas possuem um cheiro próprio que os nossos pets, por exemplo, reconhecem. Porém, Jean-Baptiste nasceu sem cheiro corporal. Isso mesmo, ele não possui cheiro algum, seu corpo é, desde o nascimento, completamente inodoro.

Além disso, ele possui o sentido do olfato extremamente aguçado, algo que ninguém tem. Por isso, ele é capaz de sentir cheiros à distância, memorizá-los e revivê-los, sempre que se lembra deles. 

Essas características (e outras, de ordem psicológica, talvez) transformam Jean-Baptiste num garoto e, posteriormente, num homem, muito tímido e distante das pessoas, não possuindo nenhum relacionamento afetivo significante.

Jean-Baptiste é também incapaz de possuir sentimentos. Amor, ódio, paixão, tristeza, alegria, e muitos mais que estamos acostumados a sentir são apenas perda de tempo para nosso protagonista. Dessa forma, sua vida vai se desenvolvendo aos poucos. Ele trabalha com couros, depois começa a trabalhar com um famoso perfumista de Paris, onde aprende diversas técnicas de perfumaria. Aí, se dá conta de que encontrou o seu objetivo de vida.

O que ele mais almeja na vida, e talvez ambição seja o seu sentimento único, é produzir uma fragrância perfeita e jamais desenvolvida por ninguém. Só que os ingredientes comumente usados pelos perfumistas são muito simples para Jean-Baptiste. Ele busca algo diferente, algo mais verdadeiro, mais humano.

Eu pensei que o livro seria de mais suspense e talvez um pouco de terror, mas na verdade ele é um drama muito bem escrito. Podemos entrar na cabeça do personagem e nos admirar da maneira como ele conduz sua vida e suas experiências. 

O final do livro é incrível e surpreendente, pois conseguimos compreender qual foi o verdadeiro desejo de Jean-Baptiste durante sua inacreditável jornada. Vale muito a pena ler, recomendo a todos!

Avaliação: ♥♥♥♥♥
Ben Whishaw, interpretando Jean-Baptiste Grenouille

quarta-feira, 11 de maio de 2016

O Demonologista - Andrew Pyper

Edição: 2015
Editora:
Darkside Books
Páginas:
328
Adaptação: Há rumores de que será gravado um filme em breve, tendo como diretor Robert Zemeckis, o mesmo de Forrest Gump (1994) e da trilogia De Volta Para o Futuro (1985-1990).

Resenha


Este livro foi divulgado como sendo um "filho" de: O Exorcista (William Peter Blatty) com O Código da Vinci (Dan Brown). Eu amei os dois livros citados, em especial O Exorcista, sendo para mim um dos melhores livros de terror já escritos.

Porém, em O Demonologista, não encontrei quase nada de terror. Ou por eu já estar acostumada com o medo na literatura e nada mais me atinja, ou por simplesmente haver sido uma jogada de marketing muito bem realizada pela Darkside, que é uma editora maravilhosa.

O livro é lindo. Apesar de eu ter lido a versão digital, tive a oportunidade de manusear um físico. A lombada é apresentada como se fosse "gasta", para dar a impressão de um livro que foi muito usado. A capa é dura e muito linda, com detalhes que chamam a atenção. As poucas fotos internas também são perturbadoras, então, para os amantes do terror, é um livro que dá vontade de ter na estante.
 
Mas, quanto ao livro propriamente dito, eu esperava mais. Li várias resenhas a respeito, algumas pessoas adoraram e outras odiaram. Eu fiquei no meio termo. Levei umas duas semanas para ler, não me empolguei, a não ser no começo.
 
O livro conta a história de um professor, David Ullman, que é ateu, ou seja, não acredita no sobrenatural. Ao mesmo tempo, ele ganha a vida ensinando a seus alunos sobre demônios. Sim, ele é um especialista em demônios e o mal como um todo. Ele é um fã assíduo e  também estudioso do autor John Milton, que escreveu o clássico "Paraíso Perdido". Fiquei com muita vontade de ler esse livro de Milton, pois Pyper trouxe inúmeras referências dele em O Demonologista.
 
Assim, David é contratado por uma mulher misteriosa, a um preço muito elevado, para dar sua opinião de especialista a respeito de um fenômeno. Para tal missão, ele deve viajar para Veneza. Além da história de sua aventura, que me lembrou muito os livros de Dan Brown, conhecemos bastante a vida e os sentimentos de Ullman. Ele está com seu casamento desestabilizado e afastado emocionalmente de sua filha Tess. Assim, decide levá-la a Veneza.
 
Desde o avião que os levará até a Itália, David já começa a presenciar fatos que julga estranhos e que, depois, vai associar a algum demônio, embora relute muito para acreditar que de fato eles são reais. De qualquer forma, ao chegar no final do livro, eu não tive uma conclusão se David de fato acreditou na existência do mal na terra ou se foi tudo um jogo de sua própria mente.

Acredito que se eu ler o livro tentando me fixar mais nas entrelinhas, eu possa ter uma visão diferente e até melhor do mesmo, uma vez que ele ganhou prêmios nos Estados Unidos e no Canadá. Mas, para mim, é um livro mediano, 3 estrelas, talvez 3,5. Se eu tivesse comprado a edição física, ela ficaria linda na minha estante. 
 
