segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A Máquina do Tempo - H.G. Wells

Título original: The Time Machine
Tradução: Fausto Cunha
Editora: Livraria Francisco Alves Editora S.A.
Publicação da edição lida: 1981
Primeira publicação: 1895
Páginas: 99 (tempo de leitura estimado no e-book: 1h)
Adaptação: Dois filmes. Um de 1960 (trailer) e outro de 2002 (trailer), sendo que o primeiro é muito mais fiel ao livro que o segundo.

Sinopse

A Máquina do Tempo: a mais espantosa das invenções, capaz de levar seu criador a uma viagem surpreendente através de milhares de anos de transformações sobre a Terra. Novos seres ocupando a superfície e as entranhas do planeta, vivendo numa incrível civilização do futuro, onde a luta pela vida é implacável. O final dos tempos e a agonia do sistema solar com o colapso de nossa estrela, prestes a explodir.

Uma história de aventura e emoções inimagináveis, esta obra também é uma reflexão sobre os valores de nossa sociedade e sobre o mundo que construímos hoje.


Resenha

É um livro simples, que envolve o leitor pela curiosidade de descobrir o desfecho dessa incrível viagem. Ao contrário do que estamos acostumados a pensar, o futuro narrado pelo Viajante do Tempo (personagem principal) não é cheio de tecnologias. Ao contrário, trata mais das relações humanas e de que como o ser humano evoluiu, mas para algo que não parece ser melhor que a atualidade.

O Viajante do Tempo viaja para o ano de 802.701 (oitocentos e dois mil setecentos e um). Óbvio que é impossível prever como será esse futuro a partir de hoje, se é que o mundo ainda existirá! Alguns acreditam que o livro faz uma leve apologia ao comunismo, o que não concordo. Apesar de, no início, parecer que as pessoas vivem em igualdade, logo se descobrirá que a triste realidade não é essa.

O livro vale a pena, tanto por ser um clássico quanto por nos fazer pensar em como a espécie humana tem nas mãos a chave do futuro e talvez lhe falte sabedoria para transformá-lo em um lugar melhor.

A avaliação não foi de 5 estrelas, por que realmente não é um livro extraordinário, porém gostei de ler.


Avaliação: ★★★★


"Surge e cresce um novo sentimento, oposto ao ciúme conjugal, oposto à maternidade feroz, oposto às paixões de qualquer natureza. Essas coisas se tornam desnecessárias, pois só serviriam para complicar a vida, resquícios bárbaros e incômodos numa existência agradável e refinada."

(p. 36)

terça-feira, 11 de agosto de 2015

O Escaravelho do Diabo - Lúcia Machado de Almeida

Título original: O Escaravelho do Diabo
Editora: Ática (Série Vaga-lume)
Publicação da edição lida: 1985
Primeira publicação: 1972
Páginas: 130 (tempo de leitura estimado no e-book: 2h30min)
Adaptação: Filme com lançamento previsto para dezembro/2015 (leia a notícia)

Sinopse

Vítimas ruivas recebem um escaravelho antes de serem mortas. É a única pista que Alberto tem para chegar àquele estranho criminoso. Selecionado para o Programa Nacional de Biblioteca da Escola em 1999. 


Resenha

Um livro bem simples, mas muito bem escrito. Acredito que muitos adolescentes dos anos 80/90 se depararam com essa leitura na escola. Em que pese ser um livro curto, a estória é muito bem trabalhada e dá gosto de ler. O final não é previsível, algo que às vezes acontece em livros considerados "melhores" ou até mesmo em alguns best-sellers.

Conforme a sinopse, as vítimas - sempre ruivas - recebem um escaravelho, dias antes de sua morte, sendo que cada inseto possui um significado. Alberto, irmão da primeira vítima, é quem se dedica à resolução dos crimes, junto com o Inspetor Pimentel. Durante todo o livro ficamos nos questionando quem é o assassino, pois todos têm e ao mesmo tempo não têm álibi para o momento dos crimes.

A motivação dos mesmos, assim como seu autor, só é desvendada no final, e de forma esclarecedora.

Enfim, é um livro adolescente e singelo, porém bem escrito e muito aprazível! 

Recomendo a leitura, principalmente para quem gosta do gênero policial.


Avaliação: ★★★★★


E Alberto sentiu-se subitamente invadido por uma onde de ternura 
que envolvia tudo, criaturas e coisas, como se o mundo, 
com suas alegrias e dores, grandezas e misérias, formasse apenas 
um coração. Um grande e único coração...

(p. 125)

quinta-feira, 23 de julho de 2015

No Coração da Floresta - Emily Murdoch

Título original: If You Find Me
Tradução: Maryanne Linz
Editora: Agir Now
Publicação da edição lida: 2015
Páginas: 272 (tempo de leitura estimado no e-book: 2h40min)

Sinopse

E se tudo o que você soubesse fosse uma mentira? E se a pessoa que deveria te proteger não tivesse condições nem mesmo de cuidar de si mesma? Carey é uma jovem de 15 anos com uma história de vida difícil. Levada às escondidas pela mãe para um parque nacional quando ainda era uma criança, tudo o que ela e a irmã menor conhecem é a floresta. Elas só têm uma a outra, considerando que a mãe, viciada em drogas e mentalmente instável, muitas vezes desaparece por dias sem fim. É durante um desses sumiços que repentinamente as meninas se vêem diante de dois estranhos, que as tiram da floresta e as levam para um mundo novo e surpreendente de roupas, meninos e aulas. Agora Carey precisa enfrentar a verdade por trás do seu passado e decidir se vale a pena revelar um terrível segredo, que, caso descoberto, pode colocar em risco a segurança e a nova vida das duas irmãs. No coração da floresta foi indicado a inúmeros prêmios, como a Carnegie Medal em literatura, e seus direitos foram vendidos para 8 países. Primeiro livro de Emily Murdoch, recebeu a seguinte crítica estrelada do Booklist: “Um livro cheio de dor e esperança. Uma estreia surpreendente.”



Resenha (com pequenos spoilers)

Sobre a narrativa em si, me pareceu bem fluente, cheia de detalhes, o que facilita muito a imaginação! É um livro um tanto quanto poético, com ensinamentos que a protagonista Carey nos transmite ao longo da estória. 

Conta a vida de duas irmãs, negligenciadas pela mãe que é viciada em anfetaminas, que vivem em um velho trailer numa floresta. A mãe as afastou de todos, culpando o pai de Carey por esta separação. É um livro cheio de mistérios que são resolvidos quase no final, mas o desenrolar da estória é muito interessante.

Carey, com 15 anos, tomou para si a responsabilidade de cuidar da pequena Jenessa, sua irmã de 7 anos. Elas são inseparáveis e o amor que nutrem uma pela outra é inspirador. Numa manhã, as meninas deparam-se com a presença de uma assistente social e de um homem que foram a sua procura para levá-las à cidade. Explicam que receberam uma carta da mãe das meninas, na qual alega não possuir mais condições de cuidá-las.

Assim, as meninas partem para uma nova vida, onde admiram-se ao conhecer coisas tão cotidianas para nós, como água encanada, uma boa cama e um espelho. A estória se desenrola conforme o passado vai sendo revelado.

A meu ver é uma linda estória, com passagens muito delicadas e sensíveis. O final, para alguns, pareceu em aberto, mas eu acredito que o desfecho ficou subentendido. Um livro que nos faz refletir sobre as oportunidades que temos e, muitas vezes, não valorizamos o suficiente.

Recomendo a leitura!


Avaliação: ★★


"A gente recebe o que merece, Carey. Algumas vezes somos os que recebem, outras vezes, os que dão."
(Joelle) - p.244

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Príncipe Caspian (As Crônicas de Nárnia) - C. S. Lewis

#2 (Ordem de Publicação) #4 (Ordem Cronológica)
Título original: Prince Caspian (The Chronicles of Narnia)
Tradução: Paulo Mendes Campos
Editora: Martins Fontes
Publicação da edição lida: 1997
Primeira publicação: 1951
Páginas: 215 
Adaptação: Filme "Príncipe Caspian", lançado no Brasil em 2008 (veja o trailer)

Sinopse


Tempos difíceis abateram-se sobre a terra encantada de Nárnia. Os dias de paz e liberdade, em que os animais, anões, árvores e flores viviam em absoluta paz e harmonia, estavam terminados. A guerra civil dividia o reino, e a destruição final estava próxima. O príncipe Cáspian, herdeiro legítimo do trono, decide trazer de volta o glorioso passado de Nárnia. Soprando sua trompa mágica, ele convoca Pedro, Suzana, Edmundo e Lúcia para ajudá-lo em sua difícil tarefa.