Para mim, não foi um livro extraordinário, mas valeu a pena ler, até para atiçar a curiosidade sobre o livro Paraíso Perdido. Talvez alguém que já tenha lido Milton antes possa compreender melhor a cabeça do professor Ullman.
 
Enfim, não recomendaria o livro aos amantes do terror. Na verdade, a ninguém. Mas, como sempre, valeu a experiência a leitura!
 
 
Curiosidade: John Milton (Cheapside, Londres, 9 de dezembro de 1608 — Bunhill, Londres, 8 de novembro de 1674) foi um poeta, polemista, intelectual e funcionário público inglês da Comunidade da Inglaterra sob Oliver Cromwell, servindo como ministro de línguas estrangeiras. Ele escreveu em um momento de fluxo religioso e agitação política, e é mais conhecido por seu poema épico Paraíso Perdido (1667), escrito em verso branco. (Fonte: Wikipedia)

Lúcifer, em ilustração de Gustave Doré para o Paraíso Perdido, de Milton.
 
 

quinta-feira, 28 de abril de 2016

A Maldição - Stephen King

Edição: 2012
Editora:
Suma de Letras
Páginas:
287
Adaptação: Filme de 1996 (veja o trailer aqui)
Também conhecido como "A Maldição do Cigano"

 
Sinopse


Numa narrativa vertiginosa, em que cada segundo perdido afasta mais de Bill a possibilidade de sobreviver, A Maldição combina suspense e terror com a habilidade inconfundível de Stephen King.
Advogado bem-sucedido, feliz ao lado da esposa Heidi e da filha adolescente, Bill Halleck desfrutava os prazeres de uma vida sem grandes preocupações. Até o dia em que uma velha cigana se pôs em seu caminho. Ele não conseguiu pisar no freio a tempo. Não conseguiu deter o carro nem as artimanhas do destino e, ao mesmo tempo em que as rodas esmagavam a senhora, sua vida começava a ser destruída.

Não, não foi a implacável justiça americana que pôs fim a seus dias felizes. Na verdade, o júri foi muito compreensivo com o bom amigo, e ele não precisou pagar com sua liberdade pela vida da cigana. Mas, na saída do tribunal, assustou-se com o rosto carcomido de um velho, seus olhos profundos, e ouviu de seus lábios gretados uma única frase: mais magro.

A partir deste dia, mergulha num pesadelo. Seus 111 quilos começam a diminuir vertiginosamente. De acordo com os médicos, não há nada em seu organismo que possa justificar a súbita perda. Bill Halleck está desaparecendo e, se não conseguir deter o processo, em pouco tempo não será mais do que um feixe de ossos.

Começa assim uma busca implacável em que Halleck reúne o pouco que lhe resta de forças e sai à caça de Taduz Lemke. Ele sabe que somente o velho será capaz de mudar seu destino - encontrá-lo é questão de vida ou morte.

Abandonado pela esposa e amigos que duvidam de sua sanidade, conta apenas com suas poucas forças e com a ajuda de Richard Ginelle, um gângster perigoso, mas amigo fiel, que se dispõe a tudo para salvá-lo. Bill tem pouco tempo. Os ponteiros da balança não o deixam se esquecer disso.


Resenha

É um livro bem interessante, mas não me cativou muito. Conta a história de um homem que atropela uma cigana e começa a emagrecer drasticamente. Tenta buscar uma explicação para esse fato e acaba se envolvendo com os ciganos do grupo a que pertencia a mulher atropelada. 

O cigano lança uma maldição, com apenas duas palavras: mais magro. Assim, Bill começa a emagrecer e não se dá conta do motivo. Muitas pessoas desconfiam que ele esteja enlouquecendo ou que está traumatizado.

É um livro interessante, mas a meu ver, a sinopse cria muitas expectativas. Ou, talvez, eu não estava num bom momento, pois não me deu medo, nem gostei tanto do livro, mesmo sendo de um autor que eu gosto muito.

O final é perturbador e deixa uma mensagem como "melhor não brincar com o que você não sabe" hehe. Não é um livro que eu indicaria para quem gosta do gênero, mas a leitura é algo muito pessoal, se você tem interesse, arrisque!

Filme Thinner - A Maldição do Cigano



Depois de Você - Jojo Moyes

Edição: 2016
Editora:
Intrínseca
Páginas:
320
Continuação de "Como eu era antes de você"
 

Sinopse



Quando uma história termina, outra tem que começar.

Com mais de 5 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, Como eu era antes de você conta a história do relacionamento entre Will Traynor e Louisa Clark, cujo fim trágico deixou de coração apertado os milhares de fãs da autora Jojo Moyes.

Em Depois de você, Lou ainda não superou a perda de Will. Morando em um flat em Londres, ela trabalha como garçonete em um pub no aeroporto. Certo dia, após beber muito, Lou cai do terraço. O terrível acidente a obriga voltar para a casa de sua família, mas também a permite conhecer Sam Fielding, um paramédico cujo trabalho é lidar com a vida e a morte, a única pessoa que parece capaz de compreendê-la.

Ao se recuperar, Lou sabe que precisa dar uma guinada na própria história e acaba entrando para um grupo de terapia de luto. Os membros compartilham sabedoria, risadas, frustrações e biscoitos horrorosos, além de a incentivarem a investir em Sam. Tudo parece começar a se encaixar, quando alguém do passado de Will surge e atrapalha os planos de Lou, levando-a a um futuro totalmente diferente.
 