Resenha

A linguagem é de fácil compreensão, tal como nos outros volumes da série. A narrativa é fluente e os capítulos são curtos. 

Em que pese ser um livro considerado infantil, Príncipe Caspian traz abordagens interessantes sobre a vida como um todo. De acordo com a sinopse, um ano se passou desde a aventura vivida pelos irmãos Pevensie em "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa". Em Nárnia, porém, o tempo corre diferente e, lá chegando, percebem que passaram-se séculos desde que foram Reis e Rainhas.

Durante a estória, conhecemos o personagem Caspian, um menino um tanto quanto imaturo, que vive com seu tio, atual Rei de Nárnia. Caspian tem adoração pela história da antiga Nárnia, onde haviam animais falantes, centauros, dríades, faunos e outros tantos seres mitológicos vivendo em plena harmonia.

A atual Nárnia pertence tão somente aos homens, descendentes dos telmarinos. Até mesmo os anões foram renegados ao esquecimento! Para os novos narnianos tudo não passa de lenda, mas para Caspian torna-se seu sonho provar que esse passado foi verdadeiro.

Os irmãos Pevensie percorrem o mundo mágico em busca de respostas, pois se foram trazidos para Nárnia novamente, foi por alguma razão. Eles então encontram alguns antigos habitantes, os convencem de que são os Reis e Rainhas por direito e embarcam numa aventura para trazer à vida a antiga Nárnia, juntamente com Caspian.

Alguns temas cristãos são abordados, como é costume em todas as Crônicas da série. A principal referência, a meu ver, é em relação à Aslam. Inicialmente apenas Lúcia consegue vê-lo, possivelmente por ser a mais inocente das crianças. Seus irmãos não acreditam que Aslam esteja presente e relutam para acreditar na palavra de Lúcia.

O final é bem interessante e as crianças voltam para o mundo real, com pesar no coração, pois terão de abandonar esse mundo encantado onde são personagens tão importantes e no qual viveram tantas experiências.

Recomendo a leitura, assim como o restante das Crônicas!



Avaliação: ★★★★★




"Não seria medonho se um dia, no nosso mundo, os homens se transformassem por dentro em animais ferozes, como os daqui, e continuassem por fora parecendo homens, e a gente assim nunca soubesse distinguir uns dos outros?"

(Lúcia) - p. 405 (Volume Único)

Vale lembrar que As Crônicas de Nárnia podem ser lidas a partir de sua Ordem Cronológica ou, preferencialmente, a partir de sua Ordem de Publicação.



Ordem de PublicaçãoOrdem Cronológica
O Leão, a Feiticeira e o Guarda-RoupaO Sobrinho do Mago
Príncipe CaspianO Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa
A Viagem do Peregrino da AlvoradaO Cavalo e seu Menino
A Cadeira de PrataPríncipe Caspian
O Cavalo e seu MeninoA Viagem do Peregrino da Alvorada
O Sobrinho do MagoA Cadeira de Prata
A Última BatalhaA Última Batalha

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Will & Will - John Green e David Levithan

Título original: Will Grayson, Will Grayson
Tradução: Raquel Zampil
Editora: Galera Record
Publicação da edição lida: 2013
Primeira publicação: 2010
Páginas: 266 (tempo de leitura estimado no e-book: 3h15min)
Prêmios Recebidos: Prêmio Milwaukee County - Livro Adolescente (2011), Prêmio Stonewall - Livro de Honra (2011), Nominado para o Goodreads Choice - Livro YA (Young/Adult) (2010), entre outros.

Sinopse

Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra... Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo nome. E, aparentemente, apenas isso os une. Mas mesmo circulando em ambientes completamente diferentes, os dois estão prestes a embarcar em um aventura de épicas proporções. O mais fabuloso musical a jamais ser apresentado nos palcos politicamente corretos do ensino médio.