 
 
Resenha
 
Gostei bastante do livro. O anterior foi mais emocionante, os assuntos foram mais delicados e até mesmo descritos como tabu pela sociedade. Mas nesse novo livro eu notei uma evolução da Louisa quanto à perda de Will. Talvez ela tenha demorado um pouco e sofrido muito, mas cada um tem seu tempo para superar acontecimentos marcantes. 
 
Will mostrou-a um novo mundo, cheio de possibilidades e, aos poucos, ela começou a se dar conta de que realmente precisaria "apenas viver". Gostei muito de uma personagem que entrou na vida de Lou para transformá-la. Realmente ajudou muito no seu crescimento e amadurecimento. O final do livro é bem interessante, acho que tomou o rumo certo! 
 
Vale a pena ser lido!
 
 
Lembrando que, em 30 de Junho de 2016, estreará o filme "Como eu era antes de você", com Emilia Clarke (Daenerys de Game of Thrones) no papel de Louisa Clark e Sam Claffin (Finnick Odair de Em Chamas) no papel de Will Traynor.



 
 

A Viajante do Tempo (Outlander #1) - Diana Gabaldon

Edição: 2014
Editora: Saída de Emergência Brasil
Páginas: 800
Adaptação: Série televisiva exibida pela Starz (veja o trailer aqui)

Série Outlander #1

Sinopse


Em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, a enfermeira Claire Randall volta para os braços do marido, com quem desfruta uma segunda lua de mel em Inverness, nas Ilhas Britânicas. Durante a viagem, ela é atraída para um antigo círculo de pedras, no qual testemunha rituais misteriosos. Dias depois, quando resolve retornar ao local, algo inexplicável acontece: de repente se vê no ano de 1743, numa Escócia violenta e dominada por clãs guerreiros.

Tão logo percebe que foi arrastada para o passado por forças que não compreende, Claire precisa enfrentar intrigas e perigos que podem ameaçar a sua vida e partir o seu coração. Ao conhecer Jamie, um jovem guerreiro escocês, sente-se cada vez mais dividida entre a fidelidade ao marido e o desejo. Será ela capaz de resistir a uma paixão arrebatadora e regressar ao presente?
 
 
 
Resenha
 
Eu não costumo gostar de livros que contenham romance, mas esse me surpreendeu. Comecei a ler por curiosidade e adorei a narrativa, a forma como a história é contada. É incrível pensar como seria nossa reação se estivéssemos no lugar de Claire. Imagine-se voltando no tempo, para 200 anos atrás, em meio à guerra de clãs escoceses e ingleses e, ainda "pior", sendo mulher.
 
É uma história incrível, não há como não se envolver. Os personagens marcam, são bem trabalhados e conseguimos ter aquela sensação de conhecê-los, de que eles fazem parte da nossa vida. Claire é uma mulher forte e determinada, com um único intuito: sobreviver. A sinopse acima não condiz exatamente com a história. Com Jamie, há sim, o desejo, mas o livro é muito mais do que uma escolha entre voltar ao presente e resistir a uma paixão. É uma história de guerra, traição, envolvimento, desejo sim, mas também descobertas, evolução pessoal.
 
Para os que ouviram falar que é parecido com "50 Tons de Cinza", acredito que não. Eu não li 50 Tons, mas pelo sei, ele é bem hot e polêmico. Diferente de Outlander, que tem sim suas cenas picantes, mas também é um livro que coloca muito em tela o empoderamento feminino, diante de um cenário tipicamente machista, como o da época.

Indico esse livro a todos que gostam de história e de romance. Mas também àqueles que, como eu, querem arriscar um gênero diferente e, cuidado, vocês podem se surpreender!


Em breve inicio o segundo e venho contar para vocês!

Claire e Jamie na série

 
 
 

quarta-feira, 16 de março de 2016

O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares - Ransom Riggs

Edição: 2012
Editora: Leya
Páginas: 336
Adaptação: Filme previsto para estrear no Brasil em Janeiro de 2017. Veja o trailer aqui
Série Srta. Peregrine #1

Sinopse

Tudo está à espera para ser descoberto em O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, um romance inesquecível que mistura ficção e fotografia em uma experiência de leitura emocionante. Nossa história começa com uma horrível tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo. E, de algum modo, por mais impossível que pareça, ainda podem estar vivas. Uma fantasia arrepiante, ilustrada com assombrosas fotografias de época, O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares vai deliciar adultos, adolescentes e qualquer um que goste de aventuras sombrias.


Resenha

Eu comecei o livro acreditando que seria terror ou suspense, mas não é. Apesar disso, é um livro maravilhoso. A leitura é super rápida e a experiência com as fotografias é incrível. A descrição que o autor faz de determinado personagem ou situação é bem detalhada, mas ao vermos a foto, parece que entramos dentro da história. É o tipo de livro que nos faz conhecer os personagens e nos apaixonar por eles. Gostei especialmente de Jacob, o protagonista, que está em busca de algo que faça sua vida valer a pena. Sem dúvida ele encontrou! A Srta. Peregrine também me agradou muito, principalmente por seu cuidado com as crianças, que era ao mesmo tempo rígido e amoroso.

Jacob sempre pensou que sua vida era monótona e sem graça. Sua alegria era ouvir histórias de seu avô Abe, sobre o orfanato em que ele viveu quando era criança. Seu avô sempre lhe mostrou muitas fotografias recheadas de histórias incríveis. Quando criança Jacob acreditava que seu avô vivera uma aventura durante toda sua vida. Com o passar dos anos, começa a pensar que tudo não passou de histórias para impressioná-lo.
 
Assim, após uma tragédia familiar, Jacob vai em busca desse local perdido e encontra aí muito mais do que poderia imaginar. Sua vida dará uma reviravolta e ele se sentirá mais vivo que nunca. Não é um livro de terror, mas é um drama que nos deixa ansiosos para descobrir o que virá a seguir. As crianças peculiares são amáveis e queridas, cada uma com sua característica única, irá encantar os leitores!

Recomendo, para todas as idades! Já foi lançado o segundo volume, Cidade dos Etéreos, que quero ler em breve!
★★★
Imagem do filme: Srta. Peregrine (centro), tendo Jacob à sua direita.

quinta-feira, 10 de março de 2016

O Pântano das Borboletas - Federico Axat

Edição: 2014
Editora: Tordesilhas

Sinopse

Sam e Billy têm 12 anos e moram na pequena Carnival Falls. Amigos inseparáveis, eles percorrem o bosque de bicicleta e preparam-se para terminar a construção da sonhada casa na árvore.

Compartilham tudo, inclusive a paixão por Miranda, a menina rica que acaba de se mudar para a cidade. Juntos, os três vivem as descobertas e as transformações típicas da idade e desvendam o mistério que assombra a vida de Sam: o paradeiro de sua mãe.

Com esses ingredientes e doses generosas de lirismo, Federico Axat escreveu uma história admirável sobre a delicada passagem da infância para a adolescência e desta para a vida adulta.Mas não só. Romance de crescimento e suspense com incursões pelo fantástico,

O pântano das borboletas reserva uma desconcertante reviravolta final: um segredo que, revelado, arremessa o leitor em um torvelinho de emoções e confere à trama um sentido totalmente novo.



Resenha

Que livro maravilhoso e incrível! O Pântano das Borboletas é um livro lindo, gostoso de ler e com uma história muito bem elaborada.

Sam e Billy são grandes amigos, desde a infância. O livro aborda muito esse fase da vida, como no companheirismo deles, na paixão pela menina rica (Miranda) que chega na cidade, no bullying sofrido por meninos mais velhos. Mas o livro também possui algumas partes onde é contada a vida adulta dos personagens.

Sam perdeu a mãe com um ano de idade, num misterioso acidente de carro e, a partir daí, foi morar numa granja, com várias outras crianças adotadas. A educação na granja sempre foi rígida e um dos "irmãos" de Sam, chamado Orson, mostra-se uma criança muito cruel ao longo do livro.

As alegrias de Sam são os passeios no bosque com Billy, seu melhor amigo, que tem um jeito de detetive e explorador, sempre resolvendo mistérios e elaborando mapas de suas aventuras. Além disso, Sam é a companhia do Sr. Meyer em algumas tardes, fazendo-lhe leituras e ouvindo suas histórias do passado.

A história é muito bem elaborada e a vontade é de ficar o tempo todo lendo esse livro incrível! Ele tem um toque sobrenatural, penso que seja pela imaginação das crianças, envolvendo o acidente que vitimou a mãe de Sam.

São muitos mistérios que vão sendo revelados, mas melhor parte é o final! Após a metade do livro eu já estava decidida a avaliar com 5 estrelas, mas ao final resolvi favoritar! A reviravolta é incrível. Eu li e voltei e li de novo para garantir que era isso mesmo! É aquele tipo de livro que você quer ler de novo sob outra ótica, para poder desfrutar novamente dessa história maravilhosa.

Sem dúvida vou ler de novo esse livro, provavelmente daqui um tempo, pois ele vale muito a pena e tem uma mensagem encantadora! Recomendo a todos!


★★★

sábado, 20 de fevereiro de 2016

A Garota Sem Passado - Michael Kardos

Edição: 2016
Editora: Arqueiro

Sinopse

Num domingo de setembro de 1991, Ramsey Miller deu uma festa em casa para os vizinhos. Depois, assassinou a esposa e a filha de 3 anos. Todo mundo na pacata cidade de Silver Bay conhece a história.

Só que todos estão errados. A menina escapou. Sob o nome falso de Melanie Denison, ela passou os últimos quinze anos escondida com os tios numa cidadezinha remota. Nunca pôde viajar, ir a uma festa na escola ou ter internet em casa, porque Ramsey jamais foi encontrado e poderia ir atrás dela a qualquer momento.

Mas, apesar das rígidas regras de segurança impostas pelos tios, Melanie se envolve com um jovem professor da escola local e engravida. Ela decide que seu filho não terá a mesma vida clandestina que ela e, para isso, volta a Silver Bay para fazer o que nem os investigadores locais, nem a polícia federal, nem o FBI conseguiram: encontrar seu pai antes que ele a encontre.