Resenha

Não é meu gênero favorito (Young Adult/Adolescente), mas é uma leitura prazerosa. A linguagem é simples e acessível e a leitura é fluente. Os capítulos são curtos e contados dos pontos de vista de cada Will, intercaladamente. 

Conforme a sinopse, a estória trata do encontro de dois adolescentes com o mesmo nome: Will Grayson. Desde o início é fácil envolver-se com os personagens, pois acredito que a descrição dos mesmos e a desenvoltura da estória chamam a atenção do leitor.

De um lado, um garoto tímido, cujos lemas de vida são: "não se importar com nada" e "manter a boca fechada". De outro, um adolescente problemático e depressivo, com dificuldades de relacionamento. O primeiro tem como melhor amigo Tiny Cooper que, a meu ver, chama mais atenção durante o decorrer do livro que os dois personagens principais. O segundo Will tem como "amiga" a menina Maura. Entre aspas por que, na verdade, ela é mais colega que amiga, de acordo com o próprio Will.

O livro aborda questões adolescentes como namoro, amizade, paixões, vida escolar, descobertas e expectativas. Gira em torno do preparativo de um musical relativo à vida de Tiny Cooper e ao amor em todas as suas formas. Em dado momento da estória, ambos Will encontram-se e, a partir daí, fazem parte um do mundo do outro.

O final do livro deixa a desejar, apesar de subentendido. De qualquer forma, é um bom livro, mas com uma estória fantasiosa demais, que não condiz muito com a realidade. Penso isso talvez por que eu já não esteja no ensino médio há muito tempo ou talvez por que simplesmente a vida não é um mar de rosas. Ou seja, há muita coincidência nos fatos que acontecem no livro, embora alguns diriam que são obras do destino. 





Avaliação: ★★★★





"Mas com amigos, não tem nada assim. 
Estar em um relacionamento, isso é algo que você escolhe. 
Ser amigo, isso é simplesmente algo que você é."


(Tiny Cooper) - p.223

terça-feira, 30 de junho de 2015

Misery (Louca Obsessão) - Stephen King

Título original: Misery
Tradução: Elton Mesquita
Editora: Suma de Letras
Publicação desta edição: 2014 
Primeira publicação: 1987
Páginas: 326
Prêmios Recebidos: Prêmio Bram Stoker para melhor romance (1987); Concorreu ao Prêmio World Fantasy para melhor romance (1988)
Adaptação: Filme "Louca Obsessão", lançado no Brasil em 1992 (veja o trailer)

Sinopse

Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho. 



A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegarão ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, em Misery – Louca obsessão, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo. 


Resenha

Como todos os livros de King, na minha opinião, este também é extraordinário. Angústia é o sentimento que melhor define a leitura do livro. Um livro com a linguagem simples, leitura rápida e viciante. Deixa o leitor, sem dúvida, esperando um final feliz para o pobre escritor Paul Sheldon.

Conforme a sinopse, Paul Sheldon sofre um acidente automobilistico e é resgatado pela enfermeira Annie Wilkes, que diz ser sua "fã número um". Até aí tudo bem, não fosse o fato de Annie ser uma psicopata cruel. No último livro da série "Misery", Paul Sheldon matou a personagem principal, que também se chama Misery, fato este que não foi aceito por Annie. Assim, após resgatar e estar cuidando de Paul, ela exige que ele escreva um novo livro, único e exclusivo a ela, onde Misery esteja viva.

Paul, então, agarra-se à sua única chance de sobrevivência: escrever um nove romance para a série que, com tanto alívio, havia finalizado. O que ocorre, porém, é que Paul está extremamente debilitado, incapaz de mover as duas pernas, ou seja, não pode sair do quarto onde Annie o mantém trancado e vigiado. Além disso, pelas dores insuportáveis, Paul necessita do remédio Novril, no qual acaba se viciando.

Novamente, "até aí tudo bem", afinal bastaria que Paul escrevesse um livro que agrade à Annie e poderia ir para casa, feliz. Mas não, essa não é a realidade! Annie é uma ex-enfermeira insensível e violenta, com um passado horripilante, como Paul descobrirá, e que começa a torturá-lo física e psicologicamente, deixando-o sem alternativa a não ser sobreviver dia após dia naquele martírio sem fim.