Resenha

O livro é um thriller incrível, do começo ao fim. Digo isso no sentido de instigar o leitor a terminar o livro o quanto antes. A cada capítulo um novo enigma é criado e várias suposições podem resolvê-lo.

É muito interessante, pois Melanie (Meg Miller) vai de encontro a algo totalmente inesperado. Ela passou a vida inteira reclusa, sem desconfiar de nada que lhe diziam, sempre pensando em sua segurança. E, um dia, devido a um fato que está para ocorrer, ela decide ir atrás de seu pai, na pequena cidade de Silver Bay.

Ela está cansada dessa vida de fugitiva e decide ir até o fim, para descobrir toda a verdade. Ela descobre essa verdade. E é aí que está a falha do livro. Até o final ele é emocionante e desejamos saber o que vai acontecer, mas aí quando acaba, muitas pontas ficam soltas. Algumas atitudes que não fazem sentido, alguns personagens que demonstram uma atitude contrária ao seu caráter, enfim, muita coisa fica sem explicação.

É um livro bom, eu gostei, mas poderia ter sido muito melhor. Poderia ter sido mais bem trabalhado no final, com um encerramento adequado ou explicação melhor a alguns fatos. Mas, como a leitura é super rápida (questão de três dias no máximo), vale a pena dar uma conferida. 

★★★

Uma Questão Pessoal - Kenzaburo Oe

Edição: 2003
Editora: Cia das Letras
O escritor japonês ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, em 1994.

Sinopse

Em 1964, o romancista japonês Kenzaburo Oe recebia a notícia de que seu primeiro filho nascera com uma anomalia cerebral. É a mesma situação enfrentada pelo protagonista de Uma questão pessoal, o professor Bird. Aos 27 anos, ele leva uma vida medíocre, bebendo pelos bares de Tóquio e sonhando com aventuras no continente africano. 

A gravidez da mulher acrescenta angústia ao cotidiano de Bird. A idéia de que será pai e chefe de família faz com que se sinta condenado à vida cotidiana. Para piorar, depois do parto, os pais descobrem que a anomalia cerebral fará o menino ter uma vida vegetativa. Bird não suporta a possibilidade de se ver atrelado para sempre a um filho anormal. Passa, então, a desejar a morte da criança. 

Aos poucos, porém, ele se dá conta de que a crise era uma oportunidade. Bird deve percorrer um longo caminho de conquista da realidade, enfrentando os desafios de amadurecimento da vida adulta.


Resenha

Ao começar a leitura, pensei que seria um caso de superação das dificuldades relacionadas à paternidade. Imaginei que o protagonista seria um exemplo a ser seguido, que uma força surgiria nele para suportar e avançar diante de todas as adversidades.

Porém, conheci um personagem marcante, e não no bom sentido. Bird nos desperta inúmeros sentimentos, principalmente raiva. Seu casamento já aparece no início como um pouco problemático. Ele não é nem de longe o que se espera de um marido ideal às portas do nascimento do primeiro filho.

Ao ficar sabendo que seu filho nasceu com hérnia cerebral, Bird não consegue mais raciocinar direito. Ou, se consegue, torna-se um crápula! Passa a beber demais, afastar-se das responsabilidades, não permanece ao lado da esposa e refere-se ao filho como um monstro. Além disso, esse "monstro" irá lhe tirar todas as economias reservadas para uma viagem que sempre pretendeu fazer à África. Aliás, ele é fissurado pela África, tendo lido diversos livros e colecionado mapas de lá.

Assim, ao decorrer dos livros, o autor vai mostrando um personagem em todas as suas facetas: traumas pessoais, passado, fraquezas, medos e a forma como encara tudo isso. É um personagem muito bem trabalhado, podemos conhecê-lo profundamente.

Lendo sobre a vida do autor, Kenzaburo Oe, vejo que ele passou por uma situação parecida e, na vida real, os médicos sugeriram que ele deixasse o filho para morrer, ainda bebê. Ele e sua esposa não aceitaram e hoje seu filho é músico, apesar de autista. Seu nome é Hikari Oe.

Enfim, é um livro forte, que dá uma sacudida no leitor. Vale muito a pena a leitura!

★★★

Depois, acrescentou, meio ressentido: - No final das contas, a vida exige de nós uma atitude ortodoxa. Mesmo que se queira ceder à tentação da falsidade, com o tempo a vida nos obriga a rejeitá-la. Não é mesmo?
- Nem sempre, Bird. Algumas pessoas vivem saltando como rãs de uma falsidade para outra a vida inteira. 
Kenzaburo e seu filho, Hiraki.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O Grande Mentecapto - Fernando Sabino

Primeira publicação: 1979
Editora: Record
Adaptação: Filme de 1989 (veja o trailer)
Ganhador do Prêmio Jabuti (1980)

Sinopse

O Grande Mentecapto segue a linha da novela picaresca, como o “Dom Quixote de La Mancha”, de Cervantes, em que a personagem vai em busca de conflitos, com o objetivo de resolvê-los heroicamente.

Assim, Viramundo percorre o estado de Minas Gerais, encontrando-se com diversos personagens excêntricos. 

É um marginal em uma sociedade que não compreende e na qual não se enquadra, o Viramundo inspira um sentimento de ternura e de pena por todos aqueles que, em sua simplicidade, sofrem o descaso, a ironia e a opressão.