Outro aspecto interessante do livro é a forma como se dá a relação entre Paul e Annie, na qual ambos fazem parte de um jogo psicológico, no qual uma simples palavra, ou olhar, pode-se transformar em um arrependimento!

Vale a pena a leitura! Recomendo!





Avaliação: ★★★★★





"Os escritores lembram-se de tudo, Paul. Especialmente dos sofrimentos. Mande um escritor tirar a roupa e aponte para cada cicatriz e ele lhe contará a história de cada uma delas. As maiores acabam virando livros, não amnésia. Para ser um escritor é preciso ter um pouco de talento, mas o único pré-requisito de verdade é a capacidade de lembrar a história de cada cicatriz."


(Paul) - p.244

segunda-feira, 22 de junho de 2015

O Médico e o Monstro - Robert Louis Stevenson

Título original: The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde
Tradutores: José Paulo Golob, Maria Angela Aguiar, Roberta Sartori
Editora: L&PM Pocket
Publicação: 2011 (escrito em 1886)
Páginas: 112

Sinopse

O Médico e o Monstro - As suspeitas começaram quando Mr. Utterson, um circunspecto advogado londrino, leu o testamento de seu velho amigo Henry Jekyll. Qual era a relação entre o respeitável Dr. Jekyll e o diabólico Edward Hyde? Quem matou Sir Danvers, o ilustre membro do parlamento londrino?

Assim começa uma das mais célebres histórias de horror da literatura mundial. A história assustadora do infernal alter ego do Dr. Jekyll e da busca através das ruas escuras de Londres que culmina numa terrível revelação.


Resenha

Considerado um dos clássicos do terror, juntamente com Frankenstein e Drácula, O Médico e o Monstro é um livro que mistura ficção científica e mistério. Escrito em 1886, sua linguagem é um pouco diferenciada, com palavras e expressões de época, mas nada que torne a leitura cansativa. Ao contrário, a leitura é agradável e prende o leitor, ansioso por descobrir quem são, afinal, Dr. Jekyll e Mr. Hyde.

O autor é bastante detalhista, no que diz respeito às descrições das paisagens e dos personagens, tanto em seus atributos físicos como nos de suas personalidades. Isso é muito interessante, pois desenvolve na mente do leitor um ambiente imaginário rico em detalhes, o que torna a leitura ainda mais prazerosa.

A estória tem início em Londres, em algum momento do século XIX, quando Dr. Jekyll confia seu testamento a seu amigo, o advogado Utterson, deixando como beneficiário o misterioso Mr. Hyde. Ocorre que Mr. Hyde possui uma aparência única, dotada de alguma deficiência indescritível, que desperta medo e asco aos que o encaram face a face.

Mr. Utterson inicia por sua conta uma investigação para descobrir quem é Mr. Hyde e porque seu amigo, o notável Dr. Jekyll, resolveu deixar toda sua fortuna para um homem que entrou na sua vida tão repentinamente e que não parece ser merecedor de sua confiança.

É um livro muito interessante e, em que pese a linguagem de época, também muito atual. Isso porque expõe ao leitor um questionamento atemporal: o que vem a ser o bem e o mal? A estória tem pontos altos, que conduzem o leitor à resolução do mistério, mas ao mesmo tempo, o mistério é eterno. 

De um lado, o benevolente e honrado Dr. Jekyll, com sua vida regrada e bem vista pela sociedade. De outro, o malévolo e repugnante Mr. Hyde, escória da raça humana. Como duas pessoas tão diferentes podem ter algo em comum? E, ainda, que essa relação seja tão intensa? Estas e outras perguntas são respondidas parcialmente, pois a verdade nunca está clara quando se trata da bondade e da maldade do ser humano.

Leitura recomendada! Não é um terror que dê medo, mas é um suspense que prende o leitor, sem dúvidas.