Esta obra, que rendeu o Prêmio Jabuti, foi adaptada para o cinema, com direção de Oswaldo Caldeira, em 1989, e também para o teatro. 




Resenha


O Grande Mentecapto é um livro muito interessante e cativante! Conta a história de Geraldo Viramundo, desde sua infância. O livro começa contando como era sua convivência com a família e amigos. Após um incidente ocorrido em sua cidade natal (Rio Acima) ele decide ir ao seminário. Após sua saída do seminário, em uma situação um pouco estranha, é que começam realmente suas aventuras e desventuras.

Viramundo é apenas um de seus apelidos e é tratado assim ao longo de quase todo o livro. Ele é um personagem com o coração puro, que acaba se metendo em apuros, sempre na tentativa de fazer o bem e dar o seu melhor pelos outros.

Por causa disso, se torna um mendigo, caminhando de cidade em cidade, por quase todo o Estado de Minas Gerais. Vai conquistando muitos amigos e também alguns desafetos, mas sempre com uma mensagem para passar ao leitor.

Apesar de viver com muito pouco, no sentido material, ele não almeja tornar-se uma pessoa rica ou mesmo com melhores condições de vida. Ao contrário, contenta-se com o que tem e leva uma vida sem rumo, mas ao mesmo tempo sempre acreditando que sua hora está chegando.

O final é um pouco triste e irônico, mas vale muito a pena, pois encerra a história fazendo inclusive uma analogia religiosa, a meu ver.


É um livro que indico a todos. Rende algumas risadas, além de compaixão, empatia e uma boa mensagem ao coração.


★★★★

Capa do Filme de 1989

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A Síndrome E - Franck Thilliez

Publicação: 2013
Editora: Intrínseca

Sinopse

Um estranho caso vem atrapalhar as férias de verão de Lucie Hennebelle, tenente de polícia em Lille. Seu ex-namorado ficou cego depois de assistir a um filme mudo, anônimo, com um roteiro enigmático, concebido por uma mente doentia.

Simultaneamente, o comissário Franck Sharko, veterano da Divisão de Homicídios e analista comportamental na Divisão de Repressão à Violência, passa por um tratamento na tentativa de curar a esquizofrenia.

No norte da França, cinco cadáveres não identificados foram encontrados sepultados a dois metros de profundidade mutilados de maneira atroz e em estado de decomposição avançada e Sharko cede ao chamado da aventura. Enquanto Lucie descobre os horrores escondidos no estranho filme, um misterioso informante do Canadá aponta-lhe o elo entre aquele rolo e os cinco cadáveres.

Um único e mesmo caso, graças ao qual Lucie e Sharko, tão diferentes e ao mesmo tempo tão próximos em sua concepção do ofício, irão se encontrar. Das favelas do Cairo aos orfanatos do Canadá nos anos 1950, os dois colegas irão se deparar com um mal desconhecido, batizado como “Síndrome E”. Uma realidade assustadora que revela como o ser humano pode ser capaz das maiores atrocidades.




Resenha

A sinopse acima já adianta bastante da história, mas é bom frisar alguns pontos. É um livro ótimo, um thriller incrível, pois sempre deixa o leitor ansioso por respostas.

No início achei que logo diriam o que era a Síndrome E, mas essa explicação chega quase ao final do livro. Entretanto, até chegar a esse final, muita coisa acontece e os fatos estão interligados. Não é um livro que deixa ponta soltas, ao contrário, ele é bem detalhista.

Achei muito interessante a criação dos personagens, principalmente do comissário Franck Sharko. Digo isso por que é aquele tipo de personagem que parece que faz parte da nossa vida, seus sentimentos são bem trabalhados e envolvem o leitor. Pelo fato de ele sofrer de esquizofrenia, isso auxilia muito na história, pois compreendemos a razão de algumas de suas atitudes.

A questão de Lucie, tendo que deixar a família de lado (uma filha está hospitalizada) para dar atenção ao trabalho, num caso extremamente tenebroso e complexo, também é muito interessante. Passa aquela lição: até que ponto o trabalho deve influenciar na nossa vida?

Mas a parte mais interessante é a própria Síndrome e suas consequências. No sentido de que pode ocorrer na vida real, é tudo muito plausível. O criador do filme doentio (que deixou um homem cego) e as pessoas envolvidas em sua produção têm uma obsessão pelo olho humano. Assim, tudo acaba girando em torno disso, de como as imagens e mensagens subliminares atingem e atuam no nosso cérebro.

Pode ser que a Síndrome não tenha espaço na nossa realidade, mas sem dúvida a visão é um sentido que pode ser bem utilizado por pessoas que não tenham boas intenções. Enfim, é preciso ler o livro para entender a complexidade dessa colocação.

O final não deixou pontas soltas na história, mas mesmo assim ocorre um fato que deixa uma brecha para uma continuação, da qual ainda não tive notícia.

Vale muito a pena! Não é um livro de dar medo, mas é um suspense que nos faz ficar um pouco paranoicos...

                                 ★★★★★

Ilustração do Livros Edição Espanhola

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Muito Mais que 5inco Minutos - Kéfera Buchmann

Publicação: 2015
Canal 5inco Minutos: https://www.youtube.com/user/5incominutos

Sinopse

Você conhece a Kéfera? Pois deveria! Com 22 anos, Kéfera Buchmann reúne quase doze milhões de seguidores nas suas mídias sociais (YouTube, Facebook, Twitter e Instagram). Só o seu canal no YouTube, “5inco minutos” (procura aí na internet), tem cinco milhões de assinantes e é o quarto mais visto do Brasil.

Tá achando pouco? Ela ainda recebe diariamente centenas de mensagens de fãs do Brasil todo e é parada na rua a todo momento. Se o YouTube é de fato a nova televisão, como acha muita gente, hoje Kéfera é o equivalente aos antigos astros globais. Tão conhecida e amada quanto eles.

Neste livro, que tem literalmente a sua cara, Kéfera parte de sua vida para falar de relacionamentos, bullying, moda, gafes e conta uma série de histórias divertidas com as quais é impossível não se identificar.


Resenha

Que comece a polêmica! Kéfera é daqueles tipos de pessoas que ou a gente ama ou a gente odeia. Eu discordo, na verdade. Prefiro não odiar ninguém e não amar quem não conheço. Mas é fato que dei muita risada com esse livro, valeu muito a leitura!

Já conhecia o canal dela e acompanho alguns vídeos seus, que também são muito engraçados. Ok, alguns podem ser sem noção, talvez apelativos, mas ela é apenas uma jovem de 22 anos. Agora, extrovertida, encontrou na internet uma forma de se expressar e, claro, ganhar dinheiro.

O livro não fala do canal em si (há indícios de que haverá um 2º livro), mas sim da sua vida. E eu particularmente achei muito interessante, principalmente para os jovens de hoje em dia, já que ela possui muitos fãs, pessoas que se inspiram na sua vida.

Levando em conta que tudo que está no livro é verdade, ela realmente pode ser considerada uma pessoa que superou inúmeras dificuldades e está muito bem, obrigada.

Ela sofreu bullying durante a maior parte da adolescência, por estar acima do peso. Mas deu a volta por cima (e como!). O livro apresenta também a relação com sua mãe que, também através dos vídeos, é algo bonito de ver. Há diversas situações engraçadas e também frases de incentivo às pessoas que possam ter vivido os mesmos dramas.

Se foi um livro feito exclusivamente para ganhar dinheiro, nunca saberemos. Afinal, a intenção do coração de cada um ninguém pode saber. Mas com certeza o livro (aliado às outras mídias de Kéfera) pode auxiliar o público adolescente, para que viva uma vida mais despreocupada e despojada de rótulos e preconceitos.

Recomento a leitura para os que já gostam dela e para os que pretendem conhecê-la melhor. Aos haters, ela tem um recado nas primeiras páginas do livro hehe. Mas, ainda assim, acredito que umas 3 horinhas não farão falta, pelo menos darão boas risadas. ;)

                                 ★★★★★

"Quando a gente é novo, tudo é muito intenso. Sofremos à toa, sempre, por qualquer coisa. Se a Kéfera de agora pudesse voltar naquela época para dar um conselho para a Kéfera de doze anos, seria: 'Relaxa, daqui a uns anos você vai estar tão feliz que não vale a pena chorar por esse cara agora'. Mas isso não aconteceu."

Kéfera e sua cadela Vilma Tereza

As Irmãzinhas de Eluria - Stephen King

Título original: The Little Sisters of Eluria
Publicação original: 1998


Resenha

Esse conto pode ser considerado um prelúdio à série A Torre Negra, mas é independente desta. Seu protagonista é Roland, de Gilead.

Roland é um pistoleiro, no melhor estilo faroeste da palavra. O conto inicia com sua chegada à pequena cidade de Eluria, nos confins do mundo, com seu cavalo que está à beira da morte.

A cidade está deserta e Roland desconfia que algo terrível aconteceu, para devastar toda a população. Assim, observando um corpo (humano) numa vala, é atacado por seres (não humanos) verdes, que o golpeiam até ele desmaiar.

Quando acorda, encontra-se num tenda/hospital e é recebido por umas freiras simpáticas e bondosas, que possuem bichinhos de estimação. E todos vivem felizes para sempre.

Só que não! :-p

É um conto bastante interessante, com horror e fantasia na medida certa! Ansiosa para ler a série, que inicia com ele, Roland, em "O Pistoleiro".

Recomendado!

★★★★★




quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Eu, Robô - Isaac Asimov

Título original: I, Robot
Publicação original: 1950
Tradução: Jorge Luiz Calife
Adaptação: Filme de 2004 (veja o trailer).

Sinopse

Eu, robô é parte de uma das três grandes séries de Asimov: Robôs, Fundação e Império. Retoma uma das personagens principais, a grande roboticista Susan Calvin, e a faz contar, em retrospecto, histórias que resumem a evolução da robótica. 

A narrativa engenhosa conduz o leitor com um didatismo disfarçado: levados pela imaginação e pelo humor de Asimov, nem nos damos conta da lição de história da robótica que acabamos aprendendo. 

Entre a babá da primeira história e a Máquina, com maiúscula, que controla toda a Terra, na última, há ainda espaço para robôs que enlouquecem, que fazem piadas, que lêem pensamentos e até robôs orgulhosos de serem mais espertos do que os seres humanos... 