Avaliação: ★★★★★


"Se cada um deles, dizia eu, pudesse habitar em identidades diferentes, a vida libertar-se-ia do que hoje se me afigura insuportável; o injusto poderia seguir o seu caminho, despojado das aspirações e do remorso do seu irmão gêmeo, mais reto; e o justo avançaria com segurança e firmeza pela sua senda ascendente, realizando as boas obras nas quais encontra prazer e sem se expor às desgraças e à penitência provocadas por esse espírito perverso e desconhecido. Esta era a maldição da humanidade: o fato desses dois ramos incongruentes estarem unidos com tanta força, que – nas agonizantes entranhas da consciência – estes gêmeos opostos lutavam continuamente entre si."


(Dr. Henry Jekyll) - p.62


quinta-feira, 18 de junho de 2015

Fantasmas - Dean Koontz


Título original: Phantoms
Tradutora: Maria Isabel de Araripe Macedo
Editora: Record
Publicação: 1983
Páginas: 461

Sinopse

Desde sua chegada a Snowfield, pequena e pacata estação de inverno, Jenny e sua jovem irmã Lisa sentiram uma impressão de calma estranha, sobrenatural. O primeiro cadáver que descobrem na casa é o de Hilda, a caseira. Os olhos arregalados de terror, a boca paralisada num grito, a carne negra e empolada. A casa vizinha está deserta, o jantar ainda quente na mesa, o estéreo toca uma sinfonia de Beethoven…

Aterrorizadas, as duas jovens correm à padaria em busca de auxílio: sobre o balcão, duas mãos seguram pelas pontas um rolo de pastel. Duas mãos humanas, decepadas. Um calafrio percorre a espinha de Jenny e de Lisa. Oculto pelas trevas, alguém ou alguma coisa as espia.


Resenha

Jenny é uma jovem mulher, médica, e que não mantinha relações próximas com sua mãe. Quando do falecimento desta, Jenny torna-se responsável por sua irmã mais nova, a adolescente Lisa. As duas nunca tiveram um relacionamento fraterno, uma vez que Jenny raramente as visitava. Porém, diante de tudo o que ambas passaram ao decorrer da estória, certamente seus laços afetivos tornaram-se firmes e insubstituíveis.

Tudo começa quando as duas retornam à cidade, ao fim da tarde, onde Jenny vive, Snowfield. Ao chegarem na cidade percebem que paira no ar um silêncio anormal, sepulcral. Não há pessoas nas ruas, nem animais, nem ruídos de quaisquer espécie.

Chegando em casa, as irmãs deparam-se com a governanta Hilda, morta ao lado da bancada onde havia iniciado os preparativos para o jantar. Jenny, ao examinar seu corpo, não localiza nenhum ferimento ou trauma que possa ter causado sua morte, tampouco evidências de que a mesma tenha ocorrido em virtude de alguma moléstia. O corpo está uniformemente pisado, algo que Jenny jamais viu em sua carreira ou sequer imaginou que pudesse ocorrer.

Intrigada, dirige-se à casa vizinha e lá encontra a mesa do jantar posta, os alimentos ainda quentes, porém nenhuma pessoa, viva ou morta. Parece que tudo foi abandonado às pressas. Intrigada, Jenny visita outras casas e estabelecimentos e se dá conta de que os habitantes que não foram mortos, desapareceram sem deixar pista alguma.

Porém, as irmãs sentem uma presença invisível, algo que parece estar observando-as das sombras nas ruas, nos becos, nas casas, à espreita. É uma presença maligna, sentem, mas sem ideia do que seja. Jenny decide ligar para a delegacia da cidade vizinha e, assim, outros policiais chegam para ajudá-las a descobrir o que aconteceu e está acontecendo em Snowfield.

Diversos acontecimentos no decorrer do livro deixam o leitor intrigado, tentando adivinhar que presença é essa que afeta os sobreviventes de Snowfield. É uma estória de suspense e terror muito bem escrita, onde o desconhecido se torna o medo maior do leitor. Lembra muito "O Chamado de Cthulhu" de H.P. Lovecraft, em relação aos sentimentos durante a leitura, ou seja, inquietude, curiosidade, ansiedade, medo. Os capítulos são curtos e a leitura não cansativa e bem fluente.

É uma ótima leitura! Recomendo a todos que gostam de terror, suspense e fatos sobrenaturais. Ou seriam naturais? ;)




Avaliação: ★★★★★


"O espírito humano civilizado... não consegue se livrar de uma sensação do fantástico."


(Dr. Fausto, Thomas Mann) - p.3