Eu, Robô também apresenta as três leis da robótica, outro alicerce da ficção científica. De acordo com elas, a primeira obrigação de um robô é proteger seres humanos, a segunda é obedecer às ordens de humanos e a terceira é se proteger. 

A aparente simplicidade esconde os numerosos conflitos que podem surgir, e servem de mote para mais de uma história. Eu robô foi adaptado para o cinema.


Resenha


Para um livro escrito em 1950, ele é muito atual. Eu estava com uma expectativa maior acerca de Asimov, por isso quero continuar lendo sua obra (provavelmente A Fundação). Porém, posso dizer que gostei de “Eu, Robô”. 

É uma coletânea de contos, que estão interligados. Na introdução, um repórter da Imprensa Interplanetária entrevista a Dra. Susan Calvin, uma robôpsicóloga altamente reconhecida. A partir daí, ela conta nove histórias sobre o mundo dos robôs (e seu aspecto humano), os quais vão evoluindo gradativamente conforme ela as narra. 

Apenas para contextualizar, Susan nasceu em 1982, no mesmo ano da criação da empresa US Robôs e Homens Mecânicos, gigante industrial da história humana. A Dra. Possui 75 anos, sendo, portanto, o ano de 2057. 

Uma crítica: há fortes traços machistas no livro. A Dra. Calvin é seguidamente destratada por seus colegas de trabalho, todos homens. Ela também é retratada sempre como uma pessoa inferior, em que pese sua memorável formação acadêmica e experiência profissional. Além disso, todos parecem estar sempre alterados, gritando entre si e agindo sem muita educação. 

É importante também conhecer as Três Leis da Robótica, que estão presentes em todos os robôs construídos com os cérebros positrônicos. São elas: 

1) Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal. 

2) Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a primeira Lei. 

3) Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e a Segunda Leis. 

Vou fazer um breve apanhado dos contos, para mostrar como são interessantes. 

1. Robbie: Conta a história de Robbie, um robô que não fala, comercializado a partir de 1996 e que era vendido para servir de babá. A história é muito linda, pois trata da amizade de Robbie com uma menina chamada Gloria. Apesar de ser um robô mudo, consegue demonstrar sentimentos, ainda que arcaicos, não sendo apenas uma simples máquina. A mãe de Gloria preocupa-se com o desenvolvimento da filha, que não convive com outras crianças, por preferir a companhia de Robbie. 

2. Brincadeira de Pegar. Conta a história de um robô um pouco mais evoluído que o primeiro, e seu nome é Speedy. Nesse conto, dois especialistas em robótica, Greg e Mike, estão numa missão interplanetária para coletar selênio. Speedy é um robô falante e já possui alguns dilemas morais em relação ao conflito entre as Leis da Robótica. Gostei muito deste também. 

3. Razão. Greg e Mike estão em outra missão, desta vez com um robô ainda mais evoluído, chamado Cutie, que demonstra traços de arrogância e superioridade em relação aos seres humanos, passando a questionar sua existência e sua subordinação. É um conto um pouco angustiante.

4. Pegar o Coelho. Agora Greg e Mike descobrem que o robô Dave e seus 6 subordinados, quando não estão sendo vigiados, deixam o trabalho de lado e começam a realizar manobras militares. Quando os humanos se aproximam, voltam ao trabalho. Eles tentam então descobrir o motivo dessa mudança de comportamento. 

5. Mentiroso! Herbie é um robô que lê pensamentos e, nesse conto, a própria Dra. Calvin vivenciou a história. Já não bastassem robôs falantes e conscientes, imaginem um que lê pensamentos humanos! Certamente não será um mar de rosas. Ótimo conto também. 

6. Pobre Robô Perdido. O Robô Nestor 10, mentalmente instável, acaba por perder-se no meio de outros 62 robôs. Para ele, a 1ª Lei está modificada e, assim, pode ter tendências violentas em relação aos seres humanos. Dra. Calvin tenta resolver esse problema. 

7. Fuga! Agora há um problema político, uma disputa econômica entre a US Robôs e a Consolidated Robôs, com provável golpe por parte desta última. O robô em questão é Cérebro, que constrói uma poderosa nave interplanetária, na qual viajarão Mike e Greg. Cérebro é extremamente inteligente mas, conforme os robôs vão evoluindo, os dilemas morais e a superioridade também...

8. Prova. Este conto é interessantíssimo, pois um rival do candidato a prefeito Byerley espalha o rumor de que ele seja um robô humanóide. Para provar, querem que ele passe por diversos testes. A Dra. Calvin também está presente neste e demonstra uma incrível habilidade para entender os robôs daquela época.

9. Conflito Evitável. No último conto há uma tensão mundial, onde pequenos detalhes que podem dar início a uma “Guerra Final” da humanidade. O mundo não está mais dividido por nações e, sim, 4 regiões, cada uma controlada pelas Máquinas. As Máquinas atuam sempre em prol dos humanos, principalmente na esfera econômica. Assim, não existe mais fome e miséria no mundo. Entretanto, isso pode não ser tão bom assim. 

Enfim, vale muito a pena! 

Avaliação:★★★

"Talvez você deva dizer: que coisa maravilhosa! Lembre-se de que, afinal, de agora até o final dos tempos, todos os conflitos são evitáveis. De agora em diante, apenas as Máquinas são inevitáveis!"